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Quando surge a coragem?

"Existe um conceito fundamental na criação de personagens. Ele reside na diferença entre caracterização e caráter."

Escutei algo bem próximo disso em Maio desse ano, no seminário HISTORY, de Robert McKee. Mckee é largamente considerado uma das principais influências para roteiristas em todo o mund0. Autor do cultuado livro Story, realiza intensos seminários de 4 dias nos quais lota auditórios com mais de 1000 assentos. Não cobra barato, são U$750.

Esse velhinho amável me aconselhando é o Robert McKee. Solta um FUCK a cada 5 palavras. E é ovacionado de pé ao final do seminário.

Tem como platéia escritores, roteiristas, fotógrafos, publicitários, jornalistas, atores, cineastas e criadores em geral. Gostaria de relatar em detalhes o impacto transformador que meu encontro com esse carrancudo senhor teve na maneira como trabalho, mas o tema de hoje é outro. Reside na frase inicial desse texto.

Caracterização seria a soma das qualidade que se pode observar externamente em um ser humano. Sua idade, inteligência, sexo, sexualidade, modo de falar, de olhar, de se locomover, de se vestir, sua profissão, sua moradia, sua personalidade, valores e atitude em geral. A combinação única desses elementos, de nossa genética, influências externas e tantas outras variáveis compõe o conjunto da caracterização distinta de cada um de nós.

No entanto, isso não é caráter.

Caráter é revelado nas escolhas feitas por uma pessoa sob pressão. Quanto maior a pressão, mais profundo será o traço de caráter revelado, descortinando a essência do indivíduo.

Tal ideia tem martelado em minha cabeça desde então, e dela me recordei ao assistir o vídeo abaixo. Um senhor supostamente bêbado cai numa plataforma de metrô. Os presentes tentam alertar o trem que se aproxima a uma grande velocidade. No último segundo, um policial fora de serviço pula na plataforma e salva o sujeito. De arrepiar.

Link vídeo

Qual seria a sua escolha? Não pergunto como guardião da moral e senhor dos bons exemplos. Questiono, antes de tudo, a mim mesmo. É muito fácil bravatear. Espero ter a coragem necessária para agir sem medo diante de escolhas como essa em minha vida.


publicado em 06 de Dezembro de 2010, 22:57
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Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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