Um paraíso com mulheres à nossa espera

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Poderia ser só um comercial retratando o resort dos sonhos de qualquer homem, mas não, hoje em dia as marcas querem causar movimentação real nas pessoas, então os caras fizeram mesmo o paraíso na Terra, mais precisamente na Austrália.

O Lynx Lounge oferece golf, sinuca, tênis, wakeboard... E mulheres, mulheres e mais mulheres, em todas as fantasias imagináveis. Brigando de travesseiro, se pegando na lama, trazendo café na cama e fazendo massagem quando você quiser.

Para concorrer a esse fim de semana com mais 7 amigos (afinal, o território é vasto), os caras só tem de comprar os produtos da Lynx – AXE, para os brasileiros.

Link YouTube | Surreal? Não, existe pra valer.

Dá pra analisar como ação publicitária inovadora, dá pra pensar em como qualquer homem ficaria maluco com um prêmio desses (e depois não comeria ninguém), ok, mas meu propósito aqui é apontar para o que poucos notam – homens menos ainda – diante de tais imagens.

Olhe bem como a mulher é retratada. Ela é colocada como um dos recursos naturais e materiais do local, tão linda quanto a paisagem, em pé de igualdade com uma lancha ou um super carro esperando para ser dirigido. Ela é retratada como um ser incapaz de se divertir sozinha, sem autonomia, na dependência da presença masculina.

Mais ainda, o único propósito de sua existência ali é servir ao prazer masculino. Ela são um corpo sem face, sem história. Foram chamadas apenas para sustentar e rechear a roupa de empregada, de cozinheira.

Cozinheira e faxineira. Mulher é isso, né?

O leitor mais desencanado pode dizer que "Ah, mas é só um comercial, deixa os caras brincarem!". Eu concordo, não vejo problemas, mas depois lembro dos comerciais que temos por aqui e de como tal imaginário se alastra para dentro das mentes femininas – e continua sendo reificado pelos homens num processo recursivo.

Uma garota diz que quando a vida amorosa vai mal, tudo vai mal. Outra me escreve dizendo que não consegue ficar bem sozinha. Várias outras sofrem e sofrem em busca do príncipe, ou melhor, esperando por ele, por sua salvação. Isso sem falar no discurso de alguns homens...

Assim como as gostosas do resort (assista ao primeiro vídeo acima), muitas mulheres assumem a posição de esperar, aguardar, de não se divertir, de manter a pior espécie de passividade e de aceitar ser mais um objeto da diversão masculina, disputando vaga entre esportes, carros, viagens, negócios e bebidas.

A quantidade de infernos que esse paraíso imagético cria, isso eu não sei.

Link YouTube | O cotidiano do resort.

Fonte: Brainstorm#9.


publicado em 23 de Agosto de 2010, 12:04
Gustavo gitti julho 2015 200

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, colunista da revista Vida Simples, autor do antigo Não2Não1 e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


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