Até Fidel mandou fazer um charuto para esse cara!

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A única certeza que temos é a morte. Logo, a verdade é que a vida é um breve período de tempo que dispomos para escrever nosso nome nas páginas da história. Em outras palavras, se deixarmos para fazer a diferença amanhã, não vai dar tempo.

Enquanto alguns de nós utilizam esse tempo com frivolidades, todos conhecemos nomes que se destacaram como militares, artistas, historiadores, escritores, economistas, políticos, estadistas, etc. Imaginem um cara que além de ser isso tudo ao mesmo tempo, ainda é o autor de algumas das mais cérebres frases contemporâneas, foi reitor universitário, diplomata, herói e estadista!

Some-se a isso o fato de que assim como nós do PdH, nunca abriu mão do seu Scotch, seu charuto e seus expressos madrugada adentro. Meus caros, hoje vim escrever sobre o maior saco roxo de quem já ouvi falar.

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Esse deu trabalho

Sir Winston Leonard Spencer Churchill era da turma do fundão, badboy de primeira. Independente e rebelde por natureza desde que nasceu, nunca foi um bom aluno na escola e fora punido diversas vezes. Parou numa escola militar para tomar jeito e destacou-se em inglês e história, além de tornar-se campeão de esgrima.

Seu pai morreu logo em seguida e devido ao pouco contato com o resto de sua família, Churchill chegou à conclusão que também morreria cedo. Portanto, ele decidiu que precisava ser rápido em deixar seu legado para o mundo. Resolveu ingressar na prestigiada Royal Military Academy, mas foi reprovado no exame por três vezes.

Determinado, prestou prova para a cavalaria, ao invés da infantaria, já que o número de candidatos por vaga era um pouco menor. Quando aprovado, Churchill foi informado que teria de estudar matemática, requisito disciplinar na cavalaria e matéria que Winston odiava. O cara não imaginava que no futuro usaria aquele conhecimento para reger algumas das mais brilhantes regras de comércio internacional já elaboradas.

Se Winston Churchill fosse vivo, ele assinaria o feed do PdH. Era macho e Bon Vivant como nós. Queria aproveitar os caros prazeres da vida tais como bons charutos e Whiskies. Entretanto, o salário do recém formado segundo tenente do 4º Regimento de Cavalaria da Rainha não era suficiente para financiar seus hobbies. Ele precisava descobrir como ganhar mais dinheiro no exército.

Winston conseguiu ser enviado para diversos campos de batalha, onde receberia bonificações diversas por conta da situação de combate. Contudo, o que ganhava ainda não era suficiente e Churchill tornou-se também correspondente de guerra.

Com talento natural para a escrita, os trabalhos de Winston logo tomaram notoriedade e em pouco tempo ele escrevia livros sobre cada uma das campanhas em que participava como Cuba, Índia, Malakand, Sudão, África do Sul e no front oeste da 1ª Guerra Mundial.

No Sudão Churchill participou do que chamou "a última importante carga de cavalaria do exército britânico". É como ser um dos lanceiros poloneses que atacaram os panzers de Hitler, ou um dos brasileiros sob o comando do General Osório que cavalgaram contra as linhas paraguaias.

Não preciso mencionar que ler artigos nos jornais, escritos não somente por quem assistiu, mas por quem empunhou uma lança nessa grande batalha, tornou Winston um homem muito famoso. Escrever atrai mulheres e paga a garrafa de Blue.

Jack Bauer o %@*%$#*!

Aproveitando a fama, candidatou-se ao parlamento pelo partido conservador, mas foi derrotado. Prosseguindo com sua carreira militar, foi novamente a campo na África do Sul onde fora capturado pelo exército inimigo. Churchill ficou famoso nesse episódio por grande bravura e coragem diante dos algozes até o dia em que conseguiu fugir.

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Jack, Chuck, Bruce, todos frutas!

Após caminhar 480 Km durante a fuga, Winston tornou-se uma espécie de herói nacional. É quase como se Arnaldo Jabor fosse um homem valente.

Após esse traumático evento, ele poderia ter voltado para a Inglaterra, mas preferiu se reagrupar com seu regimento. Por um momento, deixou a caneta de lado e, ao invés de escrever, comandou a unidade de cavalaria que atacou os Pretorianos na África do Sul modificando o destino daquela guerra. Dessa vez, ao candidatar-se pela segunda vez ao parlamento, esse homem teve seu valor reconhecido e assim foi finalmente eleito.

Entre 1900 e 1939 Churchill se mostrou um voraz político enfrentando aristocratas e antigos figurões para colecionar cargos importantes e lutar pelos direitos das classes mais baixas. Nesse período ele criou reformas trabalhistas e tributárias que ainda são modelos para governos neo-liberalistas nos dias de hoje. Também investiu na reforma das forças armadas e na criação da aviação naval, quando foi por um curto período piloto de caças da marinha.

Logo após, ele financiou o primeiro projeto de um tanque blindado e participou da criação do primeiro regimento de cavalaria blindada da história. Embora, nos dias de hoje a cavalaria militar consista basicamente em veículos blindados, na época ninguém acreditou que aquela seria uma boa idéia.

Diante de algumas derrotas políticas Churchill sentiu que sua energia não estava sendo corretamente empregada. Ele queria fazer a diferença. Pediu demissão, adiando sua carreira política para o futuro, e decidiu participar da 1ª Guerra Mundial.

