Como ser corno em 5 passos

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Um dos eventos que mais perturbam a mente masculina é a traição. Sofremos só de imaginar. Fingimos que nossa mulher não é disso, acompanhamos casos ao nosso redor (e muitas vezes nós mesmos ficamos com outras), mas "corno" não é um adjetivo aceitável para nós. Quando, de fato, acontece, o sofrimento passa da mente para o pulmão, para o trabalho, para a geladeira, para a vida inteira.

Vamos agora analisar se existem algumas atitudes que aumentam as chances, que abrem espaço para que sua mulher se relacione com outros caras. Um passo a passo para você ser corno.

Se sua mulher te trair, vai ser com outra mulher. E na sua frente. E te chamando pra participar. Certo?

1. Leve-se a sério

Todos nós sabemos, lá no fundo, que somos muito frágeis. Porém, para alguns, nada é tão intolerável quanto a ideia de ter estas falhas expostas de maneira crua ou debochada. Chamem de vaidade, orgulho, narcisismo, inveja ou insegurança, mas aqueles que se sentem mais desconfortáveis são alvos mais fáceis e sucumbem retumbantemente quando são traídos.

É muito simples de perceber. Faça uma piada a aparência do sujeito e observe como ele não ri. Diga que algo que ele gosta muito é ruim e ele tentará, com todas as forças, convencê-lo do contrário. Critique alguma ação ou ideia e ele interpretará como uma ofensa a si próprio.

O primeiro grande apego deste homem é o apego às suas identidades e à auto-imagem de perfeição. Seus termos favoritos são auto-preservação, auto-estima, segurança e outras desculpas para viver fechado em si mesmo, equilibrando pratos numa tentativa de manter este estado de auto-engano. É importante notar que a força de um homem não é medida só pela sua ferocidade, acidez ou força física, mas também pela naturalidade com que caminha por meio daquilo que o aflige. Se for um apelido constrangedor, ótimo. Se for a morte, melhor ainda.

2. Aja com o único intuito de agradar à sua mulher

Pode parecer lógico que a melhor forma de manter um relacionamento é atender a todas as necessidades do outro. Pode parecer que nunca nos fartamos de ouvir elogios e de ser paparicados. Pode parecer que uma relação é constantemente construída por meio do agrado e do apego. A verdade, porém, é outra.

Você está atolado em dívidas e precisa trabalhar mais tempo para conseguir mais dinheiro. Ela reclama da sua ausência. Você, então, decide dedicar mais tempo a ela, mesmo estando numa situação difícil. Ao final do mês, ela reclama novamente, pois as dívidas continuam acumulando-se e alega que você é incapaz de controlar seu orçamento. Então, você segue novamente o impulso de tentar agradá-la, formando assim um ciclo vicioso onde nenhum dos dois fica satisfeito. Você fica sem energia, cansado desse eterno esforço e ela fica desacreditada, por algum motivo que não consegue esclarecer.

O importante, aqui, não é agradar ou deixar de agradar, mas agir com consciência, sabedoria, visão ampla, independente de quanto isso pode magoar ou decepcionar as expectativas de sua parceira. Às vezes, o mais importante não é salvar uma relação, mas manter o foco e o direcionamento para gerar o máximo de benefício para os dois, mesmo que isso cause algum sofrimento momentâneo. Talvez ela até lhe agradeça no futuro. Talvez não.

O Ministério de Prevenção de Suicídios adverte: nunca deixe um corno sozinho em casa.

3. Reprima sua mulher

Uma mulher é um universo a ser explorado. Um oceano que simplesmente não pode ser contido. Reprima as manifestações de feminilidade da sua mulher e observe-a fugir ao seu controle como água represada. É impossível mantê-la aprisionada e, ao mesmo, ter o esplendor de sua beleza manifestada ao máximo.

Assim como é importante manter a própria liberdade e direcionamento, é importante permitir que sua mulher manifeste livremente sua própria feminilidade.

Tentar controlar a maneira como sua mulher age ou se mostra não é diferente de controlar os demais mecanismos da vida e, da mesma maneira, muitas vezes se mostra infrutífero e cansativo. A medida pela qual você a controla é a mesma pela qual ela escapa entre seus dedos.

Claro, é importante manter um certo nível de administração dos fenômenos ao seu redor. O que é verdadeiramente prejudicial é tornar-se dependente deste processo e perder a liberdade e criatividade quando for pego de surpresa. Vale ressaltar que a atividade preferida da vida é surpreendê-lo nos exatos pontos onde você tem mais certezas.

