O fino do gibi: 21 quadrinistas que você precisa conhecer!

Na Comic Con Experience 2016, tem desenhista brasileiro, tem uns gringos e muita arte foda pra correr atrás

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Marvel ou DC? Corben ou Wrightson? Morrison ou Milligan? Lee ou McFarlane? Mignola ou Risso? Allred ou Cooke?  Buscema ou Romita?

Algumas questões jamais serão respondidas (Marvel), ora devido à dificuldade de equiparar critérios (Corben), ora devido ao ruído dos extremistas desocupados (Milligan). As opções podem até ser quase idênticas (Lee), vez por outra o personagem pode ser o diferencial (Mignola). Vamos admitir, é impossível não colocarmos nosso coração como fiel da balança (Allred). Mas o fato é que, em alguns momentos, nem tudo precisa ser uma competição (Bucema/Romita).

E por isso é tão divertido fazer listas!

Estamos há menos de um mês do melhor evento de São Paulo (depois do Festival do Churros), a CCXP, o oásis nerd. Dentre suas inúmeras atrações, uma delas é, disparada, minha predileta, o Artist´s Alley.

São mais de 400(!) quadrinistas expondo seus trabalhos, nos dando a possibilidade de interagir, fanboyzar e fraturar as costas com toneladas de gibi na mochila. Tem treta pura, existencial, surubóticos, de fadinha, empoderado, infantil e autoral, um dos raros lugares onde se pode ter certeza de encontrar algo bom e surpreendente, não importa qual seja o seu gosto. E o que tem de incrível nisso? Assim como nossos sites prediletos, os buscadores e as rede sociais também direcionam conteúdo afim de nos colocarem de frente a algo que, provavelmente, já seja  do nosso agrado, porém, ao fazerem isso, nos cercam de uma redoma com mais do mesmo.

Aí que reside a grande graça destes eventos colossais, na imprevisibilidade que 400 autores formigando ideias e desenhos inesperados podem nos apresentar!

Para começar com o pé direito e atiçar ainda mais sua curiosidade, eis aqui uma leva de nomes farta em qualidade e variedade, vinte artistas, quatorze brasileiros monstros e seis argentinos fervilhando.

“Aí, porque argentino?! Vai ajudar os rivais?”

Parça, aqui é gibi, irmão. A única rivalidade que você vai encontrar é de gente contra e a favor da Era do Apocalipse. Ano passado também rolou uma lista coisa linda de deus. Estou optando por sempre manter nomes inéditos, então  fuça lá também pra não se arrepender!

E agora, hora de hastear o bastião da sabedoria nas pilastras da galhofa!

1. Alexandre Lourenço  

Dos raros quadrinistas que entenderam o quanto a plataforma influencia o ritmo, Alexandre faz miséria em sua página, Robo Esmaga e também acaba de lançar o simpático Você é um babaca, Bernardo.

Feliz sem soar fofucho. Uma raridade.

2. Danielli Pioli

Ilustradora cabulosa, estiliza seus personagens com traços, não com estereótipos.

Juro.

3. Felipe Portugal

O som das tirinhas do Felipe é baixo, mas é estéreo. Sua realidade sem pretensão é um oásis nos gibis de autor de hoje em dia.

4. George Schall

George aparece para mim como sendo a promessa de um Chris Bachalo que não chegou a existir.

Enquadramentos ousados, mas didáticos, seu ritmo cinematográfico nos apresenta pequenos momentos de contemplação entre um corte dinâmico e outro, felizmente fugindo dos gibis-storyboards que estão quicando por todo o lado.

5. Gidalti Jr

Desafiando a lógica mercadológica e respeitando o ofício, o cara tá há anos produzindo seu primeiro quadrinho, Castanha do Pará, todo pintado e prometendo  ser um serviço raro a iconografia de Belém.

A conferir e ansioso!

6. Guilherme Petreca

Meticuloso e peculiar, seu último trabalho, Ye, é um sopro de originalidade na caracterização, tem cheiro de cigano e ares de Castaneda. Na minha opinião, só lhe sobram as palavras, que insistem em explicar o que já é táctil, diminuindo um pouco a delicadeza visual do seu incrível trabalho.

7. João Pinheiro

Cada vez mais especializado em biografias, João opta pelo caminho difícil, muitas vezes apostando no conhecimento prévio do leitor. Não somente retrata o biografado como chafurda seu mundo em busca da ampliação do conteúdo.

Um estudioso de traço sujo e nada pedante.

8. João Montanaro

Montanaro começou a se destacar muito jovem, aos 14 já era publicado nacionalmente em grandes veículos. O que isso importa? Nada.

Vamos ao que interessa. Você viu esta capa do seu novo trabalho? Meu deus, eu quero ser um cavalo de skate from hell, irmão!

9. Lelis

Em cada um dos seus quadros é possível notar que se trata de um observador, Lelis é daqueles casos inusitados que contam mais em um quadro do que em uma história inteira, torço para que ele abrace este caminho e publique livros gigantes com seu intrincado realismo fantástico.

