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Reset no futebol brasileiro - Parte 1

Nas últimas semanas tivemos um grande movimento no Twitter pedindo a queda do presidente vitalício da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira.

E se funcionasse?

O movimento #foraricardoteixeira apresenta-se como um feed de informações e notícias sobre o homem forte do futebol brasileiro. A descrição do site, entre toleráveis ironias e certo desabafo, resume a proposta:

Este site não tem como objetivo tirar o senhor Ricardo Terra Teixeira, mais conhecido como Ricardo Teixeira, do comando da Confederação Brasileira de Futebol. Afinal de contas, ele vem se dedicando à instituição por longos 22 anos. Isso mesmo: cinco mandatos de muita transparência e trabalho duro à frente da CBF.
Essa história não terminará antes da Copa de 2014, quando este homem idôneo retribuirá a confiança do povo brasileiros com a mais organizada Copa do Mundo já vista na história deste país.

É obvio que todo mundo quer a cabeça de Ricardo Teixeira. E não é pelos resultados da Seleção Brasileira nos últimos cinco anos. Não mesmo. O motivo dessa antipatia e revolta entre alguns torcedores é a várzea administrativa que existe na atual gestão da CBF. A falta de punho, planejamento e coordenação de tudo que envolve o esporte vem tornando o futebol brasileiro cada vez mais caótico.

Não temos perspectivas de melhoras para os próximos anos. Viver apenas com um “campeonato nacional onde há mais de 10 times com possibilidade de título” é pouco, muito pouco para o país que fez do futebol sua manifestação cultural. Nós não aproveitamos nem 10% do que o esporte poderia nos proporcionar.

Pausa para o sonho.

Um reset no futebol brasileiro.

Ricardo Teixeira deixa a CBF. Temos a chance de começar do zero.

Como seria isso?

Mais de duas décadas e muita sujeira no comando da CBF: é hora de dar tchau

Não dá para organizar a casa de uma hora para a outra. As propostas de mudanças listadas logo abaixo visam a volta da identificação do torcedor brasileiro com a sua seleção. Estamos falando de Brasil. Precisamos pensar no futebol como um sistema de introdução do homem à sociedade, não como um mero esporte líder de audiência e entretenimento.

O futebol, já dizia Paulo Santana, é a coisa mais importante de todas as menos importantes do Brasil.

Quem sabe até mais do que isso.

A nova categoria de base

O cenário é o mesmo em qualquer canto do país. Grandes e médios times fazem peneiras semanais no interior e capital dos estados em busca de jovens talentos. De 100 garotos, no máximo 8 são convidados para um treinamento mais especifico. Desses, 1 ou 2 acabam subindo para o time profissional e seguindo a carreira de futebol.

Você já foi ver uma peneira? Pois eu digo como é. Os times são divididos ao gosto do olheiro. Normalmente cada menino tem 20 minutos para mostrar o que sabe. Ao final do jogo os meninos são enfileirados, o funcionário do clube faz um discurso dizendo que eles não podem desistir, convoca os que vão treinar no clube e dispensa o restante.

Estamos falando de garotos de 14, 15 anos. Meninos pobres que possivelmente perderam a aula para aquele teste. E que tantas aulas perderão em busca de outras peneiras e oportunidades. Assim eles crescem. São muitos os casos de homens que deixam os estudos e jogam até os 19 e 20 em busca de chance num time profissional. Na maioria das vezes, sem sucesso.

Os clubes precisam ter maior responsabilidade nas categorias de base. Quem não virar jogador profissional deve ter uma formação escolar digna para auxiliar na construção do país. Vide o exemplo da seleção pré-olímpica uruguaia. Dos 11 titulares que formaram o elenco vice-campeão sul americano sub 20, oito eram acadêmicos.

Aliás, devemos aprender muito com essa renovação uruguaia. O ponto forte deles está na valorização do jovem talento e no respeito pelo conceito da camisa. Mais do que jogadores, precisamos formar cidadãos

Estado deplorável do alojamento das categorias de base do Náutico (Foto: Diário de PE)

Profissão: árbitro de futebol

Uma das primeiras mudanças necessárias na arbitragem brasileira é a regulamentação da profissão de árbitro de futebol. Convivemos com os mais diversos profissionais, de oficiais da PM a ex-jornalistas, comandando jogos que influenciam na vida e realidade de muitos. Não tem cabimento o árbitro de futebol ter uma rotina paralela aos estudos e aperfeiçoamentos de atuação em campo.

