VEJA, assim não.

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Dia desses estive com a nossa equipe no MashableMeetUp, realizado em São Paulo, onde conversamos sobre conteúdo e seus desdobramentos na era digital. Contribuímos com a palestra "De blog a portal: conteúdo sem frescuras". Palestraram também o Pedro Burgos, talentoso editor-chefe do Gizmodo Brasil, e o Rafael Sbarai, responsável pela complicadíssima tarefa de manter o Twitter da revista Veja.

Estava especialmente curioso para conhecer mais sobre a postura da Veja online. Posso afirmar que foi consenso entre a plateia a maneira profissional e sagaz por meio da qual Sbarai conduz os 470.000 seguidores do perfil da revista.

Desde então, tenho cultivado olhar atento ao conteúdo online produzido por eles. Muita coisa boa, isso é inegável. Mas é foda, o mal-feito tende sempre a ser o maior dos chamarizes.

Pois eis que, um dia antes da votação de segundo turno, encontro por lá um artigo intitulado "O Grande Imitador". Vamos ver.

Começa assim:

"Como se sabe, a forma mais sincera de elogio é a imitação. Uma pesquisa fotográfica mostra que, por esse prisma, Lula é um elogio itinerante ao ditador Fidel Castro."

A equação argumentativa proposta, passo-a-passo:

"Como se sabe": pressuposição generalista pra fazer o leitor embarcar na fala seguinte...

"a forma mais sincera de elogio é a imitação.": segundo a Wikipedia dos caminhoneiros sofistas 2.0, talvez.

"Uma pesquisa fotográfica": na verdade obrigaram algum repórter a encontrar fotos com similaridades maldosas no Google.

"mostra que, por esse prisma, Lula é um elogio itinerante ao ditador Fidel Castro": diante de um argumento sem qualquer sustentação, usar a palavra "prisma" é bacana, soa inteligente. Como se sabe, pessoas inteligentes não cometem sacanagens.

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Link para matéria na íntegra, leiam antes de seguir por aqui.

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As fotos que ilustram a matéria, com legendas da Veja:

Fidel Castro põe um par de óculos escuros em 1999 e Lula também, dez anos depois. Fidel troca de lugar com fotógrafos em 2004. Lula repete a piada em 2009 - Fotomontagem: Robson Fernandjes/AE - Christophe Simon/AFP - Adalberto roque/AFP - Ed Ferreira/AE (Fotomontagem)

Castro antes e Lula depois. Enfatizar a fala com um dos indicadores em riste é natural. Usar os dois requer um modelo, e um certo treino - Fotomontagem: Sipa Press - Mauricio lima/AFP - Adalberto Roque/AFP - Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo

O mandamento corporal de Fidel: diante de um mandatário estrangeiro, aponte-lhe o dedo. As fotos vão mostrá-lo no comando da situação. Castro em 1998 e Lula em 2007- Fotomontagem: Zoraida Diaz/Reuters - Sergio Moraes/Reuters

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Meu primeiro impulso foi escrever um email direto para o autor da matéria. No entanto, ela não está assinada.

Aí a coisa mudou de figura, me senti ofendido por ver publicado um texto tosco como esse de maneira covarde, anônima. Porra, não sou pró-Lula, muito menos anti-Veja. Mas me dá profundo desgosto ver uma publicação de tamanho renome ofender seus leitores dessa maneira. Afinal, se a matéria não está assinada, me resta apenas supor que se trata de uma opinião psicografada pela entidade Veja.

Na sequência, por meio de uma dica de nossa editora Veronica, encontrei essa ótima seleção de montagens feita pela Vanessa Lampert:

Serra, estadistas e a conspiração maligna do... do que mesmo?

Nota: Leio a Veja online, assim como a sigo no Twitter. Votei no FHC e no Serra. Conteúdo aqui não é partidário.

Tão vendo? É tudo farinha do mesmo saco. Serra, Fidel, Stalin, Chávez, Evita, Yasser Arafat, Collor, Diabo, o Dalai Lama, filmes de Hollywood e, claro, o Lula.

Mal posso esperar pela próxima pesquisa da Veja a respeito.


publicado em 01 de Novembro de 2010, 13:11
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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