Você ainda baixa mp3?

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Esse lance de ouvir música mudou muito rápido.

Há menos de dois anos, o melhor jeito ainda era aquela epopeia inaugurada pelo Napster: ouve falar de uma banda, procura na internet, sofre para encontrar, sofre para baixar, sofre para organizar os arquivos na máquina e no player...

Até algum tempo atrás tínhamos redes P2P populares, como KaZaa, eMule e Soulseek, mas boa parte dos usuário dessas redes hoje baixa arquivos via Torrent. Ótimo para baixar coisas maiores, mas bem menos prático para baixar álbuns – e impraticável para baixar músicas avulsas.

E música em mídia física... É um caso à parte. É muito bacana para colecionadores, DJs e alguns nichos bem específicos (que são bem interessantes, pra falar a verdade), mas, dentro do grande público, quem ainda compra?

Pois é. Ninguém.

Rob Gordon
:(

O que muita gente ainda não percebeu é que a tecnologia e o mercado musical finalmente evoluíram em conjunto a ponto de ultrapassar uma barreira importantíssima: chegamos ao ponto em que ouvir música pirata é menos prático.

Ainda não chegamos nesse ponto com filmes, por exemplo (embora serviços como Netflix sejam um bom comeco), mas já passamos dele no que diz respeito a música.

E isso é lindo.

Me diz uma banda. Qualquer banda. Eu tenho

Serviços de música por assinatura trouxeram uma mudança fundamental: antes tínhamos as músicas, agora temos o acesso a elas. A todas elas. Só por isso eu hoje posso falar a frase-título acima quando recebo gente em casa.

Como um usuário desse tipo de serviço, quando eu tenho vontade de conhecer uma banda nova que me indicaram, todo aquele processo que eu descrevi no segundo parágrafo se resume a duas ações:


  • Digitar o nome do que eu quero ouvir

  • PLAY

A principal opção que está disponível no Brasil é o Oi Rdio (pronuncia-se árdio), um serviço americano que foi trazido às nossas terras verdejantes pela Oi, e em alguns aspectos é hoje a melhor opção do mundo. É o que eu sempre recomendo para as pessoas, inclusive para você agora.

Oi Rdio - tela inicial
A tela inicial mostra os álbuns que os seus amigos têm ouvido

Sim, é pago. Mas eu considero absurdamente barato – a assinatura mais cara custa R$ 15 por mês – para um serviço que me disponibiliza um acervo gigantesco, a uma busca de distância, onde quer que eu esteja (sim, funciona no celular e no tablet, mesmo offline), me conecta pela música aos meus amigos e recomenda artistas relacionados aos que eu estou ouvindo.

Em nível mundial, porém, o serviço mais popular de música por assinatura é o Spotify (US$ 12 por mês). É o que eu uso, porque comecei nesse mundo antes do Rdio aparecer com força. Mas, como tantos outros concorrentes, o Spotify não está disponível no Brasil.

Spotify
Mais austero, levemente mais completo, mas um saco para assinar

As duas óbvias vantagens dele em relação ao Rdio são o acervo um pouco – não muito – maior de bandas independentes estrangeiras (para bandas brasileiras, o Rdio é melhor) e, principalmente, o fato de que ele "enxerga" as músicas que você já tem aí no seu computador e deixa você tocá-las junto com as do acervo dele. Essa é a grande feature do Spotify que o Rdio ainda não tem.

A principal dificuldade em assinar o Spotify é encontrar alguém que more nos EUA (ou em algum dos países da Europa onde ele opere) e se disponha a pagar a assinatura com o cartão de crédito emitido naquele país. É assim que eu faço: pago via PayPal para uma amiga nos EUA e ela paga a minha assinatura.

Como isso é muito trabalho, e o Rdio é praticamente tão bom quanto (e melhor em alguns aspectos), é ele que eu recomendo.

Mas e o Grooveshark e as outras opções?

