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Parece, mas não é!

Papos de academia...

Sabe-se que estereótipos são idéias preconcebidas de determinada pessoa, grupo ou situação. Pois muito bem. Estava eu na academia outro dia, cansada, suada (argh), me arrastando na bicicleta ergométrica quando me deparo com o seguinte diálogo:

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Motherfucker 1: “Mulher que ouve eletrônica sempre é meio maluquinha, véio”.

Motherfucker 2: “Isso é o de menos. As que ouvem black, funk, são todas putas”.

Ora, pois pois. Que mania de rotular! Humanóides são classificados por religião, cor, convicção política e nunca por aquilo que realmente é importante. “O essencial é invisível aos olhos”, hehe. Leviano esse tipo de preconceito, minha gente. Leviano.

É extremamente válido e interessante pensar um pouco antes de nos sentirmos aptos a fazer julgamentos. De maneira acirrada, defendemos pontos de vista que interessam à nossa natureza e que nos são impostos condicionadamente. É muito fácil fazer generalizações. O difícil é se manter à parte delas.

A cultura é a lente pela qual o homem vê o mundo. E é plausível e natural que determinado grupo considere seu modo de vida o mais correto e o mais apropriado possível, daí o etnocentrismo. Porém, a realidade é uma massa amorfa à disposição para que a moldemos de acordo com a nossa consciência.

Menos programações simplistas, pessoal. Eu ouço música eletrônica, por exemplo, e não sou maluquinha. Ok, ok. De vez em quando há quem duvide de minha sanidade mental. Mas nem toda mulher que curte um som eletrônico é maluca. Assim como nem todo baiano é preguiçoso. Não são todos os japoneses inteligentes. E nem todo judeu é avarento.

A nossa cultura hoje é condicionada por intermédio dos meios de comunicação. Quem dita as regras? Se a protagonista da novela das oito aparece em cena usando um chapéu de bolinhas amarelas, isso é motivo para dezenas de chapéus de bolinhas amarelas serem vistos nas ruas no dia seguinte. Por quê? Ah, tá na moda, né. Fazer o quê?

Somos o resultado de uma cultura. A cultura nos faz. Os "extintos" estados totalitários são os pilares para o entendimento dos problemas sociais, já que as moléstias persistem até hoje. O Capitalismo é um desdobramento do Nazismo.

As identidades se diluem. Há uma padronização negativa da cultura. O mundo ao nosso redor é construído por valores que não sabemos de onde vêm.

Logo, garotos (os motherfuckers citados, não nossos amados leitores), CUIDADO ou serão engolidos por sua própria arapuca. Como diria Raymond Williams: "Povão é sempre o vizinho". Será?

Sugestão pra hoje: chazinho de camomila e incenso de rosa branca para purificar as vibrações.


publicado em 31 de Agosto de 2008, 18:28
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Marcia Batista

Marcia Batista, fazedora de livros e bruxa anarco-feminista nas horas vagas. É claro!


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