Como Al-Qaeda planejou e executou o 11 de Setembro - Parte II

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Continuação da primeira parte. Leia antes dessa.

5 – Compondo a equipe e preparativos finais

Em agosto de 2000, Atta, Shehhi e Jarrah receberam seus brevês de pilotos privados. Satisfeito com o progresso, Bin Laden começou a procurar o restante dos homens que comporiam a missão, cuja função seria controlar os passageiros, invadir as cabines e matar os pilotos.

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Mais um registro histórico. Zbigniew Brzezinski, acessor de Segurança Nacional do Presidente americano Jimmy Carter, "visita"seu garoto Osama Bin Laden, em treinamento no Paquistão, em 1981.

Não era necessário falar inglês, nem boa escolaridade. A preferência era por sauditas, pois estes conseguiam visto americano com facilidade. Ainda mais com passaportes adulterados com carimbos falsos de entrada em Cingapura, Malásia, Turquia, Egito e outros aliados dos EUA. Uma enxurrada de jihadistas, gradualmente, com aval das autoridades, entrava nos EUA.

O treinamento dos pilotos continuava, e no final de 2000, eles já estavam aprendendo a pilotar grandes jatos. Havia um quinto piloto em treinamento, um francês chamado Zacarias Moussaoui, porém temia-se que este não aprendesse a pilotar em tempo hábil. Seu alvo era a Casa Branca. Caso não aprendesse, seriam 4 aviões. Aliás, todos os pilotos já sabiam seus alvos. A Torre Norte era de Atta; A Sul, de Shehhi; O Pentágono, de Hanjour, e o Capitólio, de Jarrah. Os pilotos procuravam familiarizar-se com a região, mesmo acompanhados por instrutores.

Mohammed Atta era o chefe da operação, e a logística era sua tarefa. Todos os vôos teriam que partir da Costa Leste para a Costa Oeste, assim teriam tanques cheios ao atingir seus alvos. Outro tipo de preparação era fazer os jihadistas viajarem em vôos semelhantes aos do atentado, para se familiarizarem com estes. Levavam consigo estiletes fragmentáveis, armas que pretendiam usar no seqüestro. Os estiletes eram permitidos pela legislação vigente e passaram pelo controle de segurança.

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Mohammed Atta

No dia 23 de agosto de 2001, foram escolhidos os vôos a serem seqüestrados. Como eram vôos matinais, a possibilidade de atraso era menor. O fatídico dia foi escolhido: 11 de setembro, data em que o Congresso está em recesso, os vôos vazios e o Capitólio, cheio. Dividiram-se os terroristas pelos vôos.

6 – Ironias do destino

Em 7/9/2000, um avião espião americano não-tripulado conseguiu captar imagens de Osama bin Laden numa base da Al-Qaeda. Se o presidente Bill Clinton assim quisesse, poderia lançar um ataque de mísseis e assasinar Osama. Porém, o ataque poderia matar inocentes, e criar tensão com o mundo árabe.

Posterioremente, Atta percebeu que Moussaoui não iria completar seu treinamento a tempo. E para complicar, um dos instrutores da escola de aviação onde este treinava desconfiou de suas intenções e telefonou ao FBI.

O FBI descobriu que o visto de permanência do jihadista expirara. Pouco antes da definição dos vôos, Moussaoui foi preso por violar as leis de imigração. No HD de seu laptop, ele gravara detalhes de toda a operação, inclusive nomes dos colegas e relação de alvos. Porém, como a prioridade era obter provas por meios legais, o HD não foi violado em momento algum, por falta de mandado judicial. As informações obtidas sobre o aprendizado de Moussaoui sem as do HD eram insuficientes para conduzir ao plano macabro.

7 – A execução

As passagens compradas eram todas da primeira classe (exceto a dos pilotos suicidas, na classe executiva), para aproximar os jihadistas de seu objetivo, a cabine dos pilotos. Nos quatro vôos, a cena foi a mesma...

Ao se abrirem as portas das cabines para o café da manhã ser servido aos pilotos, dois jihadistas pegavam seus estiletes, e executavam as comissárias, passando a arma no pescoço destas, cortando jugulares, carótidas, esôfago e traquéia, como haviam aprendido nos campos de treinamento.

Em seguida, invadiam a cabine, e presos em suas poltronas, os pilotos eram presas fáceis. Em meio aos gritos de pânico, o piloto suicida se levanta, e calmamente se dirige à cabine, assumindo o controle do avião. Os outros terroristas anunciam o seqüestro, ameaçando os passageiros com uma bomba (fictícia), empurrando-nos para a parte traseira da aeronave e espalhando gás de pimenta na primeira classe, para impedir a passagem.

Durante 10 minutos, o piloto suicida, em meio a comandos e painéis repletos de sangue, vai se acostumando ao equipamento. Desliga o transponder, o que dificulta a localização do avião pelos radares em terra, e o piloto automático, assumindo controle do avião e o levando para seu destino trágico. Um fenômeno da modernidade então acontece. Os passageiros, através de telefones no avião e de seus celulares, relatam a familiares e autoridades os detalhes do que acontece a bordo, permitindo elucidar partes do caso.

Um a um, os aviões vão sendo seqüestrados, e um a um, atingem seus alvos. Primeiro a Torre Norte. Depois a Sul. A esta altura, um alerta sobre seqüestro de aviões já havia sido emitido. Os pilotos Leroy Homer e Jason Dahl, dos dois últimos aviões seqüestrados, chegaram a receber o alerta. Antes que pudessem confirmar, estiletes passam sobre suas gargantas.

911
Seria além da imaginação se não soubéssemos que aconteceu de verdade

Hanjour então atinge o Pentágono. Faltava o vôo guiado por Jarrah, rumo ao Capitólio. Este, porém, contava com uma particularidade, pois dois de seus passageiros, Donald Greene e Andy Garcia, eram pilotos. “Maravilhas da tecnologia”, por intermédio de seus celulares, os passageiros ficaram sabendo dos ataques terroristas, e perceberam que teriam o mesmo destino. Mas eles vislumbraram uma chance. Se dominassem os terroristas, Greene e Garcia poderiam pilotar o avião e pousar em segurança.

O desenrolar da tragédia foi detectado no CVR (Cockpit Voice Recorder). Falando com sua esposa, um dos passageiros grita:

“Let´s roll!” (algo parecido com “Vamos nessa”)

E ouviram-se então gritos de luta e dor, em inglês e árabe, barulho de coisas quebrando e afins. O FDR (Flight Data Recorder) detectou os movimentos da aeronave. Jarrah fez várias acrobacias, tentando desequilibrar os passageiros. O avião desceu perigosamente em uma delas. Então ouve-se uma voz em árabe gritando:

“Joga no chão, joga no chão!”

Um caça F-15 acompanhava o vôo e tinha ordens para derrubá-lo se este se aproximasse de algum alvo. O que não foi necessário. E também não diminuiria o número de vítimas. Vendo que não conseguiriam atingir seu alvo, os seqüestradores resolveram derrubar o avião. Que caiu em Shanksville, na Pensilvânia, a 930 km/h, matando a todos, a 20 minutos de vôo do Capitólio.

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O memorial das duas torres, em Manhattan. Impressionante.


publicado em 24 de Julho de 2008, 07:49
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Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.


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