Correr descalço. Fomos feitos pra isso?

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Os caros tênis de corrida estão matando um dos hobbies mais simples que existem.

Correr não deveria ser apenas um esporte, mas um prazer.

Cátia Caldeira corre descalça a Maratona do Rio/2011 (Foto: Ativo.com)
Cátia Caldeira corre descalça a Maratona do Rio/2011 (Foto: Ativo.com)

Entretanto, só o alto custo dos tênis de corrida já supõe que a corrida seja um esporte especializado que precisa de equipamento caro.

O corpo humano evoluiu para ser capaz de correr longas distâncias sem o uso de calçados. Os tênis de corrida só foram inventados no inicio dos anos oitenta. Antes disso, o mais comum era correr descalço ou com calçados “minimalistas”, como sandálias de couro.

Devido ao amortecimento exagerado dos tênis de corrida e à grande variedade de modelos e direcionamento desses tênis, nossos pés são enfraquecidos e nos tornamos suscetíveis a lesões. Estudos mostram que 30% dos corredores se lesionam todo o ano, grande parte deles com problemas nos pés e nas pernas.

Quando comecei a correr descalço em 2007, a primeira sensação que tive foi do fortalecimento dos tornozelos e dos músculos da sola do pé. Sem o controle de torsão dos tênis, nosso pé é forçado a entrar em um processo de propriocepção, exercendo uma tensão diferente nos tendões e fortalecendo sua base de sustentação. Assim, sua postura é instintivamente ajustada.

“O pé humano é uma obra de arte” Leonardo Da Vinci. (Especialmente o feminino! Foto by www.princesscy.com)
“O pé humano é uma obra de arte,” disse Leonardo Da Vinci. E acrescentamos: especialmente o feminino! Foto by www.princesscy.com.

Segundo estudos, correr descalço gasta quase 5% menos energia do que correr com tênis de corrida, o que é bem fácil de sentir.

Correndo descalço sinto que o ato de correr se torna mais espontâneo, a fadiga comum nos tornozelos desaparece, assim como aquela sensação de “ainda tenho fôlego, mas as pernas estão cansadas”. Essa leve economia de energia costuma ser a diferença entre simplesmente correr e aproveitar a corrida.

Uma pesquisa com 4.358 corredores mostrou que usar tênis topo-de-linha os deixa 123% mais propensos a sofrer lesões do que corredores com tênis baratos. Durante o período de tempo pesquisado, 45% dos corredores se lesionaram e a variável mais comum entre eles não era o tempo de corrida, distância, velocidade ou terreno, nem mesmo seu peso corporal pareceu influenciar. O preço dos tênis era a variável comum entre os lesionados. Corredores com tênis que custavam mais de 95 dólares estavam duas vezes mais propensos a sofrerem lesões do que corredores com tênis que custavam menos que 40 dólares.

Entendendo os benefícios do treino e do fortalecimento dos pés, empresas como a Nike têm até campanhas para tratar o treino descalço como um complemento:

Link YouTube | A Nike quer que você corra descalço. Tá. E o McDonald's quer que você coma salada.

Ao remover os tênis amortecidos, nossa pisada muda e naturalmente passamos a evitar o uso do calcanhar como ponto de contato com o chão, passando a utilizar ou a frente do pé ou uma pisada mais neutra com o meio do pé, diminuindo o impacto no calcanhar. Mesmo em superfícies mais rígidas, a quase total ausência do impacto no calcanhar possibilita que a corrida descalça não seja um problema.

Link YouTube | Vejam em detalhes como seus pés se comportam durante uma corrida descalça.

Para quem tem interesse em começar, é importante ir testando e sentindo a pisada. Em um primeiro momento, correr distâncias curtas ajudar a acostumar os pés às novas superfícies. Bolhas deverão aparecer enquanto o pé se acostuma com o atrito. Tenha cuidado com superfícies que possuem pedras e vidros: esses são os maiores inimigos do corredor descalço.

Para te motivar

Link YouTube | Belíssimo vídeo sobre corrida descalça.

Leitura adicional

Quer colocar isso em prática?

Para quem está cansado de apenas ler, entender e compartilhar sabedorias que não sabemos como praticar, criamos o lugar: um espaço online para pessoas dispostas a fazer o trabalho (diário, paciente e às vezes sujo) da transformação.

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publicado em 26 de Outubro de 2011, 06:40
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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