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Quando é paixão pelo que faz e quando é só loucura mesmo? | Mais que um jogo #7

Vou revelar uma coisa. A gente aqui no PdH volta e meia trava uma discussão sobre se o melhor que podemos fazer é trabalhar com o que amamos ou não.

Mais ou menos como no texto que falamos sobre nomadismo digital, expandimos algumas insatisfações e nos perguntamos: será que uma coisa não atrapalha a outra? Será que o peso da responsabilidade, dos prazos, da rotina não prejudica algo que nós, antes, gostávamos tanto de fazer? Será que não é um risco colocar um prazer nesses moldes?

A discussão vai e vem em torno do exemplo do meu amigo que sempre quis ser roteirista e, agora que conseguiu, odeia. Sobre minha amiga que adora ler e escolheu ser editora para trabalhar com isso e, agora que conseguiu, ama. E sobre um outro cara que era bancário, mas queria ser escritor e, agora que conseguiu, parece estar satisfeito.

No fim, chegamos a alguma conclusão parcial (é assim que a ciência evolui, ok?) e seguimos nossa vida tentando entender na prática o que conversamos. Até um próximo dia onde discutiremos isso de novo.

Mas se é possível dar um passo adiante nessa história, eu fico me perguntando o que será que acontece com as pessoas que amam tanto o que fazem que passam por cima de qualquer coisa? Seria o senso de responsabilidade? O amor pelo que faz? Ou é só loucura mesmo?

Vou contar dois casos pra vocês e vocês, por favor, me ajudem a responder nos comentários. Já vou logo avisando que as histórias de hoje são pra quem tem estômago forte.

Demba Ba quebrou a perna, mas acordou perguntando se o time ganhou

Demba Ba é um jogador de futebol senegalês. Ele já passou por times da França, da Alemanha, da Inglaterra (maior destaque), da Turquia e atualmente faz seu pé de meia no futebol da China. Lá, ele defende o Shanghai Shenhua e já marcou 13 gols em 20 partidas.

Na última delas, um clássico local contra o Shanghai SIPG, Demba Ba fazia uma atuação normal e via seu time perder o jogo por 1 a 0 até que, com pouco mais de uma hora de jogo, um lance muito duro provocou uma séria lesão no jogador.

Só assista ao vídeo se for capaz.

Link Youtube - 'Senas fortes'

Levado ao hospital imediatamente, constatou-se que a lesão se tratava de uma fratura de tíbia e fíbula na perna esquerda e o procedimento cirúrgico começou imediatamente. Não sem antes uma anestesia geral para amenizar as coisas.

Quase quatro horas depois do procedimento cirúrgico, Demba Ba acordou e constatou que terá que ficar parado por até 8 meses e que enfrentará uma processo de recuperação delicado que, se mal realizado, pode até abreviar sua carreira.

Mas nada disso parecia importar para o jogador que antes de qualquer uma dessas coisas, ao retomar a lucidez, imediatamente fez uma pergunta aos médicos: ganhamos?

Bem, se isso for o que mais importa pro jogador ou se pelo menos isso for amenizar a dor, os médicos certamente ficaram felizes de comunicá-lo que, sim, o Shanghai Shenhua virou o jogo pra cima do Shanghai SIPG e venceu por 2 a 1 com direito a um gol de pênalti nos acréscimos.

Aqui é a parte que você clica pra pular as fotos impactantes que vêm a seguir.

Demba Ba não se responsabiliza pelo que você vai ver a seguir.
Demba Ba estava lá jogando de boas sua peleja quando de repente...
Um jogador adversário chutou a perna dele despretensiosamente e, pronto, fratura exposta. 
Os jogadores do time ficaram desesperados quando viram o que aconteceu...
E a coisa parece ter sido feia mesmo.
Ele chegou no hospital e o resultado do Raio X foi esse aí, ó. Preocupante.
Mas o presidente do clube garantiu que Demba Ba vai receber o melhor tratamento possível.
E agora já está tudo bem. Ele até já recebeu visita dos colegas de time no hospital.

Evangelista Cyborg afundou o crânio, mas só quer saber de voltar a lutar

Se essa história toda te lembro a lesão que o Anderson Silva sofreu numa luta contra o Chris Weidman, eu tenho algo do mundo do MMA pra você também.

Parente mais pobre do UFC, o Bellator também reúne alguns lutadores pelo mundo pra fazer disputas em octógonos pelo mundo. No último final de semana o lutador brasileira de nome mais legal do mundo, Evangelista Cyborg, enfrentou Michael Page, um lutador "showman" tido como "clone" do próprio Anderson Silva.

