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Uma Fábula para aquecer o Coração

Há muito, muito tempo atrás, o grandioso Rei Arthur vivia feliz e soberano em sua corte, no reinado de Tintagel. Governava com tranqüilidade a sua Inglaterra, junto de seus inseparáveis Cavaleiros da Távola Redonda.

Um belo dia, Rei Arthur resolve sair para caçar sozinho. Embrenha-se por caminhos nunca antes percorridos, e acaba sem querer entrando nas terras de uma famosa bruxa, conhecida por ser especialmente sádica e impiedosa.

Rei Arthur em seu traje de verão, em um dos tradicionais passeios com seus servos

Entretido em sua caça, o rei nem mesmo percebeu quando a bruxa subitamente surgiu às suas costas, envolta em fumaça de enxofre:

- Você invadiu minhas terras! Agora deve pagar com sua vida! - guinchou a horrenda criatura

O rei pôs-se de joelhos imediatamente, tremendo de medo e pedindo clemência por sua vida. Seus súditos não poderiam ficar sem o monarca.

E tanto chorou e insistiu, que a bruxa resolveu poupá-lo. Mas não iria deixar passar aquela grandiosa oportunidade em branco e logo impôs uma condição.

- Dentro de 7 dias, irei ao seu reino, e você se irá se casar comigo. Se não fizer isso, morrerá! - sentenciou a bruxa, que considerou aquele um ótimo momento para desencalhar de vez

Sem opção, o pobre rei aceitou o pedido da bruxa. E retornou ao seu reino. Chegando à sua côrte, o rei contou sua desgraça aos súditos. Todos se penalizaram com o drama do monarca, mas nada podiam fazer. Seu  cruel destino estava traçado. Entretanto...

Havia um cavaleiro da Távola Redonda, o mais nobre dentre eles, chamado Sir Galahad. E não era à toa que o reconheciam como o mais valoroso.

Galahad em momento de descontração, após cortar algumas cabeças e vencer mais um torneio de lanças

- Majestade, ao me tornar cavaleiro, jurei dar a minha vida para protegê-lo, e assim o farei sempre. Ofereço-me para casar com a bruxa no lugar de Vossa Alteza. - bradou Galahad ao escutar o relato de seu monarca.

O rei pensou, pensou, mas na verdade não pensou muito não, e terminou por aceitar a proposta.

Passados os sete dias, a bruxa apareceu no reino cobrando sua dívida. Ouviu a contra-proposta do rei, e como Sir Galahad era um tipão, consentiu com a troca. Ordenou-se então uma enorme festa de noivado.

O que aconteceu durante a celebração foi indescritível. Um show de maus modos da bruxa. Ela impressionou a todos com sua má educação, seu fedor característico, o modo como maltratava os criados e fazia porcarias ininterruptamente. E Sir Galahad, cumprindo sua inglória missão, sempre ali, polido e cortês com sua futura esposa ao lado, apesar dos impropérios que ouvia. Todos se penalizaram com a sina do pobre cavaleiro.

Ao fim da festa, veio a noite de núpcias. Sir Galahad, deitado na cama, aguarda a saída de sua noiva do banheiro, algo parecido com o início de sua agonia ou coisa do tipo. Mas ele teve uma surpresinha.

A porta do banheiro se abre e eis que surge a princesa mais linda, perfumada e maravilhosa já vista. Traços delicadíssimos, um corpo que parecia esculpido à mão, cabelos loiros perfeitamente penteados que balançavam uniformemente à brisa, trajando uma camisola da seda mais macia e suave já vista naqueles tempos. O sonho de qualquer cavaleiro. Um leve e doce sorriso brilhava em seu rosto, em direção ao corajoso servo do rei, que permanecia sem entender aquela situação.

- Mas quem é você? Onde está a bruxa? - indagou Galahad
- Eu sou a bruxa. Quando nova, fui amaldiçoada e desde então passo os dias como bruxa, e as noites como princesa. Ninguém sabe disso. Mas como mesmo com os meus maus modos e minha aparência repugnante, você foi tão gentil comigo, vou lhe dar o direito de escolher. Queres, meu esposo, que eu passe os dias como bruxa e as noites como princesa? Ou os dias como princesa e as noites como bruxa?
Bruxa ou loira sexy medieval, eis o dilema

É, meus caros leitores, hoje em dia não teríamos muito o que pensar, mas àquela época, a ostentação perante a sociedade era algo de valor inestimável. Sir Galahad tinha uma árdua escolha em suas mãos. Poderia ostentar uma bruxa de dia, tornando-se digno de pena da sociedade e por isso discriminado. Enquanto à noite iria gozar dos prazeres da carne com sua doce princesa. Ou poderia ter o mais belo dos troféus, atraindo a inveja de todos, e de noite ser obrigado a encarar o jaburu. Sir Galahad ponderava antes de dar sua sentença.

- Eu quero que você escolha a opção que desejar. - foi a resposta do bravo cavaleiro
- Sempre gentil e cavalheiro. Então, eu escolho ser princesa durante as vinte e quatro horas do dia, para desfrutar deste marido maravilhoso que tenho. - retorquiu a beldade, para o grande alívio e felicidade de nosso sábio Galahad, que pode apreciar a maravilhosa beldade pelo resto de seus dias...
Tá, mas e aí, qual a moral da história?

A grande moral da história é: não importa se a mulher é bonita ou feia. No fundo, no fundo, ela é uma bruxa!


publicado em 22 de Maio de 2007, 11:31
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Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.


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