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Vou abrir meu negócio dos sonhos. E agora?

O casal morando em Ilha Bela amanhece junto aos primeiros raios de sol. Jovens, bonitos e conectados ao trabalho por meio de um computador, têm a liberdade bronzeada que povoa os sonhos da geração Y. O pai de família, ex-executivo de sucesso, desperta com o galo para cuidar da horta de sua pequena e charmosa propriedade onde vive hoje. O trio de músicos encontra sua vocação na rua, se apresentando e criando ao vivo, perante um público inesperado.

Três cenas distintas, todas nos fisgam e seduzem. Parecem nos cutucar como um grilo (ou diabinho) falante, "ei, sai daí, vai logo viver o que tem vontade".

Nenhuma delas é ficção, são todas histórias reais captadas na primeira temporada do Continue Curioso, cria da Juliana Mendonça e da Cristiane Schmidt. O CC, apelido carinhoso, é das melhores coisas na web tupiniquim atualmente.

O Continue Curioso faz jus a nosso tempo. Seus primeiros episódios são poéticos e inspiradores em uma medida tão gostosa que fica difícil colocar em palavras, logo fiquei fã.

RAMO: uma jornada sincera sobre uma nova empresa

Sob esse espirituoso mote, a segunda temporada me fisgou ainda mais pela coragem.

Deixaram de lado a estética das narrativas curtas e inspiradoras – que atrai audiência como mel a abelhas – para mergulhar fundo, fundo mesmo, no percurso de duas pessoas que resolveram segurar o boi pelo chifre. Vou te dizer, aprecio projetos que dão valor ao trabalho sujo, aquele nada glamuroso, que passa longe das matérias de capa em revistas.

Os empresários do Mandíbula: Bandin e x
Os empresários do Mandíbula: Bruno e André

Bruno e André largaram seus empregos para correr atrás do sonho de se tornar uma daquelas histórias dos primeiros vídeos do Continue Curioso. A proposta da dupla era abrir um café-bar-loja-de-vinis, "um lugar que a gente gostaria de frequentar em São Paulo", nas palavras deles.

Mais do que isso, não aguentavam mais se sentirem aprisionados a trabalhos nos quais não viam sentido. Estavam, deduzo pelo que assisti ao longo da série, no ponto em que bate um cansaço diferente. Não é o cansacinho que botamos pra fora no desabafo de sexta à noite. Me parece mais um outro tipo, daquele não nos deixa muita saída: ou olhamos pra ele de frente e chacoalhamos tudo em volta ou seguimos com ele nas costas e lidamos com a consequência dessa escolha segura pro resto da vida. Falo com conhecimento de causa.

No caso dos dois, os planetas se alinharam. Junte a amizade, o timing, a grana e a confiança profissional mútua num caldeirão: essa receita tende a parir sociedades. Só não dá pra saber se boas, já que trabalhar junto é das tarefas mais árduas e imprevisíveis de que se tem notícia – dividindo o pódio com ter filho e se casar.

Essa semana o Mandíbula, café-bar-loja-de-vinis sonho dos dois, foi inaugurado:

É com muito orgulho (e um certo cagaço) que declaramos aberto o Mandíbula. Compartilhe, chame os amigos de índole duvidosa e venha tomar com a gente. Estamos abertos do meio-dia à meia-noite de segunda a sábado. A inauguração oficial vai rolar nas próximas semanas. Por enquanto, é tudo teste: horário, drinks, cardápio e tudo mais. Venha com calma. Aquele abraço.

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Tem 1h15 e anda pensando em abrir o seu negócios dos sonhos?

Perfeito. Pega uma pipoca, coloca em tela cheia e assiste os noves episódios em sequência. E assina o canal, aposto meu mindinho que vem coisa boa na próxima temporada.

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Encerro com parabéns a Ju e a Cris pela série e ao Bruno e André pela resiliência, que o Mandíbula seja um sucesso!


publicado em 20 de Maio de 2014, 19:36
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Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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