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Criatividade: alguns insights para expandir a sua

Como expandir a sua criatividade sem se engessar em nenhum método fixo?

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A capacidade de criar coisas novas é uma daquelas habilidades que nos encanta. Observamos um belo quadro, uma composição ou poema e nos perguntamos maravilhados, como alguém conseguiu pensar naquilo?

Ao longo de sua vida, Mozart compôs 628 obras. Beethoven fez incontáveis. O escritor de ficção, famoso pela série de contos “Eu Robô”, Isaac Asimov, escreveu nada menos que 506 livros. De fato, pessoas que criavam antes do surgimento da internet tendem a parecer mais produtivas e criativas, já que, em tese, possuíam bem menos distrações para lidar.

Entretanto, podemos encontrar bons exemplos na era moderna que nos mostram que a criação é parte de um processo, e que mesmo em meio ao caos da vida moderna podemos estimular esse processo e nos manter criativos.

Maria Popova é a criadora do famoso blog Brain Pickings e se tornou popular pela qualidade dos artigos publicados em seu blog. Sozinha, Maria publica 3 artigos - bem construídos - por dia, de segunda a sexta, escrevendo entre 3 e 8 horas diariamente.

Muitos de nós fomos criados para acreditar que criatividade é um talento nato, uma dádiva divina que foi dada para poucos.

Nosso medo do risco nos faz buscar apenas para o que está pronto, com medo da ridicularização e do fracasso. Ninguém quer ser visto como aquele sonhador que não deu certo. Por isso, ao invés de ser criativo, é mais fácil imitar o que já foi feito, se manter na linha da maioria e evitar movimentos bruscos. O fato é que criatividade é um processo treinável como qualquer outro, e quanto mais praticamos, mais fácil se torna.

Existem muitos métodos de criatividade desenvolvidos por aí, mas a exemplo do texto sobre ser produtivo usando seu próprio método, não vou apresentar uma receita pronta para ser criativo, mas princípios que podem ser expandidos e aproveitados.

Experimente coisas diferentes

Todos nossos processos cerebrais estão conectados. Achamos que não, mas tudo o que fazemos ativa neurotransmissores, caminhos cerebrais que registram essas experiências.

Gostamos de pensar que para ser muito bom em algo, precisamos fazer apenas a mesma coisa repetidas vezes, quando na verdade, podemos executar atividades não diretamente relacionadas que aumentem nossa resposta cerebral, contribuindo para outras atividades.

Um músico certamente se beneficia da leitura de romances e contos em suas composições. Um filme, do mais bobo ao mais complexo, sempre irá influenciar um escritor de alguma forma, mesmo que essa influência não seja direta e, às vezes, nem percebida.

Sou um péssimo músico, mas pelo menos uma vez por semana pego meu violão e tento aprender uma música nova, assisto seriados, documentários e desenhos animados, inclusive envolvendo assuntos que não gosto.

Não jogo futebol, mas certa vez comprei uma bola e fiquei treinando sozinho por algumas semanas, tentando melhorar um pouco nessa habilidade.

Inúmeros dos textos que já escrevi saíram de ações similares, da conexão criada entre minha necessidade de inspiração e a execução de uma atividade que exige um trabalho cerebral completamente diferente do que estou acostumado.

Ser criativo é fazer coisas novas, e isso raramente se torna possível quando estamos expostos aos mesmos estímulos de sempre.

Fale com muitas pessoas

Ainda na direção do item anterior, podemos nos beneficiar do contato com outras pessoas.

Tudo o que criamos passa por um filtro, um viés formado por nossos ideais, vontades e experiências. Esse viés tende a moldar nossas nossas abstrações, criando um padrão similar, mesmo que tenhamos dificuldade de reconhecê-los. Conversar com outras pessoas nos ajuda a perceber informações depois de serem processadas por outras pessoas e seus filtros.

Seja como Johnny Barnes

É como imaginar uma discussão política. Você pode ler sobre os pontos fortes do partido vermelho ou sobre as políticas do partido azul. Entretanto, estará inclinado a ignorar pontos do partido vermelho, caso seja um natural apoiador do partido azul. O oposto também se aplica.

