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Que tal deixar suas fixações de lado?

Num mundo em que a única constante é a mudança, vamos combinar, a gente morre de medo das mudanças, não é?

Não me refiro só ao medo da escola nova, de não se encaixar na cidade desconhecida, das cobranças do chefe recém-contratado ou, até mesmo, do vizinho caladão com cara de poucos amigos que se mudou ontem.

Falo daquele medo mais interno de, sem querer, virar um ex-alguma-coisa: ex-namorado, ex-marido, ex-empregado, ex-esquerdista ou ex-pegador.

De qual fixação estamos falando?

Num nível sutil, fixação pode ser interpretada como sendo aquele aspecto da sua vida que você não gostaria que mudasse. Ou então, aquele detalhe na sua identidade que não deveria, nunca, encontrar o rolo compressor do destino. Ou ainda, aquilo que você tem certeza que é.

Ideologias, religiões, times de futebol, partidos políticos, apelidos, relacionamentos, status social, coisas das quais nos orgulhamos etc. Todas estas podem ser fontes de fixações que acabam por influenciar e restringir as nossas possibilidades de escolhas.

Isso sem contar que, se estamos com um olhar – ou uma mente, ou um espectro de possibilidades – restrito, isso atrapalha muito a nossa empatia e a nossa capacidade de ouvir o outro.

Mas e qual o problema em tê-las?

Se o mundo muda constantemente e nós tentamos, a todo custo, manter uma parte da nossa vida inalterada, algum atrito vai acontecer. Se tentarmos manter a nossa identidade atrelada a essas fixações, mais cedo ou mais tarde vamos ter que gastar uma energia tremenda tentando sustentá-las.

Com exemplos isso fica mais fácil de visualizar.

Às vezes é amor, às vezes é só apego mesmo
Às vezes é amor. Às vezes é só apego mesmo

Uma pessoa que se considera um Don Juan, vai estar sempre atrás de uma nova conquista, nunca ficando satisfeito e, mais cedo ou mais tarde, vai usar muita energia tentando sustentar essa fama, gastando muito em baladas, roupas caras, jantares e encontros. Se a fixação de Don Juan dele for atacada, ou contestada, vai gerar raiva, já que ele está tão certo de que é um amante perfeito que defenderá isso a qualquer custo.

Muitas brigas acontecem por causa das fixações. Uma pessoa é vegetariana e você vem dizer que comer carne é a melhor opção? Pronto. Campo fértil para uma discussão inglória. Imagine então, se o seu time do coração fechasse ou sumisse. Suspeito que você ia brigar até o fim dos dias pela volta ou, pelo menos, pra manter viva a memória do seu time.

E o que eu faço com elas?

A princípio não precisa fazer nada. Não tem problema nenhum em torcer pro seu time, ser do partido ou se considerar uma pessoa poderosa. O problema começa quando você tem uma certeza imutável e inabalável disso.

E se os mal-humorados passassem, do nada, a sorrir? E se você que tem certeza que é um fracote, começasse a desenvolver auto-compaixão? Rapaz. Isso seria subversivo!

Você também pode começar não cobrando padrões fixos dos outros. Aquele amigo que era Corintiano e passou a torcer pelo Vitória, só deixou as fixações de lado, não precisa cobrar isso dele.

Se você ‘congela’ a sua empregada doméstica nessa visão – como se ela não pudesse ir alem dessa função – o que acontece com esse seu olhar, quando ela vira prefeita?

Ter um certo nível de desconfiança para cada uma das nossas obsessões é um meio muito bom de ter uma vida mais leve. Se a gente pudesse sorrir a cada vez que a gente se perceber numa fixação, com certeza teríamos menos desentendimentos e bem mais amigos. Quanto menos amarrados formos, mais livres seremos.

Agora jogo a pergunta pra vocês: quais fixações vocês tem medo de deixar de lado?

Quer colocar isso em prática?

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publicado em 04 de Março de 2014, 20:08
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Marcos Bauch

Nascido na Bahia, criado pelo mundo e, atualmente, candango. Burocrata ambiental além de protótipo de atleta. Tem como meta conhecer o mundo inteiro e escreve de vez em quando no seu blog, o De muletas pelo mundo.


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