Ronnie Von: Quando éramos príncipes

Há uma grande chance de que a sua mãe conheça mais sobre ele do que você.

Ronnie Von foi uma espécie de Justin Bieber brasileiro dos anos 60 (antes de despirocar pelo mundo, claro). Era conhecido como o Pequeno Príncipe. Bonito, correto e, acima de tudo, um sucesso. Contudo, isso não era pra ele. Seu verdadeiro desejo era ser um músico melhor, levar a música brasileira da época aos mesmos níveis de experimentalismo e ousadia que via no exterior.

Na época, ele fracassou. Os três álbuns lançados com essa proposta – Ronnie Von (1968), A misteriosa luta do reino de Parassempre contra o império de Nuncamais (1969) e A Máquina Voadora (1970) – foram reconhecidos só muitos anos depois, já nessa nossa geração 2000. Ele encontrou o caminho em meio à molecada que desbravava as guitarras lo-fi de The Strokes e Whitestripes – ok, há quem diga que foi por causa do vídeo do "significa".

Agora, o canal BIS vai exibir um documentário chamado "Ronnie Von: Quando éramos príncipes". O foco é contar a época de transição de um estilo para o outro, com depoimentos do próprio Ronnie Von e várias figurinhas importantes da época, como Rita Lee (que acompanhava Ronnie Von ainda na época dos Mutantes, durante o programa “Pequeno mundo de Ronnie Von” na TV Record), Manoel Barenbein (produtor dos principais artistas tropicalistas) e Arnaldo Saccomani (produtor e parceiro de Ronnie Von que você provavelmente conhece do programa Ídolos do SBT).

Link Youtube

Além, claro, dos depoimentos, o documentário deve valer mesmo pela performance de Ronnie Von com Os Haxixins, depois de 17 anos se gravar. São dez faixas da fase psicodélica, além de ser a primeira vez que ele toca algumas dessas músicas ao vivo.

É uma excelente oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a música brasileira do final dos anos 60.

Vi a dica lá nO Esquema e resolvi trazer pra cá, junto com uma pequena entrevista que eles fizeram com Ricardo Alexandre, responsável pelo filme ao lado do diretor Caco Souza .

Quanto tempo você  dedicou de pesquisa sobre a vida e a carreira do Ronnie para estruturar o documentário? Teve algum grande achado  nessa pesquisa?
A rigor, eu comecei a pesquisar em 1999, quando preparava aquela reportagem “Ronnie Von muito doido” para a Bizz. Era um assunto que sempre me parecia passível de aprofundamento. Depois de ter feito dois documentários com material de arquivo (Napalm e Julio Barroso), eu queria explorar as possibilidades de som e imagem do HD, que é a natureza primeira do canal BIS. Pensei que uma forma de aprofundar a história do Ronnie Von psicodélico era mostrar a música com toda sua potência, em estúdio, hoje. Minha inspiração nesse sentido foi o “I just wasn’t made for these times”, que o Don Was fez com o Brian Wilson nos anos 1990.
A proposta do Ronnie voltar a cantar e registrar um repertório quase intocado veio de quem? O Ronnie topou na hora? Como foi esse processo?
Apesar de me interessar pelo assunto e de ter a confiança do Ronnie há muitos anos, só comecei a trabalhar de fato no doc no final de 2011. A primeira fase foi convencê-lo a encarar o formato. Ele não cantava havia 15 anos. Dei um exemplar do “I just wasn’t made for these times” para ele e disse que acharia uma banda perfeita para fazer os arranjos e deixá-lo o mais confortável possível. Essa banda é os Haxixins, que já têm uma carreira própria autoral, são cultuados no exterior nesse circuito retrô-psicodélico e lançam discos pela Groovie Records, apesar de virtualmente desconhecidos no Brasil. Eles ficaram loucos com a possibilidade e mergulharam com um nível de paixão e capricho que me fez ter certeza de que a coisa daria certo.
Confesso que um dos maiores entraves foi a insegurança do Ronnie. Ele é outro cara extremamente cuidadoso e vem de um tempo em que cantor realmente cantava, hahahaha. Ele não queria fazer nada menos do que o melhor que pudesse. Confesso que eu só tive certeza de que teríamos esse material no estúdio, com as câmeras ligadas, quando ele abriu a boca para cantar “Regina e o mar”. A gente se entreolhava com cara de “caramba, está melhor do que o original!” Foi uma choradeira imensa.
É o seu terceiro documentário, certo? Qual o próximo? 
Tenho planos para novos documentários sim. Tenho planos para muitas coisas, muitos sonhos e muita vontade de entrar em projetos legais.

Não vai perder: "Ronnie Von: Quando éramos príncipes" estreia no BIS Docs do Canal BIS  na segunda-feira 02 de dezembro, às 19h30 com reprises na segunda-feira 02/12 às 04h, terça-feira 03/12 às 08h30, quinta-feira 05/12 às 09h, sábado 07/12 às 19h30, sábado 07/12 às 03h30 e segunda 09/12 às 15h30.

Depois, se rolar algum link, não esqueçam de me avisar.


publicado em 01 de Dezembro de 2013, 06:11
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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