10. Lita Hayata

De traço fluído e confiante, Lita tem o estilo peculiar de nos fazer ver suas figuras em constante movimento, além de nos brindar com personagens ao mesmo tempo inusitados e absolutamente carnais.

11. Marcelo Braga

Marcelo chegou a tamanho grau de habilidade que qualquer pessoa que ele representar se parecerá mais real no papel do que ao vivo. Dos raros que conseguem traduzir personalidade em formas.  

12. Pedro Mauro

Muito menos conhecido do que deveria, Pedro Mauro desenha no estilo que eu particularmente chamo de “Meu pai que mostrou”. Classicão, tem aquela nobreza do traço que coloca a história em primeiro lugar, fazendo sempre o possível para ser o veículo, não o motorista.

Pedro Mauro nasceu Mustang.

13. Victor Moura

Passeando pelo expressionismo alemão, poderia ter caído no erro de reverenciar Mignola em excesso, mas a verdade é que Victor vem em uma evolução crescente e seu estilo começa a se personalizar. Seu novo trabalho, Argo5, ainda não saiu, mas pelo pouco que vi, me parece um Cordel Feat. Liniers Feat. Pequeno Príncipe do avesso.

Eu boto fé.

14. Wagner William

Este eu sou totalmente suspeito a comentar. Acompanho o trabalho do Wagner há anos, sua capacidade de me surpreender não cessa, pintor prolífico e bestial, Wagner lançou o calhamaço mais leve do ano, Bulldogma, mais de 300 páginas que você irá matar em uma só garfada.

Não tenho dúvidas, o safado roubou o olho de agamotto.

15. Leandro Fernandez

De desenho limpo, nosso primeiro Hermano consegue revitalizar o estilo noir colocando um sem número de ângulos dinâmicos e imprevistos. Além disso, seu último trabalho foi com o monstro supremo do entretenimento,  Peter Milligan, cara, eu preciso desse gibi!

16. Salvador Sanz

Não era pra ser difícil, mas encontrar boas obras de terror é sempre uma missão.Pois temos aqui nosso Salvador! (#arytoledovive). 

Com uma arte espetacular e uma narrativa atmosférica, Sanz nos leva a um passeio sombrio e saudosamente Lovecraftiano.

17. Gerardo Zaffino

Filho do cabulosíssimo Jorge Zaffino, Gerardo também não veio a passeio, suas linhas finas e cheias de ruído estão fazendo bonito ao lado do Karnak, de Warren Ellis.

18 e 19. Max e Sebastián Fiumara

Os irmãos Fiumara apenas são responsáveis pelos desenhos de um dos personagens mais legais de todos os tempos, Abe Sapien.

Fim.

20. Eduardo Risso

Com somente 4 Eisners no bolso, Risso é daqueles com confiança (e habilidade) suficiente pra gastar litros de nanquim por página. Seus quadros parecem sempre captar aquele micro instante antes do ápice, deixando o gosto do punho e o cheiro de pólvora aos nossos cuidados.

Apenas um pedido a humanidade: Jesus, parem de colorir o Risso!

21. Roger Krux

Se, assim como eu, você era um moleque que delirou com as tretas estrombóticas da saudosa Era do Apocalipse, você já acompanhava este grande brasileiro mesmo sem saber, Roger ilustrou boa parte daquela fina farofa!

A boa nova é que ele não parou por aí e agora tem lançado um trabalho autoral e mais maduro, que chega na parte dois neste exato momento.

Xampu vol2, vem ni mim!

* * *

E nossa pequena lista chegou ao fim! Espero ter te apresentado alguns novos nomes que poderão te acompanhar por um bom tempo. Agora você já parou para pensar que eu falei apenas de menos de 5% dos artistas que estarão lá? Papai. Acho que vou levar um carrinho de supermercado.

Mas e o Bruno Passos?

Quanto a este que vos fala, estou tentando retomar a periodicidade aqui no PapodeHomem e, embora enferrujado, é muito bom voltar às pilastras da galhofa.

Aproveitando o ensejo, o motivo do meu sumiço são as muito bem vindas trocentas horas que tenho passado pintando. Alguns encontram Jesus, eu encontrei a tinta à óleo.

E é um prazer poder dizer que estou colhendo os primeiros frutos! Este ano fui premiado em importantes salões brasileiros e entrei no meu primeiro gringo (sem maldade). Aliás, este internacional é o único online e um dos prêmios é dado por meio da escolha da audiência! Ganha quem despertar mais reações (like/uau/#amoreterno) na sua respectiva pintura.

Então, se você realmente gostou do quadro aqui de cima, segue a parceragem e manda seu joinha caloroso lá no site da premiação.

Como sempre, espero ter sido útil ou, ao menos, divertido!


publicado em 11 de Novembro de 2016, 00:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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