Acontece que dessa vez, o brasileiro se deu mal e foi nocauteado há trinta segundos do fim do segundo round com uma joelhada voadora no meio da testa. A coisa toda aconteceu em frações de segundo, mas o resultado foi, digamos, impactante. O golpe afundou o crânio do brasileiro.

Link Youtube - Michael Page ainda tirou onda e lançou uma pokebola no adversário.

A lesão é grave e poderia render algo muito mais sério, desde a aposentadoria forçada do lutador, até mesmo uma morte cerebral. A ex-mulher (e também lutadora), Cris Cyborg ficou preocupada e até começou uma campanha de arrecadação de fundos para ajudar o lutador. No instagram, ela disse:

Fãs de luta, façam uma prece para o meu ex-marido, Evangelista Cyborg Santos. Muitos de vocês assistiram ontem à luta dele na Spike TV, onde ele sofreu este ferimento enquanto lutava em Londres. Cyborg ainda está no hospital em Londres, e os médicos ainda não sabem se ele poderá voltar a pegar um avião novamente. Ainda não foi feita a cirurgia, e há a preocupação de que o cérebro ainda inche mais, causando mais danos. O @bellatormma é responsável por todo procedimentos médicos que ele precisar para resolver este problema, porém ele não vai poder trabalhar por um tempo e nós vamos arrecadar ajuda pra ele através do #gofundme para os fãs patrocinarem ele e sua família nesta hora difícil. Obrigada Deus por sua proteção!! O médico disse que ele poderia estar em risco de vida. Mostrem seu apoio aos lutadores e compartilhem isto!

Cris Cyborg - lutadora e ex-mulher de Evangelista Cyborg

Por sua vez, o experiente árbitro da luta, John McCarthy, disse no Twitter que a joelhada que Page acertou em Cyborg foi a mais dura que ele já viu em sua carreira.

O som do golpe foi como o de um taco de beisebol acertando a bola. Cyborg teve a testa quebrada. Sem dúvida foi a joelhada mais dura que eu já vi.

John McCarthy - juiz da luta entre Page e Cyborg

Mas o que todas as pessoas sentiram de temor parece não ter afetado o próprio lutador. Depois de passar por alguns exames,mas ainda sem ter feito a cirurgia de reparação, Evangelista se mostrou confiante, até, em voltar ao octógono dentro de pouco tempo.

O lado bom disso tudo é que agora poderei fazer jus ao meu apelido, Cyborg. Voltarei a lutar em seis meses, porque não aconteceu nada de mais. Estou inteiro, 100%. Não perdi a consciência em momento algum. Já recebi golpes que me derrubaram algumas vezes, e sei qual é a sensação. Eu senti a dor da fratura, mas meu cérebro não foi afetado em nada. Agora a minha cabeça ficará mais dura que nunca e eu serei um ciborgue, literalmente. Mesmo assim, agradeço a preocupação de todos.

Evangelista Cyborg - não sendo afetado pela lesão

Cyborg antes da luta. Não era lá grande coisa, mas tava com a cara inteirinha.
E já durante a luta quando a coisa toda aconteceu.
Esse fotógrafo foi feliz em pegar o momento exato do golpe.
E aqui a parada já estava liquidada.
Cyborg disse que não aconteceu nada "só quebrou a casca do ovo."
E foi desse jeito que o crânio dele ficou.

E aí, é loucura ou é outra coisa?

***

A 'Mais que um Jogo' é uma série do PdH que depende da sua colaboração. Nossa intenção é reunir boas histórias que permeiam ou se aproximam do esporte, mas que o extrapolam e oferecem doses de esperança e lições de superação para todos nós. Foram anos batendo cabeça para encontrar um fórmula perfeita. Meses fazendo tentativas e testes do que rodava melhor. Semanas matutando o que finalmente poderíamos fazer. E uma única noite para decidir que agora é a hora. Chegamos a conclusão que nesse caso, assim como em quase todos os outros, ou a gente coloca as coisas pra funcionar mesmo sem ter certeza de que vai dar certo ou simplesmente as coisas nunca acontecem.

Porém, para que tudo funcione bem, mais do que nunca estamos interessados em ouvir o que vocês têm a dizer. O que vocês têm de diferente para nos contar. Precisamos disso. E eu como caseiro e curandeiro desse nosso novo filhote, estarei mais atento do que nunca às críticas e sugestões que vierem.

Por isso cada caixa de comentários dessa série é também uma caixa de sugestões e o meu email breno@papodehomem.com.br está mais aberto do que nunca para recebê-los.


publicado em 19 de Julho de 2016, 20:50
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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