O Grooveshark existe e, é verdade, faz algo um pouco parecido com isso. Mas não aconselho ninguém a usá-lo para nada que não seja uma emergência musical. Justamente por ser gratuito e aberto, ele é um navio no qual a água já está entrando. Por ter recentemente perdido todo o apoio das grandes gravadoras e estar tomando processos bilionários, não é um modelo sustentável. Considero questão de tempo até ele sumir, como tantos outros similares já sumiram. (Alguém lembra do SeeqPod?)

Mas se você realmente não quer pagar para ter acesso cômodo a quase toda música que vai querer ouvir, existem outros lugares gratuitos onde se pode encontrar música – ainda que de formas diferentes e menos abrangentes do que em um serviço como o Rdio.

1. YouTube, o repositório-mestre. Começando pelo óbvio, é curioso pensar que, de certa forma, foi o YouTube que fez as pessoas perceberem que elas podem ter conteúdo de mídia a uma busca de distância. Para achar uma música específica e mostrar para qualquer pessoa, continua sendo o destino principal. Não é e nunca será um serviço dedicado à música, mas vai continuar sendo o único lugar onde você vai continuar conseguindo encontrar qualquer som, mesmo aqueles que não constam nos acervos do Spotify/Rdio.

2. HypeMachine, o varredor. Incontáveis posts são publicados por dia em blogs sobre música, e o Hype Machine varre todos esses lugares, todas essas cavernas remotas de conhecimento musical, disponibilizando tudo para você ouvir em um só lugar. Pela sua própria natureza, ele filtra o que há de mais novo e mais popular em vários gêneros e fontes.

3. La Blogothèque/Música de Bolso, os curadores. Eles vão atrás dos melhores artistas da atualidade para gravar lindas e intimistas sessões em vídeo. Tem muita coisa de arrepiar no Blogothèque, e o Música de Bolso tem uma proposta bem parecida, mas feito no Brasil, com artistas brasileiros. "Música para ver, vídeos para ouvir".

4. Pandora, o indicador. Uma rádio online com algoritmo foda, implementado manualmente, chamado Music Genome Project. Você vai indicando as músicas que gosta e não gosta, e rapidamente o Pandora vai tocando só coisas que sabe que você vai gostar. É hoje talvez a forma mais direta e certeira de descobrir coisas boas novas para ouvir. O problema é que ele é bloqueado no Brasil. Para ouvir, você precisa usar um programa de proxy. Recomendo o TunnelBear, que e simplíssimo de usar e funciona muito bem – você só baixa, instala, clica no ON e ganha acesso, já que o Pandora vai pensar que você está acessando dos EUA.

5. Last.fm, o RG social musical. Destes sites, é o único no qual eu não ouço música. Ele até tem um esquema de rádio online, mas é pago e eu não considero que valha o preço. O que ele faz é se integrar com praticamente todos os outros serviços de música, registrando tudo o que você ouve num perfil pessoal, que vira algo parecido com uma identidade sua em termos de música. De posse dessas informações, ele cruza o seu gosto musical com o de outros usuários, podendo te indicar outros artistas que você não ouviu ainda, mas que são ouvidos por pessoas de gosto musical parecido com o seu.

6. Direto com as bandas. Por mais que o Rdio tenha milhões de músicas nacionais e internacionais no acervo, às vezes você vai querer ouvir algo tão novo ou independente que ainda não foi oferecido. Nessas horas, nada melhor do que ir até às bandas, que muitas vezes disponibilizam as músicas gratuitamente ou vendem a um preço justo e cheio de agrados ao fã que quer pagar.

7. Conhece algum? Comente aqui em baixo, que eu também quero conhecer.

Agora dá licença que eu acabei de receber uma recomendação aqui de uma banda chamada Maybeshewill. Não conheço, mas já tenho aqui quatro álbuns pra ouvir. A vida é boa para quem não precisa baixar mp3.


publicado em 04 de Julho de 2012, 10:27
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Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, respira música, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, idolatra Jack White. Segue sendo um aprendiz de cara legal.\r\n\r\n[Facebook | Twitter]


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