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Vagões exclusivos para mulheres e deficientes: é ou não uma boa ideia?

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A partir de hoje, o primeiro vagão das linhas de metrô em Brasília será exclusivo para mulheres e deficientes físicos. Desde o princípio isso me deixa confuso e, como todas as decisões similares a essa, sempre acabo me perguntando se não é uma atitude preconceituosa disfarçada de algo bom, assim como alegam os opositores às quotas raciais nas universidades públicas.

Comecei a conversar sobre o assunto com algumas pessoas, principalmente com pessoas engajadas na luta contra o machismo e, de fato, as opiniões se divergiam muito. Encontrei também um texto que dizia que vagões exclusivos parece algo bom, mas não é.

Compreendi com essas conversas e textos que atitudes como essa tiram a responsabilidade dos homens de melhorar sua postura em relação às mulheres. Como se, dando um vagão exclusivo para elas, você estivesse dizendo “se não quer ser abusada, use seu vagão exclusivo”. Também entendi que o maior problema está na postura masculina, achando que tem direito de se esfregar nas mulheres porque o vagão está cheio, e que essa desculpa soa razoável.

Mas consigo ver um outro lado nisso tudo. Dizer que o problema é comportamental, que os homens não deveriam fazer isso com as mulheres, não evita que eles façam. Sei que deve existir um trabalho de conscientização para que os homens parem de abusar das mulheres, mas enquanto isso não acontece, é importante dar-lhes um porto seguro, uma forma de ir e vir do trabalho ou faculdade sem se sentir ameaçada.

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Postei a foto acima no Facebook, dizendo que o país está mudando. Tentei, assim como tento nesse texto, não assumir um lado do assunto. Ainda não sei o quanto estou sendo enganado pela minha falta de percepção. Nos comentários da foto, um amigo, supervisor do metrô do DF contou uma história angustiante, que reforça a necessidade dos vagões exclusivos.

“Rapaz, ouve essa: há uns 6 meses, um camarada sentou no banco atrás de uma mulher de uns 21-22 anos. Meio da tarde, trem relativamente vazio, quando o trem para na estação Feira, ele levanta, goza no cabelo/cara dela e sai correndo do trem, passa pelos empregados do metrô – que não sabiam de nada – e saiu da estação.
Sorte que uma galera que estava no trem saiu correndo logo atrás e pega o cara no estacionamento, deu uma surra nele e entregou pro pessoal da estação.
Isso é só uma das várias histórias que eu, como Supervisor do Metrô, sei que acontecem.
Já ouvi muita gente criticando, reclamando e falando merda sobre o carro exclusivo. Se alguma dessas pessoas tivessem visto a cara de pavor da menina da história, jamais falariam algo contra. E digo, é necessário. Se nos ônibus não podemos fazer isso e as mulheres tem que passar por vários constrangimentos diariamente, pelo menos no Metrô podemos dar a elas um mínimo de conforto e dignidade.
As coisas estão andando a passos de tartaruga, é verdade. Mas pelo menos agora a coisa foi colocada em movimento.”

De um lado temos a necessidade de evitar que mulheres sejam submetidas à situações ultrajantes e humilhantes como essa, do outro temos a subjetividade de impor às mulheres a responsabilidade por sua segurança.

Gostaria de abrir o debate e tentar ajudar pessoas que, como eu, ficam confusas com esse tipo de iniciativa.

Como enxergam essa decisão? Como enxergam formas hábeis de resolver o problema dos abusos? Como podemos mudar essa postura nociva dos homens?

Como percebem todas essas questões?


publicado em 30 de Junho de 2013, 21:00
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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