Nesses casos, conversar abertamente com alguém que possui um direcionamento contrário ao que você sustenta é a melhor forma de receber informações construída para resistir aos seus condicionamentos. O mesmo serve para praticamente tudo, opiniões sobre outras obras, filmes, músicas, shows e teatro.

Às vezes envio textos que não gostei para amigos e pergunto suas opiniões, sem deixar que saibam o que penso. A partir desse diálogo acabo absorvendo pontos de vistas que nunca havia considerado, e o que antes era algo que não gostava, se torna uma nova fonte de inspiração para um trabalho futuro. Tudo por ter sido digerido por outra pessoa, com outras percepções.

Tentar se despir de certezas é uma excelente maneira de receber novas ideias e estímulos. Aprendemos o que não sabemos, ouvindo sobre o que não queremos ouvir. Acessando o que antes era uma barreira incompreendida.

Copie, Misture, Transforme

Os itens anteriores são responsáveis por fornecer material bruto, mas agora vem o verdadeiro trabalho de criatividade. Existem três formas simples de criar algo, e por mais que algumas pessoas acreditem em milagres, não existe criatividade que surge do nada.

Copiar diretamente algo é uma das melhores formas de aprender. Aprendemos música tocando composições que nos identificamos, e pouco depois, estamos fazendo novos arranjos e ritmos para a canção. Redação publicitária é produto de horas de cópias literais de textos bem sucedidos, fazendo com que a pessoa absorva aquelas ideias através da cópia. Durante a faculdade de sistemas de informação passei centenas de horas copiando códigos prontos, aprendendo através do reconhecimento de padrões e aplicação pronta de métodos já desenvolvidos.

Misturar é onde a coisa começa a ficar mais clara, utilizando inúmeras referências para criar algo, muitas vezes parecendo algo inteiramente novo. O grande problema é que somos relativamente ruins em misturar ideias. Malas com rodinhas demoraram 600 anos para surgir, mas antes precisamos criar os carrinhos de carregar malas, e só depois, juntar os dois juntos. Hoje já vemos isso com mais facilidade, telefones celulares são um grande exemplo de mistura de várias outras invenções.

A transformação é onde a magia se completa. Pegar algo como conhecemos e transformar aquilo em outra coisa completamente nova é onde, para mim, mora a arte.

Lutas de espadas samurais, viraram guerreiros Jedi com sabres de luz. 50 tons de cinza, gostando ou não, surgiu de uma fanfic de Crepúsculo, e foi um dos livros mais vendidos de todos os tempos.

Para contemplar todos esses elementos juntos, pense no filme Matrix, que revolucionou o cinema mundial no fim dos anos 90. No filme, podemos encontrar referências bíblicas e budistas, e com um pouco mais de percepção encontramos inspirações claras em Neuromancer, de Willian Gibson e do clássico, Ghost in the Shell.

Para entender melhor esse caminho de cópia, mistura e transformação, aconselho que assista o documentário Tudo é um Remix, disponível por completo com legendas no Youtube:


Plagie seu próprio trabalho

Depois de todos esses passos, é necessário se manter criando. Algumas coisas sairão boas, outras coisas nem tanto, mas o importante é que o ato de criar seja uma constante.

Com não muito tempo e incontáveis tentativas, oscilando entre o muito ruim e o muito bom, é fácil notar que algumas coisas que antes eram muito ruins, se tornaram peças de uma mistura maior.

Um desenho inacabado pode dar origem a um personagem, duas linhas de texto guardadas podem concluir um texto sem final ou surgir como fio condutor de uma nova história, uma letra sem música pode se encaixar numa música sem letra e, um esboço de ideia do ano passado pode se tornar um excelente produto quando misturado a uma nova necessidade.

No fim, utilizamos o trabalho dos outros para criar o nosso, e o nosso para criar trabalhos melhores. É uma larga escala de inspiração, adaptação e teste, podendo ser repetida para sempre

E você? Como alimenta seu lado criativo? Compartilhe suas dicas nos comentários e nos ajude a ser mais criativos.



publicado em 02 de Março de 2015, 21:34
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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