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Sobre vida no espaço: onde estão os alienígenas

Vamos aos números que a ciência tem pra nos mostrar

Durante os anos 90 houve uma forte movimentação televisiva em torno dos extraterrestres. Lembro de ter por volta dos 12 anos e assistir assustado aos inúmeros programas do Fantástico e Globo Repórter mostrando relatos de aparições, histórias de avistamentos e esboços ilustrando como esses seres se pareciam.

Lembro claramente da primeira vez que vi a popular imagem do ET de cabeção, boca pequena e olhos grandes. Sonhei com isso por algumas semanas, acordando no meio da noite com medo de ser abduzido e ter sondas inseridas no meu nariz.  

Mas o que de início era medo, virou interesse. Comecei a acompanhar o tema mais ativamente, consumindo todo – pouco – material que conseguia encontrar nas bancas. Meu seriado preferido era Arquivo X, lia revistas UFO aos montes e qualquer outra publicação que falasse sobre o assunto eu tentava comprar. O problema é que na era pré-internet, você não tinha muitos meios de verificar uma informação. Se o Fantástico mostrou alienígenas, é claro que eles existem.

Hoje sou bem mais cético. Ainda tenho certo interesse sobre assunto, apenas aplicado a uma esfera mais científica, menos otimista. E, claro, sigo imaginando como seriam, tais civilizações, seus costumes e tecnologia.

Produções cinematográficas continuam nutrindo nosso sonho de encontrar vida extraterrestre. Filmes como Alien, Distrito 9, ET, Sinais e vários outros que lidam com invasões extraterrestres e a possível destruição da Terra, fazem um excelente trabalho em alimentar este sentimento de dúvida que paira sobre nós.

Mas não apenas cineastas acreditam nisso, muita gente, incluindo muitos cientistas, parecem apostar suas fichas nestas possibilidades.

Link Youtube | Ficção e nossa imaginação sobre vidas extraterrestres

Calculando a probabilidade de vida extraterrestre

Boatos a parte, não existe nenhuma indicação de que alguém realmente tenha visto um  extraterrestre ou uma nave espacial não-humana.

Por mais que existam inúmeros relatos, todos se provaram falsos quando verificados mais profundamente. Fotos e vídeos polêmicos nunca sobrevivem à análises periciais mais rígidas e, até o momento, nem mesmo incidentes populares como o caso do ET Varginha, parecem se sustentar além da histeria coletiva e do “alguém me disse que fulano viu”.

Mas como podemos saber as chances de existência de algo que até então nunca vimos ou não temos evidências? Basta usar um pouco de probabilidade e estatística.

A Via Láctea, esta galáxia que chamamos de casa, contém aproximadamente 200 bilhões de estrelas. De acordo com os dados de análises mais modernas sobre exoplanetas, podemos estimar - e não apenas supor - quão comum são planetas que podem suportar vida como conhecemos. Ao que parece, temos uma média de um planeta habitável por estrela, ou seja, 200 bilhões de estrelas, 200 bilhões de exoplanetas habitáveis.

Agora vem a parte mais delicada: precisamos estimar quantos planetas habitáveis realmente desenvolveram vida e em quantos desses planetas a vida se desenvolveu para uma forma inteligente.

Multiplicando essas duas probabilidades podemos encontrar quantos planetas são esperados para sustentar vida como a que conhecemos atualmente.

Poupando você da matemática (que pode ser encontrada nesse link), podemos estimar que exista algo em torno de 1000 a 1,000,000 civilizações na Via Láctea.

O processo lógico que descrevemos acima é similar ao sugerido pelo Dr. Frank Drake, em sua popular Equação de Drake, utilizada para calcular  o número de civilizações extraterrestres nas quais poderíamos ter chance de estabelecer algum tipo de comunicação.

A Equação de Drake

Por mais que equações e estatísticas possam nos dar uma boa perspectiva do que pode existir, qualquer cientista que afirme um número para isso estará supondo, uma vez que nossa taxa de amostragem para isso é extremamente limitada, nós só conhecemos vida inteligente na Terra.

Então é claro que existe vida inteligente fora da Terra, certo?

Sabemos estimar quantidade de estrelas e planetas que são capazes de sustentar vida como conhecemos, e sabemos que mesmo na menor das probabilidades, ainda existiria uma chance, mesmo que mínima, de um planeta desenvolver vida como a nossa.

É como compararmos com a mega-sena. A chance de ganhar o prêmio com uma cartela simples é de 1 em 50 milhões, mas mesmo assim pessoas acabam ganhando.

Podemos ainda considerar que no exemplo da equação de Drake estamos estimando apenas a probabilidade de vida na Via Láctea. Se expandirmos a ideia para todas as outras galáxias, teríamos trilhões de outros planetas para compensar esta chance, se tornando improvável não existir algum outro planeta que desenvolveu vida como a nossa.

Dizer que mesmo com todas essas chances de vida fora da Terra, nós humanos somos os únicos seres inteligentes vivendo por aí, é tentar contradizer um princípio científico básico, seria afirmar que a Terra é extremamente especial, algo único.

Cientistas lutam contra qualquer modelo que nos defina como exceções e essa noção vem sendo refutada desde o modelo heliocêntrico de Copérnico. Nós não somos o centro do universo, e não somos nada além de um planeta em meio a inúmeros outros.

Mas então existem mesmo alienígenas, né?

Não tão rápido assim.

O problema dos argumentos favoráveis que apresentamos acima, é que não temos evidências para validar as afirmações.

