Sandrinha, para “o mais íntimo”

Aquela professora tinha alguma coisa especial...

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“Sandra, já não sei mais onde guardar a saudade. Ela não cabe em lugar nenhum. Só fica a transbordar.”

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Te amo em pétalas de flores. Tradução: Quero muito te comer. Mesmo.

Graças a estas três frases, Caio, 31 anos (escritor de poemas, versos e afins) conseguiu, de vez, arrebatar o coração de sua amada, Sandra, 30 anos (aspirante a arquiteta, sem vícios e muito bonita). Em um dia, com uma faixa azul transpassada em sua cintura, Sandra fez o juramento a sua profissão. No outro, dentro de um vestido em tom pastel, jurou seu amor a Caio.

Além da poesia que sentia no ar, dentro do apartamento, ela adorava sentir o cheiro do cigarro de filtro amarelo e o volume na parte da frente das calças de seu marido. Ele estava tentando trocar de profissão e comprou uma flauta. Mas, percebia-se que a única flauta que ele tinha domínio era a do meio de suas pernas, que dobrava de tamanho só no fato de sentir a pele de Sandra.

Transavam mais de quatro vezes por dia entre canetas, réguas, compassos... tentavam se equilibrar, para não quebrar, na mesa onde ela desenhava seus projetos. “Ai, Sandra! Minha arquiteta mais puta! Sandri...”. E a transa dava um “stop”. Ela não permitia ser chamada de “Sandrinha”, jamais. Nem se estivesse entregue a ele em lençóis de seda pura num hotel “très chiqué” em Paris.

Quatro anos de casados e dois atuando como professora universitária em uma faculdade de Brasília. Sandra era requisitada por suas aulas e avistada nos corredores por sua beleza. “Estou quase trocando de curso”, disse Gustavo Leão, 24 anos, um certo estudante de direito, a um amigo, “só para ter aulas com ela”.

Foi numa semana qualquer que Sandra começou a notar a presença constante de Gustavo no corredor onde só havia aulas de arquitetura. Estranhou a curiosidade do rapaz e, estranhou mais ainda a sua curiosidade por ele. Até que num momento descomprometido ela perguntou-lhe:

“Você é estudante de arquitetura? Nunca o vi em minhas aulas” - a partir dali, a ocasião a comprometeu para os dias que seguiriam a sua carreira de professora.

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Dever de casa pra amanhã! Quem não fizer vai ser punido!

Seu 1,65m de altura encaixavam-se perfeitamente no 1,89m dele, na horizontal, vertical... em 3D. Um absurdo de gemidos, um exagero de mordidas e arranhões. Sandra se esqueceu da sua mesa de projetos e arriscou-se no laboratório de revelações de fotos do curso de comunicação. Tudo escuro, mas tudo tão claro para os dois. Era ele quem Sandra queria. Era a professora de arquitetura casada, que Gustavo estava querendo todos os dias.

Caio na biblioteca pública, Caio na banquinha de jornal, Caio no bar com outros amigos escritores, Caio fumando um filtro amarelo, Caio transando com Sandra. Nunca podia passar em seus devaneios a traição de sua esposa. “Sandrinha, para o mais íntimo”. “Sandrinha, para Gustavo”. Mesmo fudendo com o estudante de direito, ela não esquecia de comprar as coisas para a casa, passar a camisa do marido e de juntar os lápis e as canetas do chão, após transar com Caio.

Mais um ano lecionando, mais um sentindo o pau de G. Leão. Até que Gustavo se formou e conseguiu emprego no Maranhão. Levando com ele o que aprendeu com a professora.

Tempos mais tarde, numa janta que Sandra e seu marido proporcionaram aos amigos mais próximos, Ana (melhor amiga de Sandra) avisou que chegaria acompanhada, depois de muitos anos estando solteira por opção.

Ao chegar, apresentou aos demais seu novo namorado: “Este é Jorge Leão”. Sandra, imediatamente fez a ligação pai e filho. Embriagada pelos coquetéis de entrada, olhou para dentro da taça de champagne, onde duas bolhas se juntavam. E o pensamento mais inebriado se fez presente: “Queria os dois ‘leões’ me comendo.”

Estendeu a mão, apertou a de Jorge e falou baixinho para somente ele escutar: “Prazer, sou Sandra. Sandrinha para o mais íntimo.”


publicado em 09 de Setembro de 2008, 06:43
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Clarisse Colombo

Jornalista. Geralmente escreve por insights noturnos e jura que seus contos são totalmente fictícios.


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