Texto de um louco qualquer (ou "Como o PdH mudou a minha vida")

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Certa vez ouvi dizer que a vida é feita de sonhos, planejamentos e conquistas. Quando percebi, já tinha me jogado no mar da vida, sem saber se poderia acabar me afogando. Mas vamos voltar aos primórdios dessa história. Talvez você veja algum sentido nisso tudo.

Até os meus 17 anos fui um cara sem sabores. Sempre ali, colado na barra da saia da família, dependendo de tudo e de todos, me enganando com a vida e achando que algum dia, em algum momento, aquela inércia toda me levaria a algum lugar. Ótimo aluno, ótimas notas, com certeza a caminho de um futuro brilhante... Pelo menos era o que eu pensava. Mesmo que estivesse, quem se importa?

Vários anos assim: estudos, internet, videogames, nada de vida. Simplesmente idolatrava o que a mamãe dizia ser bom e desprezava o que ela pensava ser ruim. Como tantos. Não sei onde tudo começou a mudar, mas tenho alguns palpites. Com 18 anos, por influência de um amigo, comecei a ouvir caras como Rolling Stones, Pink Floyd e Led Zeppelin.

Foi por volta dos 18 também que dei a sorte de ver filmes como Clube da Luta e Na Natureza Selvagem. Alguma coisa estava errada. Sempre aprendi que drogados só se fodem e que os príncipes se dão bem, por que esses caras que fumam e bebem o dia todo fazem successo? Isso é uma injustiça!

“Injustiça é o caralho, filho da puta, vire homem.”

Foi isso que você disse pra mim. Você, isso, você mesmo. Autor, leitor e editor do PapodeHomem.

Te vira

Estava eu em um dia normal, procurando no Google como conseguir respeito (já deu pra perceber que não tinha nenhum?). Acabei em um texto do PdH, escrito pelo Guilherme Nascimento em 2006: “Como conquistar respeito”. Esse texto com certeza mudou a minha vida. Não só pelo seu conteúdo, mas por ter me servido de estrada até o PdH.

A partir dali foi que vi que a minha vida era uma merda, que o politicamente correto era uma merda e que muita coisa que minha mãe falava era uma merda. A cada texto, comentário, ou imagem postada, sempre tentei aprender alguma coisa. Acho que consegui aprender algo sobre a essência humana, e que não somos tão mecânicos quanto pensava.

Arranjei um trabalho e, em algum tempo, comecei a pagar o aluguel de uma espelunca qualquer. Não estava preocupado em ter conforto, mas em aprender com a vida e ganhar minha liberdade. Perdi todas as vantagens que tinha por ser de uma classe mais alta que a da maioria. Parei de ser um filho da puta qualquer e comecei a dar valor às verdadeiras coisas da vida. Ganhei amigos, esses sim verdadeiros, que estão comigo na hora da cervejada e nas confusões que arrumo de vez em quando.

Minha vida não parece mais uma mentira, já não estou mais em uma bolha, sendo protegido por todos que não queriam que eu vivesse. Agora eu tenho uma vida, e sei alguma coisa sobre ela, mesmo que seja pouco. Estou livre para apanhar, para ser ferido, para perder. Mas também estou livre para bater, para ferir e para ganhar. Essa é a vida, ninguém disse que seria justo.

Quem quer apanhar, ser ferido e perder?

Antes, mesmo sabendo que a vida era curta, tinha medo de largar tudo o que havia conquistado com duros anos de estudo e tentar aproveitar a vida do meu jeito. Até que um dia, em uma epifania, descobri que não havia conquistado nada, aquilo não significava nada pra mim, eu não queria um futuro com uma mulher, dois filhos e um emprego em uma multinacional.

Melhor perder alguns anos do que a vida inteira. E foi assim, em grande parte inspirado por várias coisas que li aqui, que me joguei completamente para o outro lado da vida, o lado dos que buscam viver com as próprias forças, sentindo os perfumes da vida todo dia – mesmo que estes, por vezes, cheirem merda aguada.

Não sei se vou me arrepender daqui a algumas horas, dias ou anos. Mas estou aqui, fazendo o que acho que precisa ser feito. Se me arrepender, foda-se, isso também faz parte da vida. Nunca se pode deixar de fazer o que acha certo por medo de lá na frente perder tudo.

Por dois motivos:


  1. Quando estiver lá na frente, as coisas serão diferente do que planejou, você será outra pessoa, com outros desejos e objetivos em mente. Das mil formas que imaginamos nosso futuro, a milésima primeira é que está certa.

  2. Você não sabe se o seu “lá na frente” existirá mesmo. Por que não fazer as coisas se você pode morrer amanhã? Se não morrer, bem, melhor pra você.

Minha família com certeza não entendeu nada sobre a minha mudança, mas me disseram uma vez que gostariam de me ver feliz, e pela primeira vez senti minha alma em acordo com a deles. Inconscientemente, estava tudo certo. A harmonia tinha custado, mas veio. Talvez custaram um pouco a entender que, dependendo de como se pensa, uma vida sem luxo e que as vezes cheire mal pode ser melhor aproveitada do que se fosse vivida em condomínios gigantescos e tendo laços financeiros tendenciosos. Simplesmente por ser uma vida sincera.

Link YouTube | O jovem Jack Black, em sua própria história de rebeldia familiar

Hoje moro em um cafofo um pouco maior, o que não me faz muita diferença. Trabalho sem gravatas e tenho uma banda, o que sempre foi um sonho, desde os tempos que vivia minhas mentiras. Como a vida é uma eterna busca, ainda busco alguns objetivos. Sempre sonho, planejo e conquisto. Ao menos quando é possível.

Nem todo mundo será um astro do rock, um jogador famoso, ou um galã da TV. Não é porque você acredita que o seu sonho vai dar certo. Às vezes as coisas não são tão simples. Mas de uma coisa eu tenho certeza: você está na vida para fazer o que te dá prazer. Com muita sorte, essa porra vai acabar em menos de 350 mil horas pra você. Parece muito? Para mim não.

Mas também não me dê créditos excessivos, estes é apenas um texto de um louco qualquer.


publicado em 22 de Fevereiro de 2012, 08:13
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João Henrique

No mundo há 20 e Corinthiano há 13, mas vivo apenas há 3. Pensa que a finalidade da vida é ter o maior número de momentos felizes, custem o que custar. Não sabe porque está, mas está. Só sabe que vai acabar.


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