Os campos brasileiros estão repletos não somente de péssimos árbitros, mas também de figuras arrogantes. Resumindo: um espelho da Comissão Nacional de Árbitros (Conaf) presidida desde 2005 por Sérgio Cabral.

Evidente que o árbitro precisa ter pulso firme. Mas ele precisa de todo um passado e histórico para chegar ao posto. Hoje qualquer imbecil faz uma escolinha de árbitros e em pouco tempo – e com bons contatos – torna-se federado em seu estado. O mais indicado nessa situação é um programa de formação de árbitros de futebol. Conheço garotos de 16 anos que falam sem medo que desejam arbitrar. Infelizmente não há nenhum tipo de aprendizado teórico e especializado para eles nessa idade.

Não podemos depender de cursinhos semestrais de formação. O mais correto é implantarmos uma escola nacional de arbitragem brasileira com campus espalhados pelas capitais. Aí sim, com a devida valorização do árbitro, teríamos uma renovação mais eficiente e seletiva de profissionais do apito.

Link YouTube | Árbitro de futebol: uma profissão que - ainda - não existe

Te associa

O Benfica tem 170 mil sócios. O Barcelona e o Manchester United algo próximo de 160 mil. Já Flamengo e Corinthians, as duas maiores torcidas do Brasil, não alcançam 50 mil filiados segundo a última pesquisa do Clube dos 13. O torcedor brasileiro é menos apaixonado? Não. O poder econômico dos torcedores da Europa é maior e eles podem investir no time? Sim. Os clubes brasileiros não sabem trabalhar de modo inteligente tudo o que um sócio-torcedor tem de privilégios? Com certeza.

Tirando Internacional e Grêmio – times brasileiros com o maior número de sócios em dia –, os clubes brasileiros ainda pecam muito na hora de captar sócios. É preciso um esforço de mídia direcionado para fazer o torcedor entender de uma vez por todas que ele deve associar-se. E focar em três pontos cruciais:


  • Vantagens: ser sócio vai além de ter uma carteirinha do clube com seu nome. Você tem ingresso garantido para jogos, participa de promoções exclusivas, tem desconto para eventos no estádio e inúmeros benefícios com as empresas filiadas ao clube.

  • Parte do clube: o sócio torna-se parte da realidade do clube. Você pode participar de algumas reuniões com dirigentes, viver o dia a dia do clube e ter direito a voto nas eleições presidenciais. Mais do que torcer e reclamar, você tem a chance de fazer a diferença e viver a rotina do clube.

  • Paixão: existe plano de sócio impossível de ser negado. Pagando R$10,00/mês você já tem influência e benefícios dentro do clube. O sócio não ama o time mais que o torcedor comum, mas ele tem todo o direito e a oportunidade de transformar o clube no que ele considera o seu melhor.

O sócio é o pulmão do clube. Clube forte significa mais jogadores revelados, menos jogadores reciclados e Seleção mais competitiva. No mundo perfeito os times se sustentariam com o dinheiro dos sócios, dependendo cada vez menos das cotas de transmissão e poluição visual nas camisas.

Mundo perfeito e distante, diga-se.

Exclusividade, vantagens e participação no clube: é muito bom ser sócio

Essa discussão vai render três posts. A idéia é tratarmos nos comentários cada tópicos listado por artigo e produzir um dossiê definitivo. Os próximos temas são:


  • Eleições diretas;

  • Mídia e publicidade;

  • Calendário de competições;

  • Federações estaduais;

  • Os novos cartolas;

  • Qual a função do jogador de futebol?

Isso adianta algo? Sei lá. Mas só meter o pau é fácil. Alguém ter que fazer alguma coisa.

Não é petulância nossa. Mas vai que dá certo.


publicado em 07 de Agosto de 2011, 05:15
File

Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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