Reset no futebol brasileiro – Parte 2

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Deixe eu adivinhar. Nesse momento você tenta entender o que a Maitê Proença faz ilustrando um post sobre a CBF.

Eu explico. A atriz tem relevante participação num triste capítulo do futebol brasileiro.

Mais um deles.

O torcedor brasileiro estava calejado no final de 2006. A pífia campanha, a eliminação precoce e o modo displicente como os convocados encararam aquele mundial foi motivo de arrepios. Carlos Alberto Parreira não resistiu ao fracasso. Foi demitido poucos dias após o mundial. A Seleção, agora, buscava um novo comandante.

Os homens fortes da CBF trabalhavam com alguns possíveis nomes. Mas também tinham seus justíssimos momentos de entretenimento. Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF, organizou um jantar no apartamento e reuniu figuras como Luciano Huck, Angélica, Fátima Bernardes, Fernanda Torres, Aécio Neves e a discretíssima Ana Teixeira, primeira dama da CBF.

Após um belo cardápio e prováveis bons drinks, uma roda de mulheres formou-se e começou a inevitável discussão sobre a Seleção Brasileira. Tudo corria normalmente, com palpites sobre jogadores que seriam aproveitados nos Jogos Olímpicos de 2008 e os excessos cometidos por alguns atletas na concentração. Foi então que Maitê Proença, então namorada de Paiva, cantou a pedra:

A Seleção está muito mole. Precisamos de alguém de pulso firme. Acho que o Dunga seria um nome ótimo para técnico da Seleção Brasileira.

Todos concordaram.

Os olhos de Ana Teixeira brilharam.

E agora todo mundo sabe quem manda na Mansão Teixeira.

Dunga: um técnico escolhido por Maitê Proença

Esse artigo é a continuação da série sobre o reset no futebol brasileiro. Nossa meta é produzir um documento com os posts e os melhores comentários e disponibilizá-lo online. Além disso, vamos entregar esse aquivo aos principais veículos de comunicação do Brasil e também para os presidentes de federações estaduais de futebol.

No post passado falamos sobre categorias de base; a arbitragem brasileira e os programas de sócios. Aliás, os sócios têm grande importância no primeiro item de hoje: as eleições nos clubes.

Vote no seu clube

Parte dos clubes mais tradicionais brasileiros defende as eleições internas. Somente dirigentes majoritários e vitalícios, assim como os que mais injetam dinheiro no clube, têm o direito de voto. As chapas dividem-se em interesses próprios e, principalmente, políticos. Você pode até não acompanhar muito da movimentação política do seu clube, mas pode ter certeza: tem alguém lá dentro torcendo contra.

Essa chuva de interesses é horrível para os clubes e, automaticamente, para o futebol brasileiro. Isso atrasa a renovação necessária para modernização dos departamentos esportivos, impossibilita a aplicação de novas ideias e planos e, especialmente, motiva a corrupção e uso excessivo de poder dentro de clubes e federações.

O futebol de hoje não é o mesmo de 30 anos atrás. Administrar um time é muito diferente. E muitos dirigentes que estão há 15, 20 anos no comando não perceberam isso – ou se aproveitam da aparente inocência. Alguns clubes mantêm essa postura quase ditatorial dentro do conselho administrativo. Cabe ao torcedor tomar frenteda situação e ir contra  o sistema. Como? Associando-se é o primeiro passo. Uma vez formalizada sua parte no clube, você tem todo direito de pedir reuniões e propor melhorias.

As eleições diretas, com participação dos sócios em dia do clube, seria um excelente início. Hoje a informação chega de maneira muito jogada ao torcedor, sendo que poucos sócios sabem se possuem o direito a voto nas eleições. As chapas precisam apresentar suas propostas e promover debates entre si.

Informe-se. Procure entender e conhecer as pessoas que fazem parte do conselho deliberativo do seu clube. Estude, questione e solicite informações e poder de participação. Mas antes, lembre-se: associe-se. É a melhor coisa que você faz.