Muito mais importante do que controlar e reprimir – esforço que só gera tensão e sofrimento – é conduzir. Você não precisa forçar ninguém a nada, apenas mostrar o caminho.

Lembre-se sempre que todos os seres vivos estão tentando trepar com sua mulher

4. Reclame da vida e das pessoas

Reclamar da vida é o mesmo que chorar pra mamãe pedindo biscoito recheado no supermercado. Além disso, é um ato que evidencia nossos próprios defeitos, tornando nossa presença desagradável. Quando você abre a boca para reclamar de maneira improdutiva (sem a motivação de verdadeiramente mudar algo de maneira positiva), estampa em sua testa um certificado de menino mimado.

Às vezes é difícil imaginar, mas muitas pessoas se perdem em meio ao impulso de reclamar. Dificilmente reconhecem qualidades nos outros, raramente enxergam ações como esforços válidos (mesmo que às vezes equivocados) e, paradoxalmente, costumam ser aquelas que menos agem, seja em direção a assuntos relativos ao seu próprio relacionamento ou em questões da vida em geral.

Quem nunca viu um amigo ser repetidamente traído e perder toda sua energia em meio a lamentações, reclamando do quanto a vida é injusta?

5. Nunca pense em seu futuro sem ela

Tudo na vida, absolutamente todas as tarefas às quais nos dedicamos, abre pelo menos duas possibilidades: pode dar certo ou errado. Simultaneamente, todas as experiências, vitórias e prazeres oscilam. Se pode ocorrer um terremoto e desestabilizar toda uma sociedade, sem mais nem menos, então qual não será a fragilidade de um relacionamento?

Quando estamos em um relacionamento, é muito fácil nos pegarmos usando a expressão "minha mulher" sem constrangimento algum. Eu mesmo acabei fazendo isso várias vezes neste texto. Isso é reflexo de uma ilusão, a de que nos tornamos, de alguma forma, proprietários do outro. É importante frisar: sua mulher nunca foi e nunca será sua.

Quem fecha os olhos a isso está pedindo para sofrer. Quem não se lembra dessa liberdade com alguma lucidez sujeita-se ao constante medo. A este medo podemos facilmente dar outros nomes: carência e apego. E, se existe algo pelo que as mulheres têm um faro perfeitamente apurado é carência e apego. E isso fede ao olfato delas.

Recado das mulheres para nossa carência

Como não ser corno: ignore todos os passos anteriores

O que chamamos de traição não é outra coisa senão o surgimento de uma relação além daquela já existente entre duas determinadas pessoas. Poderia ter ocorrido depois, ocorreu agora. O engano é achar que realmente temos alguma participação significativa nesse processo.

Quando você tem medo de ser traído, as medidas que toma para se proteger acabam sendo o gatilho da merda. Você começa levando-se excessivamente a sério, acha que não pode ser desrespeitado por uma traição, reprime sua mulher, esquece da própria liberdade e gera todo tipo de sofrimento e confusão.

De fato, por mais que sua mulher diga que o traiu por causa dos seus bloqueios, por ciúmes, vingança ou qualquer outra coisa relativa a você ou à sua conduta, a verdade é só uma: ela o fez porque podia e queria. É exatamente a mesma liberdade que permitiu que ela começasse um relacionamento com você. Liberdade essa que nunca deixa de existir. Liberdade mesma que causa felicidade ou sofrimento.

Se você seguir a versão negativa dos passos acima, tentando evitar uma traição, com certeza vai falhar. Não existe garantia alguma de que estes "conselhos" deem certo ou impeçam de alguma maneira que sua mulher olhe ou deseje um outro homem. Não é sensato tomar medidas preventivas, ficar pisando em ovos, seguir manuais ou dicas.

No entanto, esse texto usa o medo de traição para indicar caminhos para melhorar a qualidade da relação.

Com ou sem relação paralela, no fim, é isso o que importa.


publicado em 12 de Maio de 2011, 10:53
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Luciano Ribeiro

Editor do PapodeHomem, ex-designer de produtos, ex-vocalista da banda Tranze. Tem um amor não correspondido pela ilustração, fotografia e música. Volta e meia grava músicas pelo Na Casa de Ana. Está no Twitter, Facebook e Google+.

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