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Parem de subestimar o amor, por favor | Do Amor #42

Sofremos por colocar o amor num pedestal e, depois, o ignoramos por medo de se dar mal de novo

Dia desses uma amiga me perguntou "como acreditar no amor depois dessa?", ao saber do fim de um relacionamento de dois grandes amigos que eram vistos como o casal vinte da turminha dela. 

"Mas a ideia é justamente não acreditar nele", lhe respondi com a cara de quem tem todas as certezas do mundo dentro da sacola. Eu já escrevi aqui sobre como o amor é superestimado, né, do medo que a gente tem dele por colocá-lo num patamar bem acima da realidade e, claro, acabar se frustrando por nunca alcançar aquele nível de singularidade, que nenhum namoro vai ser especial naquele tanto, jamais um casamento aturará a cobrança extraordinária para ter seu cotidiano igual a aquele cogitado por quem ama de forma exacerbada. Não dá.

Só que olha só a maluquice que a nossa cabeça nos enfia. Há quem chegue a essa pequenina conclusão, a de não superestimar o amor, em algum ponto da vida depois de mais uma decepção. E isso deveria ser ótimo, certo?

Ah, nada como sair de um extremo direto para o outro.

Quando passei meu conselho grátis, ela, a amiga desanimada com as recentes afeições amorosas me lançou "mas eu já estava nesse nível mesmo. Ele não existe, né? O amor. Não dá pra contar com ele". No que eu, olhando de volta pra ela, relutei, claro. "Prefiro o inferno amando".

Escuta, não acreditar no amor não é ser alguém frio e pessimista, descrente do que de bom essa relação mais próxima com alguém, se englobar sensualidade ou sexualidade, só pode ficar nisso de alguns momentos de putaria e depois cada um na sua pra não chocar a brincadeira, não embolorar o papo, "vamos embora enquanto tá tudo bem?". A gente não deixa de confiar no amor como se fosse um malandro no centro da cidade, mas a gente mantém relação com o amor como com um amigo que brinca com você o tempo todo e você acha ele bobo, mas gosta pra caralho dele. Manda o amigo à merda, mas chora com ele e curte com ele o que aparece de bom. 

É tudo brincadeira, farra, piada, zombaria, é ziriguidum, balacobaco e telecoteco, exige entrega, mas não mergulho cego. Exige esperteza e análise, mas não ceticismo, sacou.

Se entrega, mergulha, se lambuza

O amor. Ele é bobo.

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publicado em 07 de Outubro de 2016, 00:10
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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