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Quer ajudar uma mãe? Aqui vão 4 dicas!

Tayná Leite dá quatro dicas simples para não sobrecarregar as mães ou afastá-las do mercado, seja você um marido, chefe ou colega de trabalho

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Nota da edição: O PdH republica conteúdo elaborado pela Revista AzMina. Nossos principais propósitos ao trazer esse tipo de conteúdo são aproximar homens e mulheres de assuntos comuns a ambos, furar bolhas e amplificar debates.  

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No meu último texto falei sobre o como o mercado exclui mães utilizando-se de mitos e falácias a respeito das nossas prioridades e produtividade, ao mesmo tempo em que a ciência nos traz mais e mais elementos que comprovam a importância do cuidado com a primeira infância, em especial os mil primeiros dias. Em O Começo da Vida (assistam! Vale muito a pena!), com uma sensibilidade incrível, Estela Renner traz fatos e dados impressionantes sobre o impacto dessa fase na vida adulta, na comunidade como um todo e até na economia.

É fato que as empresas precisam de mais mulheres entre seus líderes, assim como as famílias precisam de seus homens mais em casa. Os filhos precisam de pai como precisam de mãe, eles precisam de amor e atenção de toda a sociedade! Mulheres precisam de independência financeira e realização pessoal tanto quanto os homens.

Infelizmente essa visão integral de olhar para a primeira infância tem sido cooptada por alguns movimentos para validar discursos de desigualdade que colocam sobre a mulher a responsabilidade pelos cuidados com o lar e os filhos, aumentando cada vez mais a desigualdade de gênero. Crianças não precisam de mãe! Crianças precisam de cuidado! Crianças precisam de amor, brincar, colocar pé na grama e de uma boa soneca! Crianças precisam de leite materno (de preferência), que pode ser oferecido por qualquer cuidador e ordenhado pela mãe. Crianças precisam de acolhimento e não exclusão de praticamente todos os espaços sociais.

Crianças – e o mundo – precisam de mães independentes financeiramente que possam sair de relacionamentos abusivos e, principalmente, que sejam felizes e realizadas por poderem se dedicar àquilo que lhes faz bem e dá prazer

A lei dá a mães e pais o direito de faltar uma vez por ano ao trabalho para acompanhar filhos menores de seis anos ao médico. Queria eu viver nesse mundo onde crianças de até seis anos ficam doentes uma vez por ano e depois nunca mais. E adivinhem quem tem que faltar as outras 18 vezes no ano sem atestado para acompanhar o filho ao médico ou simplesmente porque não tem com quem deixar o filho doente?

Se a responsabilidade por esta criança é social, é da mãe e também do pai, precisamos sim de Reforma Trabalhista, mas não para reduzir direitos como gostaria nosso golpistaPresidente, e sim para garantir que o investimento está sendo feito da forma correta.

Precisamos de licença paternidade tanto quanto precisamos de licença maternidade. Já há estudos comprovando os benefícios de uma licença paternidade estendida tanto para as crianças e para a amamentação (saúde pública) quanto para a diminuição da desigualdade de gênero que, by the way, nunca é demais lembrar, é o objetivo número 5 para o milênio da ONU!

Precisamos também de espaços para que as mães possam amamentar seus filhos no trabalho ou ordenhar para que outro cuidador ofereça seu leite até os seis meses exclusivamente (e até os dois anos de forma complementar) como recomenda a Organização Mundial de Saúde. Precisamos de espaços comunitários que assegurem o cuidado com nossas crianças para que mães e pais possam trabalhar tranquilos.

E se tudo isso parece muito grande, inatingível, fora da sua alçada, aqui vão quatro dicas simples de como VOCÊ pode fazer a diferença neste cenário:

 

1. Pare de julgar uma mãe (ou um pai) que chega atrasada porque foi à consulta com o filho ou que falta por causa de filho doente; Se quiser ir além, ofereça ajuda, acolhimento e um chazinho pois criança doente é de cortar o coração!

2. Se você for empregador (ou líder) de um pai, encoraje-o a revezar o cuidado das crianças com a mãe e assegure que não haverá retaliação a seu emprego por isso. Se for também pai dê o exemplo! Você sabe, né?! As crianças aprendem…

3. Incentive a amamentação! Ajude, ofereça (e leve) comida, chá, café, ombro, palavras de conforto ou o que mais estiver ao seu alcance para uma mãe que deseja amamentar mas precisa – ou quer -voltar a trabalhar! E se ela não quiser mais amamentar tudo bem também! Guarde o julgamento!

4. Se você é pai, compre essa briga! Vá às consultas, acorde de madrugada nem que seja para fazer companhia (acredite: faz toda a diferença!), troque fraldas também, mas faça mais! Faça sem que ela precise pedir! E, principalmente, a não ser que tenhamos entrado na DeLorean e estejamos em 2126, não!

O fardo não está nem perto de ser igual ainda que você troque todas as fraldas do rolê e lave todas as louças da casa! Então fecha a boquinha e nos deixe reclamar sobre como é difícil ser mãe porque ao menos isso nos é reservado nesse mundo cão!

Muitas mulheres, assim como eu, têm buscado alternativas ao sistema para poderem dedicar-se a seus filhos e aos tais primeiros mil dias, sem comprometerem totalmente suas rendas e sua realização profissional. Ainda assim, a balança pesa para o nosso lado! O desafio de ir a uma reunião com o bebê, de ter espaços adequados para receber crianças, pais que efetivamente honrem suas funções e um pouco mais de acolhimento a crianças e bebês é algo que limita muito a possibilidade de se fugir do esquema tradicional de creche ou babá.

É claro que existem inúmeros outros fatores nesta equação que não abordam classes sociais em que trabalhar ou não sequer é um questionamento e sim uma necessidade. Acredito, porém, que ter mais mulheres na liderança, transformar a visão das empresas e trazer os homens para a equação seja um bom caminho para trabalhar o problema em forma de cascata.

Um mundo de fato igualitário seria aquele em que as mulheres comandassem metade dos países e das empresas e os homens dirigissem metade dos lares.” (Sheryl Sandberg)


publicado em 07 de Setembro de 2017, 00:00
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