O Homem Meia-Bomba

Eu achei que já tinha encontrado todos os tipos de homens que há nesta vida. Agora, novidade pra mim foi encontrar o Homem meia-bomba.

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Eu achei que já tinha encontrado todos os tipos de homens que há nesta vida.

tipo-estranho
É, posso dizer que já conheci alguns tipos estranhos.

O Caretão

Que parece querer ser seduzido para formas mais alternativas de sexo (leia-se coisinhas simples, tipo transar em cima de capô do carro, essas paradas);

O Virgem

Não tinha 40, mas eu tive um namorado virgem de 30 anos, que na hora H me deu umas sacudidas, pelo ombro mesmo, e disse que não podia fazer ‘aquilo’ comigo porque não tinha me achado na rua (e 3 anos depois apareceu na porta da minha casa, do nada, dizendo que queria casar comigo);

O Lobo em Pele de Cordeiro

Que durante um tempão te engana que é ‘average’ até que de repente pede pra vestir a tua calcinha, ou pra você fazer xixi em cima dele; e

O Normal

Que tem lá suas esquisitices, como todo bom Normal, mas não te deixa de cabelo em pé, e sim com os pelinhos da nuca arrepiados.

Graças a Deus, considerando os Normais nem tão Normais assim, a maioria dos meus ex-namorados se encaixa nessa classificação. Se bem que um Caretão às vezes cai bem também pra dar uma mudada de ares.

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Agora, novidade pra mim foi encontrar o Homem meia-bomba que se acha. Talvez seja uma coisa que estivesse em extinção desde a época em que se apresentavam pessoas por missivas, leia-se cartas, e que de certo modo voltou à moda com o advento da internet.

Você nunca viu o cara, nem ele te viu, mas foi com a cara da tua foto, acreditou nas palavrinhas que você copiou da Clarice Lispector ou embelezou pra pôr lá te ‘definindo’, como se isso fosse possível.

Cruzou contigo num site de relacionamento ou discutiu algum assunto polêmico no Orkut ou viu teu blógue e pronto, estabeleceu-se um novo tipo de conexão – que não surgiu de um olhar, de um toque, mas de algo muito mais subjetivo, normalmente seguindo-se a isso uma intensa troca de e-mails de conteúdo idem.

Ah, e flores – acompanhadas de um cartão inteligente, divertido, escrito decentemente e sem erros de ortografia; umas orquídeas lindas. O único problema é que a floricultura ficava na Tijuca – ah, ran, eu não gosto da Tijuca (bairro da zona norte aqui do Rio).

Não estou aqui pra falar de namoricos virtuais, eu não acredito nisso; sou que nem São Tomé, na maioria das coisas desta vida, só creio vendo (e usando todos os outros 5 sentidos aqui, incluindo o sexto, óficorse).

E-mail sedutor pra lá, e-mail sedutor pra cá. Alguma enrolação até pegar uma ou outra referência – porque mesmo que não adiante nada te dá uma falsa sensação de segurança (que é o máximo que se pode esperar da vida, e principalmente, da vida no Rio de Janeiro).

Você sai uma vez...

O papo rola bacana e você pensa que não deve ser nenhuma baranga, porque afinal de contas o bonitão te leva pra passear em lugares legais e ainda paga a conta [mesmo que você se ofereça pra pagar].

No final, acontece alguma coisa? Necas. Nem uma tentativa de beijo. Okey, você pensa, ele não me achou ‘pegável’, vou beber uns 3 chopes por conta e ficar 15 minutos a mais todo o dia na academia. Next!

japinha
Ficou babando...

Ledo engano, dias ou horas depois, surpresinha!, “Tem mensagem pra você!”. O sujeito te manda um torpedo, um e-mail, telefona, enfim, faz alguma coisa pra dar o recado de que foi legal estar com você, brincar com você e coisa tal. Daí você pensa, “Ah, que fófis, um babaca gentil!” pelo menos. [Os caras que não tentam sempre, sempre, sempre são babacas, anotem isso aí.]

Mas não, ele quer combinar de sair de novo (Oh!). Em segundos o seu pensamento evolui para “um lerdo gentil ou um caretão das antigas”, já que mulher é idiota mesmo, e a gente sempre dá crédito a vocês que não merecem. Fica toda caidinha de novo – ainda bem que apaixonada mesmo ainda não está, porque o cara não te pegou e você não sabe nem se ele beija direito e com língua.

Marca-se tudo de novo, depois da tradicional lenga-lenga de mensagens ou telefonemas de ambas as partes a sugestões para o próximo encontro, porque o Homem meia-bomba que se acha gosta de elucubrar em e-mails, escrever piadas inteligentes, fazer algum mistério [até em mensagens SMS] e colocar um charme extra na sua imagem mandando mensagens subliminares dizendo “eu sou o fodão do universo”.

Já meio puta da vida, você se arrisca a sair com o cara pela segunda vez... e tudo como era antes no quartel de Abranches. Nadica de nada. E ele pagou a conta outra vez.

Depois de queimar uma meia dúzia de neurônios com o assunto, você, frustradíssima, a estas alturas já pegou seu caderninho de telefones, foi pra night e deu uns beijos na boca pra aliviar a tensão, óficorse. E é então que você consegue juntar lé com cré.

O cara continua se comportando da mesma forma, provocando daqui, de lá, vocês se falam, se encontram, mas ação que é bom, nada.

homem-meia-bomba
Lindo, inofensivo e broxante.

Minha única explicação possível tornou-se O Homem meia-bomba que se acha. Ele espera que você mande e-mails, torpedos, se ajoelhe aos pés dele e fique orbitando ao seu redor. O cara quer IBOPE, não quer te comer. Quer que você fique lá, como se não tivesse coisa nenhuma pra fazer a não ser encher a bola dele. Precisa se achar a rosa listrada furta-cor e dourada do deserto da Babilônia.

Problemas de auto-estima, pinto pequeno ou brocha ou ambos, e viadice não assumida mesmo são algumas das hipóteses. Pra mim, homem que é homem, tira algum proveito antes e posa de gostoso depois. Como diz uma amiga muito querida, isso é coisa de Kichute que no fundo, no fundo é Melissinha. E não?

E chega de escrever por hoje, que agora sim, tô partindo pro próximo. Definitivamente, essa particularidade feminina de querer entender coisas nos faz perder um tempo danado.

Outras possibilidades, amores, usem os comments. Vai ser divertido ter uma visão masculina do assunto.


publicado em 23 de Janeiro de 2008, 17:47
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Senhorita Rosa

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