Crise dos 30

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Descobri que para chegar aos 30 é inevitável sofrer uma pressão maior que os preparativos para o vestibular. Estou a alguns meses de cruzar a estrada sem volta (como diria mamãe) e já sinto todo o peso e responsabilidade da mudança de idade.

Tentar racionalizar nesta fase pode parecer fácil, afinal completar 30 anos também é sinal de maturidade, independência ou como preferem definir meus amigos: é a época em que tudo é possível e, principalmente, quando você se torna o dono do mundo. Embora eu achasse que tinha vivido esta fase durante a adolescência.

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Precisava ter colocado 30 porcarias de velinhas no bolo?

Com tantos argumentos contras e favoráveis fui a campo pesquisar o que esperar dos 30 anos. Confesso que voltei para casa mais assustado que antes. Talvez mamãe não tenha tanta razão e meus amigos estariam próximos da realidade, mas com uma visão um pouco distorcida.

Durante meu rápido laboratório, de dois finais de semana, descobri que chegar aos 30 é um retrocesso para a adolescência. Observei em meus amigos, e outros que já ultrapassaram a linha de chegada, claras demonstrações, como o fato de se sentirem realizados, satisfeitos com a sua verdadeira "maioridade". Mas, ao mesmo tempo, observo que a maioria tem atitudes muito mais infantis que anteriormente.

Percebi que para ter ou ser bem aceito nos grupos dos balzaquianos é preciso freqüentar bares, boates e tantas várias outras festas, onde o público é, em sua maioria, integrante da geração “dente-de-leite”, ou seja, que não ultrapassaram os 24, mas tem prestígio social e financeiro como nós, homens de trinta.

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Adoro uma boatinha

Fiquei pensando se é apenas passageiro ou se realmente a geração dente-de-leite está tomando o poder. No lado da paquera eles levam a melhor. Hoje, não são somente os homens que buscam uma companhia mais jovem. Algumas mulheres também apostam na juventude como uma forma de retardarem o envelhecimento, ou quem sabe, acreditam que mesmo com 30, namorando um cara mais jovem, vão conseguir enganar o tempo.

Seremos todos vampiros de meia-idade ao chegar aos 30?

Me peguei questionando certas coisas. Será somente isso que resta ao chegar aos trinta? Aparentar que tem maturidade, independência, mas precisar buscar na geração dente-de-leite uma vida que já passou, aventuras e atitudes irresponsáveis que são típicas da idade?

Voltei para casa sem respostas. A inquietação sobre o que serei quando chegar à casa dos trinta ainda persiste. Talvez, até eu mesmo desenvolva essa síndrome de Peter Pan e passe a rejeitar o título de balzaquiano, tinja os cabelos para esconder os fios brancos, sofra com a ascensão da classe dente-de-leite, tanto nos lugares de diversão, como no ambiente profissional.

Mas, por ora, me dei conta que devo aproveitar meus 29 e meio, quando ainda tenho o direito de ter todas as dúvidas e não ter nenhuma resposta para elas. Afinal, mesmo com toda pressão, eu ainda não cheguei lá.


publicado em 10 de Julho de 2008, 09:20
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Sergio Salustiano

Sérgio Salustiano é jornalista, carioca, viciado em tecnologia, música, praia, noite e coca-cola, não necessariamente nesta ordem. Nas horas livres é estudante, quase jubilado, de matemática.

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