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Vem olhar na janela, amor!

Porque a gente precisa olhar pra fora, ter horizonte, sentir vento e sol na moleira

Da claridade de manhãs ao laranja se esparramando pela parede no final da tarde. Olhem para as suas janelas. 

"Os olhos, ainda atrapalhados e confusos, vão caçando as nuances do tão tão distante, desenhando as entrelinhas dos prédios lá da frente, contando quantas janelas estão vazias, quantas delas estão servindo de apoio para os cotovelos bambúrrios que, assim como os meus, podem se dar ao luxo da imensidão da cidade, da soberania proletária de se gabar: vai até onde a vista alcança". Quando moleque, minha vista dava para a parede do vizinho, coisa de dois metros, metro e meio. Nos meus sete anos de banco, o prédio que eu ia todo os dias era daqueles estilo pavilhão, sem janelas, só portas de saída de emergência e algumas ventanas no alto dos banheiros.

Janelões, claraboias, tetos solares, varandas, sacadinhas. Sou tarado em qualquer abertura para o mundo que possa me tirar daquele recorte e me colocar onde eu quiser. Um reconforto, acalanto visual dos dias pequenos. Desses rasgos eu vejo a chuva, as antenas, alguns amores do passado e as palavras vão delicadamente se juntando umas às outras formando frases boas de se colocar no papel. Elas me chegam por esses espaços entre qualquer cubículo e o mundão. 

Olhem para as suas janelas.

O olho arde com o clarão e de desejos que vêm lá de fora. "Onde estão vocês, coisas belas?". Transferir a visão da tela do computador para o azul sem nuvens lá do alto ou o vai e vem das coisas lá embaixo é por demais libertador. Eu faço quando eu quero e como eu quero, ninguém manda no que quero reparar. O contraste! Nada melhor do que ter o oposto tão pertinho, tão fácil. Abre a cortina, as persianas, qualquer véu que esteja impedindo essa osmose, esse mestiçamento da realidade! Se está parado demais dentro, veja o movimento lá de fora, da penumbra traz-se o iluminado e vice-versa, é esponja e é escape, sair do que se está vendo e ver outra coisa.

O céu, leitoso (foto: @jaderpires)

O mormaço que entra, a chuva que chega aos borrões de encontro ao vidro, vem verdade, vem silêncio, vem propósitos aos borbotões enchendo essa cabecinha, brota energia, tremelica os braços, coça a boca, enche o peito.

Vida, meu amigo!

Agora me dá licença que eu vou dar um tempinho disso tudo aqui e vou lá na janela ver minha pequena chegar que hoje ela está bonita demais de fita na cabeça.

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publicado em 14 de Agosto de 2015, 00:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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