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Tá todo mundo igual

Ser do contra não é um sinal de rebeldia. Ser do contra é um sinal de personalidade.

Essa postura de não achar legal o que todos curtem, acham bonito ou simplesmente apreciam me gerou o título de arrogante. Ou babaca, para os íntimos. Isso aconteceu logo na adolescência, quando o pensamento limitado torna a maioria dos jovens em seres influenciados pela mídia, moda e senso comum. Todo mundo é muito igual. E você, no auge da suas observações, percebe que não faz parte daquilo.

Esse instinto natural te obriga a procurar opções. Se o ambiente não é favorável, o ser humano automaticamente caça alternativas que vão contra o tradicional. Transformando-se, assim, num arrogante alternativo.

Cidadão muito raro nos dias de hoje. Afinal, todo mundo é mais igual ainda. Até os diferentes.

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Gostar de ruivas, ao contrário de alguns anos, não te torna diferente. Muito menos vestir xadrez e ouvir Foo Fighters. Esses três exemplos de beleza, moda e cultura tornaram-se overrated. E o motivo é bem simples: ser diferente virou pop. Se em outros tempos era vexatório falar no colégio que passou o sábado jogando Imagem & Ação com os amigos, hoje é maneiro.

O nerd chato de hoje é o capitão do time de futebol americano da Sessão da Tarde dos anos 90.

Por um lado é ótimo, afinal, mostra que o adolescente está mais independente do que nunca. Ao mesmo tempo, é um saco, pois todos fazem de questão de comprovar esse status. Isso comprova e diferencia o charlatão. O cara que força algo apenas para não parecer maneiro e ficar conhecido como diferente, vai por mim, não é diferente porra nenhuma.

O cara faz algo considerado chato para ser considerado legal.

Isso tá errado. E o mundo tá muito igual. Todo mundo gosta das mesmas coisas chatas, ruins e feias para parecer cult e diferenciado. Não que ruivas, xadrez e Foo Fighters sejam ruins. Mas imagine um mundo só de mulheres de cabelo vermelho, uma quermesse eterna e o Dave Grohl tentando provar que é engraçado em todos os canais. É o que vai acontecer. Pois, enquanto mais gente tentar parecer diferente, mais igual o mundo vai ficar.

E mais chato.

Sinto falta de adolescentes estúpidos e manipulados da minha época.

Era mais fácil ser diferente com eles.

Que post confuso.


publicado em 21 de Setembro de 2011, 10:13
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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