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Ministério da Saúde vai começar a vacinar meninos para HPV. O que isso diz sobre os cuidados que devemos tomar?

A doença sexualmente transmissível tem um aspecto feio e pode até causar câncer, vai ficar de bobeira?

sNo final do ano passado, por pedido de vocês, voltamos a falar sobre a saúde do homem. Começamos fazendo uma série de artigos que atacavam as principais preocupações dos homens (pelo menos daqueles que nos enviam emails). Falamos sobre infertilidade masculina, ejaculação precoce, disfunção erétil e até câncer de próstata.

O ano virou, a poeira baixou e já está na hora de voltar a tomar os cuidados necessários com a nossa saúde. É por isso que começamos hoje uma nova série de artigos que pretende atacar problemas que tendem a afetar os homens sobretudo na época de... Carnaval!

Mas, cara, não está muito cedo pra pensar em Carnaval?

Na verdade não. Serão quatro artigos publicados quinzenalmente para que você chegue no feriado mais preparado do que nunca. Acompanhe a série por aqui e tire suas dúvidas.

Para começar, entrevistamos o Dr. Alex Meller, urologista da Clínica Unix e membro da Associação Brasileira de Urologia, sobre o HPV. A doença é muito comum e atinge até 2 milhões de brasileiros por ano, mas como é sexualmente transmissível tem seu pico de transmissão justamente nessa época do ano.

Você vai reparar pelas respostas que ela é mais perigosa para as mulheres, mas são os homens os principais responsáveis pela transmissão. Sabendo disso, o próprio Ministério da Saúde anunciou que vai passar a oferecer a vacina gratuitamente para garotos de 12 e 13 anos. A ideia é preveni-los antes mesmo de começarem a vida sexual ativa. Se você tem um filho nessa idade, vale a dica.

Sem mais demora, vamos às respostas.

Dúvidas mais frequentes sobre HPV

Vacina as crianças! Vacina você também!

Doutor, o que significa HPV e quantos tipos diferentes já foram identificados?

HPV é a sigla em inglês para o Papiloma Vírus Humano, um vírus tipo DNA da mesma família do vírus da herpes, com mais de 100 subtipos identificados. Cada subtipo tem predileção por uma região do corpo: alguns preferem mucosas, outros a pele, outros o tronco, outros o rosto, ou seja, cada subtipo tem a sua região de infecção e eles são muitos.

Como o HPV é contraído e quais são seus sintomas?

O HPV é normalmente contraído por contato sexual, sendo sua transmissão feita por contato de mucosa. Nos subtipos, damos importância aos que estão relacionados a câncer no trato genital e no colo do útero da mulher, já no homem, não há comprovação de que o HPV gera câncer, mas existem casos da relação do câncer com o HPV. Apesar de não parecer uma relação causal.

Nesses casos, o contato sexual é a principal forma de transmissão, seja por contato oral, vaginal ou anal. Ele normalmente se manifesta assintomático através de uma verruga que pode aparecer em diversas partes do corpo, mas os subtipos que tem predileção por genital costumam aparecer apenas nessa região.

Dada a importância de identificar a doença prematuramente, como podemos diagnosticá-la? Há exames? É possível fazer algum teste de casa mesmo?

Como o HPV quase sempre é assintomático, o exame visual é o meio mais fácil de diagnosticar a doença. Em alguns pacientes ele se manifesta através de uma placa avermelhada, uma lesão espalhada pela superfície da mucosa seja ela vaginal ou da glande, e não forma verruga. Nesses casos é mais difícil de diagnosticar. Mas no caso mais tradicional você tem essa verruga que é visível a olho nu.

O diagnóstico precoce pode ser feito através de sorologia (exame de sangue) que identifica o herpes vírus. O problema é que eles não são muito específicos, então você pode identificar o exame pode apontar HPV num paciente que, na verdade, teve herpes, por exemplo. Por isso, existem exames mais específicos que podemos pedir caso o paciente tenha uma suspeita de que entrou em contato com a doença. Assim conseguimos confirmar ou descartar a hipótese.

Quais são as formas mais eficientes de se prevenir do HPV? E como se desenvolve o tratamento, uma vez que o vírus foi detectado?

O uso do preservativo é a forma mais eficaz de prevenção, não tem jeito. Ela inibe o contato com a mucosa e evita a transmissão. Nos homens, como dissemos, o exame visual pode fazê-lo perceber antes a infecção. Mas nas mulheres é mais difícil de notar a lesão, por isso o uso do preservativo é muito importante.

Já as formas de tratamento são por medicação tópica ou remoção cirúrgica. Porém é importante ressaltar que o tratamento não elimina o vírus, ele apenas controla os sintomas e elimina as lesões na pele. Assim podemos fazer a prevenção do contágio e impedir o desenvolvimento do câncer.

Quais os grupos com maior risco de ter HPV? E que hábitos colaboram para aumentar o risco de contrair a doença?

O risco de contrair a doença é maior para os jovens em idade sexualmente ativa, mas faixas etárias de 18 a 60 anos estão incluídas no grupo de risco.

Já os hábitos que colaboram para aumentar os riscos de contrair a doença são os mesmos de qualquer outra DST: pessoas que não usam preservativo e que possuem vários parceiros acabam tendo maiores chances.

Sobre a vacina, ela é uma forma eficiente de combater o vírus? Pode-se tomar a vacina depois de começar a vida sexual?

A vacina é uma forma eficiente, mas ela reduz a faixa de contaminação em torno de 35% a 40%, ou seja, ela não é 100% garantida. É preferível que se tome a vacina antes de iniciar a vida sexual, por isso crianças a partir dos nove anos já estão aptas a tomá-la, mas se você tomá-la mesmo depois do início das atividades sexuais, ainda terá proteção.

Existe também uma dúvida sobre tomar a vacina mesmo depois de já ter sido infectado. Sobre isso, existem trabalhos que mostram que ela tem algum valor, principalmente na faixa de recorrência, então também vale a pena.

Por último, qual outra informação é importante passar pras pessoas sobre o HPV?

O importante é que as pessoas saibam que o HPV é uma DST de fácil contaminação, muitas vezes mais transmissível que a AIDS, sífilis ou hepatite, por exemplo. E a preocupação principal está nas mulheres, onde existe a possibilidade do HPV desenvolver um câncer, por exemplo. Por isso, as mulheres devem estar atentas aos seus parceiros e aos exames ginecológicos periódicos. Já para os homens, as consequências podem ser menores mas ainda são incômodas, então também vale o alerta.


publicado em 13 de Janeiro de 2017, 16:00
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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