Eleições municipais: SimCity me ensinou que não é tão simples quanto dizem

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Não sei se sou um tipo muito profundo de nerd ou se esse gosto é comum a todos em um maior ou menor grau, mas eu jogo muito Simcity.

Não, não "aquele em que você constrói a casa", tem filhos e, como um tipo de voyeur virtual bizarro, decide a hora em que aqueles personagens feitos à sua imagem e semelhança defecam e fazem sexo, num sentimento de uma criação divina pervertida. Esse é o The Sims.

SimCity é um jogo em que o objetivo não é construir uma cidade, mas tornar as condições físicas, sociais e econômicas propícias para que a população construa a cidade.

É um simulador de prefeitura.

É um jogo. Entretenimento para pessoas com uma definição bizarra do significado de entretenimento. É uma versão muito simplificada do que ocorre de fato na administração de uma cidade. Mas é elucidante para qualquer um que passe algum tempo com o jogo e assiste propagandas políticas.

"Oportunidade!"

Todos os candidatos parecem iguais, não? Todos dizem que querem o bem-estar da população, que querem criar empregos, aumentar salários, reformar hospitais, construir escolas.Todos dizem isso tudo. Que tipo de louco seria capaz de dizer que está tudo bem com a saúde e não é preciso melhorar nada?

O problema é que nenhum deles diz como.

O que nos ensina SimCity, é que na melhor das hipóteses, algumas coisas ficam sem fazer, e pouca gente te odeia. Mas ainda ficam coisas sem fazer. E ainda há gente que te odeia.Não há dinheiro para tudo, a cidade se endivida.Você decide aumentar os impostos. Paga a dívida, consegue arrecadar dinheiro para todas as áreas.

Novos hospitais, reforma das estradas, escolas, polícia. E a população reclama dos impostos.Você diminui os impostos. Rebate o déficit vendendo água, energia elétrica e espaço em seu aterro sanitário para as cidades vizinhas. Falta água, ocorrem apagões, a cidade fede.

A criminalidade aumenta. Você institui um toque de recolher. A criminalidade diminui. Os adolescentes que namoram na praça te chamam de facista. Você remove o toque de recolher. A criminalidade aumenta. Você aumenta o número de policiais. Falta dinheiro.

Na prática, é mais ou menos assim, só que mais complicado

E no horário político a esquerda, a direita, alto, baixo, dizem todos que farão mais hospitais. Mas você sabe que a vida não é tão bela. Você jogou SimCity. Alguém vai ter que pagar. Alguma parte vai sofrer. Nada vem de graça. Boas intenções não são suficientes.

Só resta entendermos que "muito", "pouco", "logo" e "frequentemente" não significam nada comparado a "72%", "14 milhões", "em três meses" e "duas vezes ao ano". Quantidades importam.

E eles sabem, mas não nos dizem.


publicado em 04 de Outubro de 2012, 13:27
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Luccas Franklin

Franklin tem 23 anos, é aspirante a jornalista, fotógrafo, e jogador de pôquer, mas escreve pouco, considera suas fotos medianas, e não ganha no pôquer mais do que dinheiro de pinga. Considera videogame uma coisa muito séria, e vive atrasado uns cinco anos em relação ao mundo.


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