Da mesma forma que estamos dizendo que deve existir vida em outros planetas da nossa galáxia, devemos pensar nas implicações que isso teria. Afinal, se houvesse vida inteligente e desenvolvida por lá, é provável que nós já tivéssemos detectado algum sinal disso, certo?

Vamos, de novo, às suposições.

Nossa galáxia tem aproximadamente 10 bilhões de anos, o que foi tempo suficiente para nosso planeta se desenvolver, surgir vida, humanos aparecerem e programas espaciais começarem a se tornar populares.

Nosso planeta é rodeado de satélites, uma grande estação espacial, sondas e inúmeras coisas que lançamos no espaço. Numa estimativa grosseira, temos 3700 satélites orbitando a Terra, sendo 1100 funcionando e 2600 que já foram aposentados. Um telescópio que for apontado para a Terra, será capaz de enxergar nosso conglomerado de satélites orbitando o planeta. Não apenas isso, poderíamos identificar ondas eletromagnéticas, sinais de rádio e qualquer coisa emanando lá de fora.

Mas até o momento não existe evidência alguma de vida fora daqui.

Então, se é altamente provável que existe vida lá fora, onde está ao menos o rastro disso?

O paradoxo de Fermi nos ajuda a encontrar uma suposição para tudo isso. Segundo ele, talvez não estejamos vendo sinais de vida extraterrestre no espaço porque eles simplesmente não estão desenvolvidos a este ponto. Ou seja, podem não ter criado tecnologia que nos permitisse detectar qualquer atividade. Eles podem estar lá, mas ainda não têm programas de rádio, TV, internet, e não voam, talvez entretidos no entendimento do seu próprio planeta - coisa que nós poderíamos nos preocupar mais um pouco também.

Link Youtube | Não esqueça de ativar as legendas em português

No entanto, vale lembrar dos números. Nossa galáxia tem 10 bilhões de anos, a humanidade precisou apenas de 20 milhões de anos pra se aventurar pelo espaço.

Quão improvável é uma civilização, dentre as bilhões possíveis, ser capaz de evoluir e explorar os horizontes cósmicos?

Mas e agora, tem ou não tem?

De um lado temos a possibilidade da vida inteligente não ter evoluído de nenhuma forma em todas as bilhões de estrelas e até galáxias que temos notícia.

Do outro a possibilidade que dentro dessas bilhões de formas de vida inteligente que podem ter se desenvolvido, nenhuma delas ser capaz de evoluir a ponto de explorar o espaço e deixar vestígios disso em algum lugar que pudéssemos encontrar.

Tudo isso em 10 bilhões de anos de história.

Ainda assim, parece muito improvável...

Uma teoria articulada pelo filosofo Nick Bostrom, de Oxford, diz que mesmo com as elevadas chances de desenvolvimento de vida, as possibilidade de alguma forma de vida ser extinta antes de se espalhar pela galáxia também são bastante altas, como se existisse um filtro evolucionário que atua contra espécimes.

O que Bostrom chama de “O Grande Filtro,” funciona como uma barreira probabilística que reduz drasticamente as chances do que é altamente provável, como no caso da vida em planetas parecidos com a Terra.

A ideia do filtro traz consigo duas hipóteses.

  1. Que o tal filtro está localizado bem antes do nosso ponto na história, servindo como estágio diferencial onde nos tornamos inteligentes e outras civilizações não seguiram. Ou;

  2. Que ele está no futuro, é um destino que dificilmente poderíamos evitar, uma possível tendência destrutiva que dizimou todas as outras civilizações alienígenas e também nos destruirá em breve.

Fonte: Mega Curioso

Podemos imaginar que os seres de outro planeta, assim como nós mesmos, enfrentam uma grande variedade de ameaças, como bactérias, vírus ou até mesmo um holocausto nuclear causado pela própria espécie.

Dessa forma, antes mesmo de serem capazes de nos alcançar, grandes tragédias podem tê-los eliminado .

Ou seja: os alienígenas que procuramos podem já ter desaparecido do universo milhões de anos atrás.

É muito mais complicado do que parece

Podemos especular aos montes sobre a existência ou não de vida em outros sistemas solares e galáxias, mas só poderemos ter certeza real no momento que identificarmos alguma prova visual disso.

Podemos apenas ter quase certeza que sim e quase certeza que não.

Um dos problemas nesse cenário é o próprio tempo. Como a luz demora muito para viajar de grande distâncias até a lente dos nossos telescópios, também demoraria para viajar daqui até o telescópio dos nossos amigos extraterrestres. Um alienígena que estivesse observando a terra muito distante daqui, da ordem de milhares ou milhões de anos luz, seria capaz de observar apenas dinossauros em nosso planeta, ou até mesmo o planeta em seus estágios mais iniciais de desenvolvimento.

Então, apesar dos números parecerem favoráveis, as condições não são tantas assim e as chances vão ficando cada vez menores à medida que nos aprofundamos na questão.

Nos resta aguardar os novos desenvolvimentos científicos. Observar nossas sondas explorando horizontes cada vez mais distantes, na busca de encontrar alguém nesse imenso universo.

Arthur C. Clarke, autor de 2001 uma Odisseia no Espaço, sintetizou claramente o sentimento que essa dúbia possibilidade representa.

“Duas possibilidades existem: Ou estamos sozinhos no universo ou não estamos. Ambas são igualmente assustadoras.”


publicado em 29 de Outubro de 2015, 13:49
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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