Sobre Mario Bros, sexo e como terminar o seu namoro pode ser a melhor forma de comemorar o dia dos namorados

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Lembro da minha primeira tentativa de jogar Mario Bros, aquele jurássico do Nintendinho. Quando liguei o videogame, recordo claramente de ver o famoso boneco azul e vermelho, em meio a arbustos e tijolos pixelizados, apertar o play para, menos de um segundo depois, dar de cara com a derrota, batendo no primeiro goomba.

Não tenho certeza, nunca perguntei isso a sério pra ninguém, mas acho que nunca conheci alguém que pegasse o Mario pela primeira vez, ouvisse aquela música, e não morresse no primeiro goomba. Por acaso, se você disser que teve uma experiência diferente, vou achar que é mentira.

Aquilo, de uma forma até hoje inexplicável, gerou uma reação: eu fui consumido por uma terrível vontade de tentar de novo.

Ao repetir a tentativa, descobri que, se eu apertasse um botão, pulava. Depois, vi que, se pulasse na cabeça daquele maldito goomba assassino, ele morria. Encontrei tartarugas, as quais também morriam com um pulo na cabeça. Segui caminhando, correndo, pulando e perdendo, até criar uma certa habilidade. Quando menos esperava, eu estava ficando bom naquilo.

Não importava quantos goombas ou tartarugas ou plantas carnívoras surgissem, nada daquilo me assustava. Eu era capaz! Eu sabia o que fazer!

Porém, quanto melhor ficava e mais acertava, mais difícil era relaxar (em especial porque perder implicava em passar o controle para o meu irmão e parar de jogar era algo que eu simplesmente não estava disposto a fazer). Aquilo, por ser uma das coisas mais importantes e divertidas da minha vida naquele momento, me fazia sofrer.

Troque o Mario pela sua vida amorosa.

Quando o jogo fica sério

O dia dos namorados é o natal dos motéis e restaurantes. Bastante gente quer comemorar a data, ter uma noite romântica, revivendo a paixão dos primeiros dias, quando era o máximo sentar, conversar por algumas horas e terminar a noite em meio aos lençóis, abraçados, felizes, sonhando calados com o futuro incerto.

Ao invés disso, o que às vezes acontece é um encontro sem surpresas, sem a vivacidade e a movimentação de sangue dentro das veias que faz a gente suspirar, tremer e suar de quando conhecemos uma pessoa nova.

Se um dos dois está empolgado, às vezes, o outro quer apenas ficar em casa, matar a lista de tarefas que insiste em ressoar no fundo da sua mente. Ou vice-versa. No entanto, por um medinho, o “não” fica guardado. Os votos silenciosos do relacionamento acabam falando mais alto.

Super-Mario-Bros.-Mario-vs.-Bowser

A contraparte que quer a noite à luz de velas pode não ter consciência disso, mas algo também reverbera de maneira dissonante. A tensão aumenta.

Relaxar é difícil, principalmente quando estamos falando de uma situação à qual fomos sistematicamente nos submetendo e ficamos acostumados a ganhar. Mais complicado ainda fica o cenário quando acreditamos que é possível seguir pra sempre nesse estado de gozo vitorioso.

Quando perdemos a capacidade de brincar, de rir e de relaxar diante do nosso ridículo óbvio, destruimos uma das principais características que nos tornam atraentes perante o outro: a própria liberdade e leveza de quem não depende daquela relação para seguir sendo feliz.

A pior coisa que a gente pode fazer é entrar com seriedade em um relacionamento sério.

Para comemorar o dia dos namorados, termine o seu namoro

Esse brilho especial do começo tem uma boa razão de ser. Não só a capacidade como a possibilidade real e sempre latejante do outro nos dizer “não” a qualquer momento é um dos grandes motivos do fascínio que ele nos exerce.

Gostamos tanto desse ser livre que queremos trazê-lo mais pra perto. Queremos que ele esteja ali, todos os dias. Porém, ao tornar essa presença cada vez mais familiar e sólida, matamos aquilo que estamos tentando aprisionar.

Claro, não sugiro aqui de uma forma literal que você termine o seu namoro e comece a ser um solteirão ou solteirona pelo resto da vida, pulando de relacionamento em relacionamento, sucedendo noite após noite de sexo sem compromisso, em uma tentativa incessante de manter esse ânimo fluindo. Nem acho que isso seja um modelo de vida para qualquer pessoa – afinal, os solteiros sofrem tanto quanto qualquer um.

A vida de solteiro do Mario não era fácil
A vida de solteiro do Mario não era fácil

Assumir o peso do relacionamento é importante, sim. Se você está com alguém, nada mais justo que estar lá, tentar oferecer ajuda, companhia, carinho. Mas, se é de amor que estamos falando, precisamos também contemplar que isso envolve um profundo desejo de que o outro seja feliz.

Quando fazemos isso e buscamos verdadeiramente tal objetivo, eventualmente vamos perceber que a melhor forma de chegarmos a isso é abrindo mão de ter o outro por perto. Mesmo nessas datas que fazem a gente ficar com medo de ser um perdedor se não tiver com quem fazer cumprir o roteiro de cinema da vida.

Nem falo isso como uma defesa de relacionamentos sempre no topo da euforia e suspiros apaixonados ou como uma espécie de conselho para apimentar a relação. Sequer acredito nesse tipo de coisa.

De qualquer forma, tento manter presente, para mim mesmo, esse lembrete. Para ter uma boa noite (de sexo?) no dia dos namorados, uma boa ideia pode ser simplesmente dar à sua namorada ou namorado, o poder sincero, sem ressentimentos e sem restrições de dizer não, de virar as costas e fazer qualquer coisa que a faça feliz. Por mais doloroso e fora dos planos que isso seja.

Assim, talvez seja possível não só admirá-la como a pessoa livre que ela realmente é, como também voltar você próprio a ter a liberdade e leveza que tinha inicialmente.

O paradoxo da coisa é que há uma chance desse ser livre sequer ter alguma vontade inadiável de ir comemorar o dia dos namorados. Afinal, quem quer celebrar essa data é só um adulto que trocou o Mario por uma relação e segue tentando passar de fase, sem perder, para não ter que largar o controle.

Mecenas: Blowtex

Sexo, futebol e comemoração, sempre estiveram ligados, mesmo que indiretamente.

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E foi pensando nisso que a Blowtex criou a a promoção “Na hora da comemoração, use Blowtex“, que vai dar 16 prêmios de R$ 1.000,00 aos ganhadores.

Para concorrer, você deve enviar uma foto relacionada ao tema e usando a hashtag da semana que você encontra pelo site,

Você também pode participar pela fanpage oficial do Facebook ou pelo instagram (@blowtex). 

Fique atento, toda semana muda a hashtag e o tema.


publicado em 10 de Junho de 2014, 21:13
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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