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Que coisa mais bonita a falha dos filipinos!

Ou "como ver a derrota por um outro ângulo"

Não tenho como começar de outra forma. Foi lindo.

Muito lindo!

No começo do mês, uma dupla de filipinos ganhou o mundo com uma cagada. JD Pahoyo e John Fabriga são atletas do salto ornamental e estavam disputando o SEA Games 2015 (o Pan-americano do sudeste asiático). E daí que eles fizeram apresentações muito ruins e tiraram, ambos, nota 0.

Zero.

O vídeo foi espalhado pelos quatro cantos do mundo e poderia ser facilmente material de vídeos de cassetadas e coisas bobas do tipo.

Mas é mais, muito mais que isso.

A beleza está na derrota. O que me deixou tocado foi a condução do fracasso, ambos saindo da piscina, sendo aplaudidos com o zero, indo para a banheira de água quente. Digo, foi um desastre completo, digno de choro, vergonha e sofrimento para muito tempo. Mas não. Para eles, foi apenas uma derrota de tantas que eles já enfrentaram e ainda vão enfrentar.

Como qualquer um. Poxa, não tem como deixar de ver certa poesia nisso. Enquanto na "Copa das Copas" do ano passado, uma seleção anfitriã tremia nas bases jogo após jogo, choro após choro, pressão após pressão, aqui temos a simplicidade de uma competição e aceitação do improvável, da inevitabilidade do erro e da má sorte. Não fala-se de recordes, do ápice, da perfeição que quase nunca se vê, mas de mais um dia.

Eles são bons. Não entendo o suficiente de saltos ornamentais para afirmar o quão bons eles são. Mas eles manjam o que precisam  manjar:

Acho que todo mundo na vida deveria passar pela lona, pelo vexame, e tentar ver a naturalidade disso, a inerência disso aos nossos esforços, a graça patética e, enfim, o riso.

Porque a beleza da vitória tá pronta. Quero ver fazer bonito tirando zero.

Foi lindo, filipinos. Lindo.


publicado em 07 de Julho de 2015, 09:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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