Brad Mehldau cai na estrada

  • Nossos atuais Mecenas:
  • Vivara130x50 jpg
  • Selo dorel jpg

Recentemente, o jazz vem experimentando um processo de revitalização. A ascensão de grandes intérpretes femininas, como Diana Krall e Madeleine Peyroux, capturou a atenção do grande público. O resultado disso foi a recontaminação do pop pelo jazz, gerando artistas mais comerciais como Norah Jones e James Cullum.

Embalado em toda essa geração, Brad Mehldauaparece como o Dom Quixote do jazz contemporâneo.

Suas interpretações se preocupam mais com a desconstrução do que com a reprodução, estando sempre alinhadas com sua proposta estética. Nesse sentido, Mehldau fez releituras fulminantes de Radiohead ("Paranoid android", "Knives out", "Exit music"), Nirvana ("Lithium", "Smells like teen spirit") e Soundgarden ("Black hole sun"), sempre com execuções marcadamente expressivas.

Link YouTube

Highway Rider, uma obra-prima

Em março desse ano, Mehldau lançou seu mais recente disco: Highway Rider. Trata-se de um disco duplo e conceitual em que Mehldau explorou profundamente suas habilidades como compositor. As faixas exibem temáticas existencialistas com arranjos carregados de melancolia. A produção ficou por conta de Jon Brion, que já trabalhou com Fiona Apple, Dido, Evan Dando e Keane.

Highway Rider é um disco provocativo, no sentido de incitar o ouvinte a mergulhar no universo de Mehldau. O pianista recheou as linhas melódicas com notas abafadas e cobriu os arranjos com violinos, cellos e violas.  “Now you must climb alone” e “Walking the peak” traduzem bem essa intenção.

Os metais ficam em segundo plano. O fiel escudeiro de Mehldau, Joshua Redman, aparece com seu saxofone para compor a cama em que o lirismo do pianista vai se deitar. Sua presença secundária em “Capriccio” é fundamental para o desenvolvimento percussivo e fragmentado da composição.

Link YouTube | Escrita em 7/8, atinge o ápice a partir de 5:40, sente só.

O virtuosismo e a interação com a banda ficam mais marcantes na descomprometida “The falcon will fly again” e na nervosa “Into the city”. Além de Redman, nesse álbum Mehldau vem acompanhado do baixista Larry Grenadier e dos bateras Jeff Ballard e Matt Chamberlain, que já haviam trabalhado com Brad em Largo (2002).

A impressão que Highway Rider deixa é a de um artista buscando firmar sua autenticidade. A proposta estética de Mehldau, lírica e melancólica, está muito bem distribuída entre as faixas. O excesso de cordas nos arranjos as vezes artificializa as melodias, juntamente com a produção cristalina de Jon Brion. No entanto, os arranjos introspectivos são parte da tentativa épica de se construir um álbum conceitual. E nisso, Mehldau logra extremo êxito.

Apresentação solo em São Paulo e no Rio de Janeiro

O pianista está de passagem pelo Brasil. Sem a banda, mostra sua virtuose e expressão na Sala São Paulo hoje (29), às 21h. Os ingressos vão de R$ 60 a R$ 150 e ainda dá tempo de garantir o seu.

No Rio de Janeiro, Mehldau participará do "Jazz All Nights", sábado, dia 2 de outubro, às 20h30, no Theatro Municipal. Ingressos de R$ 40 a R$ 720. Informações: (21) 2262-3501 | www.theatromunicipal.rj.gov.br

"The very fine line between loneliness and solitude, reflection; being alone, always appealed to me when I was a kid."

publicado em 29 de Setembro de 2010, 07:15
378a6d83dad728530ba98c300a775df3?s=130

Flaco Marques

Rapaz do interior de SP que vive suas desventuras na cidade grande. Poliglota valente, busca equilibrar o jeito cosmopolita de ser com a simplicidade caipira de viver.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Nossos atuais Mecenas: