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As nerds também amam

Tenho uma amiga, a Ju. Ela é super bonita e estilosa. Se veste muito bem e nunca tem um fio de cabelo fora do lugar. Quando ela crescer, vai ser jornalista de moda. Você vê aquele mulherão andando pra cima e pra baixo, linda de morrer e pensa, qual o defeito dela?

Aí você resolve reparar na bolsa dela. Tem um botton do Darth Vader, um do Batman, um da Hermione e outro do Kenshin Himura. É muita nerdice de uma vez só para ser apenas coincidência. Vai ver ela é mais uma patricinha meio burra e achou os bottons bonitinhos e resolveu colocar lá. Ou vai ver ela é nerd mesmo.

Além do estereótipo

Mas como assim nerd? Ela não tem problemas de peso, não tem o rosto coberto de espinhas, não usa óculos fundo de garrafa e a última vez que ela usou um macacão foi na terceira série. Você nunca a viu dizendo "Oi" com os dedinhos em V como em Star Trek, e nunca a viu se despedindo de ninguém com um "Que a Força esteja com você".

E, ainda assim, se você solta alguma palavra mágica do tipo "Wingardium Leviosa", ela arregala os olhinhos, contente, quase dá uns pulinhos e começa uma conversa animada sobre como o amor de Ron e Hermione nasceu ali, naquela parte do livro.

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Para quem, como o editor, não sabia, é isso o que faz a magia "Wingardium Leviosa"

Pois é, santinhos, vocês precisam entender que conhecimentos avançados de Warcraft III e Age of Empires II não é só coisa de macho. Se bobear, aquela gatinha do seu lado na boate não só sabe dançar todas da Britney Spears, mas sabe que o especial do Wolverine é dois-pro-lado-bola-quadrado-triângulo. E se você chamar pra briga no videogame, ela vai ganhar e vai dizer que gostava mais do Ryu da versão antiga de Street Fighter.

O que faz a namorada nerd

Mas o negócio é o seguinte: homem geralmente acha péssimo perder, e não vai gostar de saber que a peguete sabe até a cor da tinta do cabelo do Harrison Ford em Star Wars. Então o que nós, meninas nerds fazemos? Escondemos.

Só depois de três meses de namoro e alguns "Eu te amo" convictos vindos do rapaz é que ela resolve jogar seu grande defeito para jogo: comenta que amou a nova adaptação de Star Trek, mas que o Kirk ficou bonitinho demais perto do anterior.

O rapaz passa a mão no cabelo dela, a olha paternalmente e começa a responder pacientemente que o objetivo do filme é mostrá-los mais novos e que Hollywood é assim mesmo, escolhem só os bonitos para papeis principais, quando ele acha o erro na frase: "Como assim 'O Kirk do filme anterior'? Como minha namorada poderia saber disso?".

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Você sabe programar nessa linguagem?

Depois que a ficha cai, dias e dias de frieza. Ele a olha como se a qualquer momento ela fosse abrir a boca e de dentro dela saísse um ET, deixando seu belo corpinho como se fosse uma capa flácida de proteção.

Daí para frente podem acontecer duas coisas: ele pode jogar os braços para o alto e sair correndo, com medo da namorada nerd. Porque é óbvio que uma menina bonita, legal e que entende tudo de Senhor dos Anéis não pode existir, é uma aberração da natureza. Ou ele pode usar o cérebro para perceber como é genial ter uma abordagem feminina da vida, o universo e tudo mais.

Meus queridos, as nerds também amam. Amam, namoram, jogam vôlei. Usam salto alto, minissaia, maquiagem. Não dispensam uma comédia romântica, mas preferem muito mais assistir ao novo do Homem Aranha. E cá entre nós, vocês também. Aproveitem.


publicado em 11 de Agosto de 2009, 12:14
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Clara Campoli

Clara Campoli estuda Jornalismo na UnB. Gosta de cinema, Beatles e (adivinha só) Star Wars, Age of Empires II, Harry Potter e Douglas Adams, entre outras coisas nerds. Escreve para o Baba de Moça e tem um blog de cinema, o Matinê.


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