Pornografia no Japão

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Nota do editor: as imagens menos condizentes com o que os brasileiros consideram "estranho" estão linkados no decorrer do artigo. As ilustrações que adornam esse texto são, na verdade, arte erótica antiga japonesa, que servem mais como referência do que como instrumentos para elucidar a indústria pornográfica no Japão.

Todos sabem que Japão é o país de mecha, tentáculos, Internet rápida e vending machines. E, claro, a pornografia consegue juntar tudo isso em um só.

Apesar de, no Japão, ser censurada (desde 1907) qualquer exibição de órgãos sexuais (não, cu não é orgão sexual, pelo menos não pra eles) em imagens e vídeos. Todos os filmes produzidos e distribuídos por lá sofrem de censura, mas alguns distribuídos pela Internet não são censurados, pois tecnicamente não são para o mercado japonês.

JAV

A indústria pornográfica lá é imensa. Quão imensa? Bem, aqui vão alguns dados sobre a industria de (Japan Adult Video):


  • Vídeos pornôs geram em torno de 400bi de Yenes ao ano;

  • Estimam que em torno de 1 a cada 200 japonesas já fizeram filme pornô;

  • É lançado em torno de 20 mil vídeos por ano.

A criatividade (pra não dizer bizarrice) da indústria é enorme. Lá você encontra filmes de bukakke, garotas ejaculando em paraquedas, comendo insetos, musculosas, transando com mendigos ou africanos, de cu peludo, 3 peitos ou real dolls com aparência de uma menina do primário.

Mesmo gerando tanto dinheiro, nem todas as atrizes se dão bem. Muitas delas recebem salário em torno de 150 mil yenes, o que está na média nacional. Algumas que são mais famosas como Maria Ozawa e Sora Aoi fazem, além de filmes adultos, cinema convencional. Isso é interessante porque, no Brasil, geralmente as atrizes em final de carreira saem da indústria comum e "despencam" pro pornô. No Japão, são as atrizes pornôs que ficam famosas e fazem filmes, novelas ou seriados.

Categorias de filmes

Bukkake: é um gênero que onde homens ejaculam no rosto de uma mulher. Diferente do termo americano “facial”, o bukkake é sempre em grupo.  Esse gênero de tornou popular em meados dos anos 80, pelo diretor Kazuhiko Matsumoto. Se tornou muito popular, pois com a censura, os filmes são focados em outras partes do corpo das mulhres.

Gokkun: parecido com o bukkake, Gokkun se refere ao ato de tomar esperma. É basicamente o mesmo, mas ao invés de ejacularem na mulher, eles ejaculam em um recipiente e a mulher bebe.

Kinbaku: semelhante ao “bondage” no ocidente, o kinbaku vem de Hojojutsu, literalmente “arte de amarra”, que era usado para amarrar prisioneiros. O kinbaku tem vários padrões de amarras, modos de suspensão e nós.

Tamakeri: é o “chute nas bolas”. É uma gênero sado-maso em que mulheres chutam, pisam ou apertam os órgãos masculinos.

Futanari: esse é o termo usado para definir personagens com os dois sexos. Mas diferente do ocidente, onde normalmente são transexuais (homens que com aparência feminina), nesse caso são mulheres que também tem pênis. Muito popular em hentais (pornografia com desenhos, os "mangá pornô"), alguns produtores conseguem explorar isso melhor por conta da censura. Onde se aproveitam do mosaico e usam pênis de borracha nas atrizes, como no Futanari Village.

Lotion Play: como no Japão  a prostituição é proíbida, existem muitas casas de massagem erótica. O que acabou popularizando esse tipo de filme em que garotas usam muita loção para massagem.

Pink Film: Pink Eiga é a versão Emmanuelle do Japão. O gênero de tornou popular na década de 60 e até hoje é lançados filmes nesse estilo. É muito comum contratarem atrizes pornôs para fazerem esses filmes. Alguns deles conseguiram certo sucesso no ocidente, como o Killer Pussy.

As polêmicas japonesas

No Japão, além da indústria de filmes pornôs, ainda existem as “Idols”. São garotas bonitas que fazem ensaios sensuais para revistas ou até mesmo filmes onde desfilam de biquini. É muito comum que garotas menores de idade façam esses ensaios, são as chamads Junior Idols.

Algumas até ganham certa fama como a Shinozaki Ai (fez seu primeiro ensaio com 14 anos) e Sakura Aida (que depois dos 18 estreou na industria pornográfica). Mas além das Junior Idols, existe o gênero U-15 Idols. Que são garotas menores de 15 anos.

Mas isso não é pedofilia?

Bom, tecnicamente não. Essas garotas elas não posam nuas, apenas com roupas de banho/lingerie e em poses sensuais.

Em 1999, o Japão decretou uma lei contra pornografia e prostituição infantil, revista em 2004. Mas a lei ainda tem suas brechas, que é onde a indústria atua.

Em 2007, a Amazon retirou 600 titulos de Junior Idols de seu catálogo. E já houve um caso (entre vários) de um americano que comprou mangás estilo "lolicon" e pegou 20 anos de cadeia, nos Estados Unidos.

Seriam os japoneses "bem estranhos" quando pensam em sexo?

Há esse eterno choque de cultural entre ocidente e oriente, mas, se pararmos pra pensar melhor, somos mais parecidos com eles do que imaginamos.

Estamos num país onde o Big Brother ainda está no ar, com mais de uma década de "espiadas" em bundas, trocas de roupa, mulheres bêbadas fazendo o que não fariam, não deviam, não queriam. Esse voyerismo é tão insano quanto as taras japonesas, ams disfarçado pelo entretenimento.

Antes disso, ainda molecão, eu assistia a Banheira do Gugu e meus pais não viam problema em ver aquela putaria desvairada em que homens curravam a mocinha de biquini atrás de "sabonetes". Anos depois do final do quadro, muitas participantes reclamaram de assédio, de enfiadas de mão dentro do biquini. Tudo isso em rede nacional.

Lá ou cá, todo mundo só pensa em sexo e procura, todos os dias, disfarçar suas taras para que possam ser menos recriminadas.

Estamos no mundo pra isso, não?


publicado em 17 de Janeiro de 2013, 08:00
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Daniel Oshiro

Mochileiro, maloqueiro, ga-ga-ga-gago.

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