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Por que estão fechando as delegacias de São Paulo?

O Governo de São Paulo está remodelando seu modelo de segurança pública e fechando delegacias! Em um primeiro momento isso parece um contrassenso, mas não é.

A decisão do governo paulista, que vem gerando muita polêmica, se iniciou com o fim de delegacias em cidades do interior com menos de 10 mil habitantes e a unificação dos distritos policiais na capital. A princípio, o impacto é negativo na sociedade, principalmente nas pessoas que moram ou trabalham próximas às delegacias, devido ao aumento da sensação de insegurança pela ausência de policiamento no local. Mas isso não é, necessariamente, verdadeiro.

Observe que uma unidade policial – seja ela uma delegacia de polícia (Polícia Civil) ou batalhão (Polícia Militar) – demanda um contingente alto de policiais em sua administração. Em compensação, ao unificar unidades você reduz o número de policiais que atuam na administração e aumenta o número de policiais que atuam na atividade fim (policiamento ou investigação).

A matemática é simples: menos policiais na administração é igual a mais policiais nas ruas.

Justiça mesmo se faz fora da delegacia

Essa tática, porém, tem um ponto fraco. Se a área de atuação se torna muito extensa, o número de policiais em atuação na atividade se torna igualmente e proporcionalmente alto, o que vai exigir mais da administração. Os procedimentos administrativos aumentam, gerando atrasos e problemas consideráveis de logística. Logo você acaba precisando de mais policiais na administração e o resultado passa a não ser tão bom.

Outro fator a ser considerado é o controle territorial no nível tático e estratégico, que passa a não ser tão eficiente pelo acúmulo de dados a ser analisados e a redução do conhecimento detalhes importantes na geografia do local de policiamento.

O exército americano, por exemplo, demanda cinco homens da administração para cada homem em combate. Contudo, esse exemplo não pode ser um balizador de opiniões dentro do nosso contexto de segurança pública, pois obviamente em ações de guerra certas questões logísticas são consideravelmente superiores aos do nosso cotidiano, porém é inegável a preocupação dos comandos norte-americanos com a administração de suas tropas.

Quanto ao fato da Polícia Militar registrar ocorrências, já encontramos conformidade legal e a prática desse procedimento em alguns estados do Brasil, onde a polícia militar registra crimes de pequeno potencial ofensivo (lei nº 9.099), o que garante maior celeridade nos processos, redução de tempo ocioso de policiais militares e, consequentemente, uma maior satisfação do cidadão que não precisa se deslocar para delegacias de polícia para registrar este tipo de ocorrência.

Em segurança pública, não há fórmula mágica. No final das contas o diferencial de uma tropa está fundamentado no tripé treinamento, recompensa e correção.

Se o policial, civil ou militar, tiver um treinamento de primeira linha, for bem remunerado e ter a certeza de que, caso aja de forma errada, será eventualmente responsabilizado por seus atos, teremos um cenário muito mais favorável na segurança pública de nossos estados, independente do modelo organizacional utilizado, seja ele mais centralizador ou mais territorial.


publicado em 04 de Abril de 2011, 12:11
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Thyago Ferreira

Oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Amante de armas, explosivos, operações de inteligência, guerra eletrônica e coisas do gênero. Carioca, flamenguista, sonhador e escritor nas horas vagas. No Twitter, @ferreirinha_rj.


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