Eurico Miranda é o maior exemplo de coronelismo na cartolagem dos anos 90

Mídia e publicidade

Pare por um minuto e pense comigo: estamos no Brasil. O “país do futebol”, penta campeão do mundo e terra de Pelé, Ronaldo e Romário. Temos todas as ferramentas nas mãos.

Então por que não conseguimos fazer uma porra de publicidade rentável e decente para o nosso futebol?

O Campeonato Brasileiro não existe para o resto do mundo. Isso se deve especialmente a incapacidade brasileira de vender o seu principal produto. A CBF aprendeu a viver mamando na teta da TV Globo, dona dos direitos de transmissão e responsável pelas campanhas e anúncio dos campeonatos nacionais. Pouco, muito pouco.

A CBF precisa ter um trabalho mais focado para manter a popularização do futebol. Se hoje não existe mais identificação da Seleção Brasileira com o torcedor, muito disso é devido a falta de conceito da nossa seleção. Qual foi a última grande campanha publicitária feita para divulgar a Seleção Brasileira? Provavelmente da Nike.

Essa posição da CBF, de não precisar investir em publicidade para divulgar seus campeonatos, seleções e títulos, tornou o nosso futebol uma grande bagunça de cores, sons e significado. Precisamos de um planejamento a longo prazo que tenha como meta a retomada do orgulho brasileiro de torcer pela Seleção. Esse planejamento precisa ser trabalhado sem a dependência dos veículos ou marcas para divulgar a grife CBF.

A Seleção Brasileira precisa se vender sozinha. Mas, para isso, é preciso um enorme esforço de mídia e dedicação. A começar arrumando a própria casa. Valorizando os campeonatos nacionais e fazendo eles cada vez mais rentáveis.

Pode parecer difícil. Mas não é. É trabalho, independência e tudo aquilo que sempre fez falta na CBF: planejamento.

Link YouTube | Craque do Brasileirão: um evento legal. Mas sempre tem alguém que avacalha

Calendário de competições

Essa discussão parece eterna. Campeonato de pontos corridos, unificação do calendário com a Europa, extinção dos campeonatos estaduais... Volta e meia esse asssunto é tratado com rispidez nos debates esportivos. E, na maioria das vezes, termina sem qualquer conclusão.

Não dá para adivinhar qual seria a mudança mais útil para o futebol brasileiro. Porém, também não dá para ficar assim. Tirando a Copa do Brasil, não existe primeiro semestre no futebol brasileiro. Os times focam na competição nacional e – os que disputam a Libertadores – no torneio sul-americano. Os campeonatos estaduais, charmosos, são meros meios de sobrevivência para os times do interior. E jogar campeonato estadual tem sido como dançar com a irmã.

Se não for para fazer valer a pena, que acabem com o campeonato estadual. Ou isso, ou vamos valorizá-lo. E eu prefiro essa segunda opção. O campeonato estadual é muito importante para regiões com clubes de menor expressão. E mais: não dá para imaginar um ano com clássicos só pelo Campeonato Brasileiro. Começa aí, na paixão e dependência do torcedor, a necessidade de jogos regionais.

O Campeonato Brasileiro com calendário atravessado ao europeu é péssimo por vários motivos. O maior deles é a debandada de atletas no meio da competição, quando é aberta a janela de transferências. Talvez fosse o momento de, finalmente, rever o campeonato brasileiro de maio até novembro. Isso implicaria, evidentemente, em toda uma reestruturação cultural de horários de jogos. Mas manteria o nível dos times com grupos e elencos mais concretos.

Precisamos apresentar ao torcedor brasileiro as possibilidades. Uma grande pesquisa ou até mesmo eleições sobre o calendário do futebol são opções totalmente plausíveis. Nós, consumidores de futebol, temos esse direito de decisão.

A torcida comemora e fica feliz com título estadual, só que ao contrário

Temas do próximo domingo:


  • Federações estaduais;

  • Os novos cartolas;

  • Qual a função do jogador de futebol?

Vamos fazer render esse diálogo.

Alô, Ricardo Teixeira.

Nos vemos em setembro.


publicado em 14 de Agosto de 2011, 11:23
File

Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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