Churchill fora designado comandante do 6º batalhão de Royal Scots Fusiliers, grupo que nem sempre atuava no último front de batalha. Winston demonstrou realmente ter saco roxo ao pedir transferência para as trincheiras, frente a frente com o inimigo.

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Até Fidel pagava pau

A desculpa que usou foi a melhor possível: ele estava integrando o grupo de Grenadier Guards que ao invés de beberem álcool, preferiam leite condensado e chá. Nas trincheiras os soldados eram autorizados a consumir bebidas alcoólicas. Logo, lá no front, talvez Winston pudesse achar um Scotch para beber.

Guerra, Scotch e Política

Churchill voltou brevemente para a política, escreveu alguns artigos e até mesmo um livro com teorias sobre economia. Ao tentar aplicar algumas de suas propostas foi rechaçado e acabou afastando-se da política por mais um tempo. Nesse período de exílio escreveu um dos livros que, tempo depois, o ajudariam a ganhar um Prêmio Nobel de Literatura.

Nos anos 30, ele começou a se preocupar com o rearmamento da Alemanha e pregava o reaparalhamento das Forças Armadas Britânicas, mas não foi ouvido.

Quando a 2ª Guerra Mundial explodiu, o governo trouxe o ex-militar de volta como Primeiro Lorde do Almirantado e mais tarde Ministro da Guerra. Conta-se que a armada britânica enviou um sinal aos seus navios informando "Winston voltou".

As mais sábias recomendações de Churchill não foram ouvidas e isso permitiu um grande avanço das tropas alemãs. O Primeiro Ministro inglês renunciou e Churchill foi nomeado pelo rei ao mais alto cargo político do Império Britânico.

Enquanto todos os setores políticos eram a favor de um armistício com a imponente Alemanha nazista, Winston usou sua habilidade com as palavras para inflamar o orgulho britânico contra Hitler, mostrando-se um dos maiores oradores de todos os tempos. Discursando na Casa dos Comuns, ele previu o início da famosa Battle of Britain.

Trecho do discurso:

"devemos lutar na França, devemos lutar nos mares e oceanos, devemos lutar nos ares com força e confiança crescente, devemos defender nossa terra, custe o que custar, devemos lutar nas praias, devemos lutar nas pistas de pouso, devemos lutar nos campos e nas ruas, devemos lutar nas montanhas; jamais devemos nos render."

Para ajudar na construção da principal defesa de Londres, os Spitfires com motores Merlin (isso por si só merece outro artigo no futuro), Churchill chamou um amigo pessoal e mobilizou sozinho toda a indústria britânica em um grande esforço de guerra. Diante da primeira vitória de poucos Spitfires Merlin contra muitos caças Messerschmitts, Winston, em outro discurso, pronunciou outro de seus famosos trechos:

"Esse não é o fim. Não é nem sequer o começo do fim. Mas é, talvez, o fim do começo."

Churchill também criou um comitê de operações especiais responsável pela criação de unidades paramilitares, não regulares, dentre as quais se incluem os famosos Partisans. Até então poucos países atreveram-se a utilizar essas tropas não convencionais uma vez que essa era considerada uma estratégia militar desonrada.

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Partisans soviéticos em ação na floresta

Ao lado dos EUA na guerra da secessão e Brasil na expulsão dos holandeses, a Inglaterra passou a fazer parte do seleto grupo pioneiro no incentivo da criação de unidades de Comandos e Forças Especiais. Essa iniciativa mostrava que Winston estava determinado a vencer à qualquer custo. Por isso, recebeu o apelido concedido pelos russos de Buldogue Britânico.

Com o apoio decisivo dos EUA, o Eixo foi derrotado. Churchill discursou para o povo e bradou:

"Essa é a sua vitória".

O povo bradou de volta: "Não, é sua".

Em 1945 Winston, recandidatando-se a Primeiro Ministro, foi derrotado. O povo dizia que era um grande estadista em guerra, mas uma incerteza em tempos de paz. Respeitando a democracia conquistada ao custo de milhões de vidas humanas, o herói britânico pegou sua cartola e retirou-se da política.

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Pintar também é testosterona

Em 1951 Churchill foi eleito Primeiro Ministro novamente, mas em 53 sofreu um ataque cardíaco muito forte que comprometeu sua habilidade de fala e mesmo a de caminhar. Em 55 ele se afastou do governo devido sua incapacidade física, mas pintou quadros geniais motivados pelo "Cão Negro".

Esse era o nome de sua depressão que tanto inspirava seu triste dom artístico. Winston viveu com muitos problemas de saúde até 1965 quando finalmente morreu, vítima de outro ataque cardíaco.

Churchill era realmente um cara com algo a mais. Em um discurso quando reitor da Universade de Edimburgo ele disse outra de suas frases que gosto muito:

"O que um homem pode fazer, o outro também pode."

Depois de ler isso espero que você continue confortável e inerte na sua cadeira, traçando seu seguro plano de carreira, planejando sua calma e tranquila aposentadoria e reclamando das mazelas do Brasil.


publicado em 23 de Junho de 2008, 14:49
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Rodrigo Almeida

Engenheiro, apaixonado pela vida e por qualquer coisa com um motor potente, nostálgico entusiasta de muitas daquelas boas coisas que já não mais se fazem como antigamente.


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