E se Donald Trump for eleito presidente dos EUA?

O empresário magnata abre vantagem para os demais pré-candidatos republicanos e vai encorpando sua campanha com declarações polêmicas

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Ele era visto pelos especialistas como um candidato frágil. Na linguagem popular, diziam que ele era um ‘candidato golfinho’ – sobe, faz uma gracinha e logo desaparece. Mas faltando menos de um ano para as eleições presidenciais norte-americanas, Donald Trump, o polêmico empresário multibilionário, aparece com folga na liderança das pequisas de intenção de voto das primárias republicanas.

Com declarações bastante questionáveis (pra dizer o mínimo), Trump está cada vez mais próximo de se transformar no candidato responsável por reconduzir os republicanos à Casa Branca depois de oito anos de Obama. Segundo a pesquisa mais recente, Trump tem 27% das intenções de voto contra 17% do candidato mais próximo. É uma diferença consideravelmente acima da margem de erro.

Isso posto, a ideia de ter Trump como um dos homens mais poderosos do mundo começa a animar alguns e preocupar muitos outros. Imigrantes, comunidade latina, muçulmanos e até as mulheres temem.

Por isso, fiz uma lista com seis propostas/declarações que podem se concretizar caso ele seja eleito. Assim, você vai ter alguma coisa pra falar quando o assunto for política internacional.

Dá uma olhada:

1. Armas e a autodefesa

Mais do que um defensor da Segunda Emenda à Constituição, Trump é um entusiasta. Ao contrário do presidente Barack Obama que propôs ao congresso mudanças na legislação para impor medidas mais severas sobre o porte de armas de fogo e, como não foi bem sucedido até então, aponta essa como uma de suas maiores frustrações no cargo

Trump já deu diversas declarações a favor do comércio de armas, numa delas, ele disse:

“Se as pessoas que foram mortas em Paris tivessem armas, pelo menos eles teriam uma chance de lutar. Não é interessante que esta tragédia tenha ocorrido em um dos países com uma das leis de armas mais duras do mundo? Lembrem-se: onde ter armas é um delito, só os delinquentes as possuem.” -Referindo-se ao atentado ao jornal ‘Charlie Hebdo’.

Num país que convive com ataques a mão armada, a discussão ganhou cada vez mais força e uma pesquisa chegou a apontar que a maioria dos americanos é favorável a leis mais duras para armas nos EUA.

Como não é do perfil de Trump se esquivar de polêmicas, ele já foi logo dando sua posição e comprando briga com um monte de gente, ainda que esteja longe de ser uma questão resolvida.

2. Aborto e uma suposta misogenia

Trump já foi parcialmente favorável ao aborto mas, depois de intensificar a campanha, sua opinião “evoluiu” para ser radicalmente contra a ideia. Aqui o argumento de mais liberdades individuais utilizado em defesa do porte de arma não vale.

O empresário afirmou no primeiro debate republicano ser adepto do movimento “pró-vida” e deu a seguinte declaração:

“Eu odeio o conceito do aborto. Estou muito orgulhoso de dizer que sou defensor do movimento pró-vida”.

Sua posição provocou reações negativas com parte do eleitorado e foi somada a declarações anteriores que muitas mulheres consideraram ofensivas.

Segundo consta, em 2011, Trump chamou uma advogada de “nojenta” quando a mesma solicitou um intervalo durante uma sessão em tribunal para amamentar seu filho.

Durante a campanha, atritos com uma apresentadora de debates e até com uma concorrente republicana elevaram as acusações de misogenia, mas assim como já fez com Carly Fiorina, Trump parece disposto a pendurar o alvo em Hillary Clinton, caso os dois confirmem suas condições de favoritos a candidatura à presidência por seus respectivos partidos.

3. Economia e abalo nas relações internacionais

Ele é um empresário multibilionário com negócios que vão desde imóveis até o entretenimento, então tudo que se espera é um cenário econômico perfeito para investimentos e uma economia amplamente regulada pelo mercado, certo? Nem tanto.

Para alguns, essa deveria ser a área em que Trump se destacaria frente a seus adversários, mas até agora, as propostas apresentadas não foram lá muito específicas.

Durante o primeiro debate republicano, o candidato defendeu uma reforma total do sistema tributário americano e apresentou um plano sobre o tema que defende o “alívio de impostos para a classe média”, a “simplificação dos impostos”, o “encorajamento para grandes corporações investirem nos EUA” e o “congelamento dos débitos e déficits do país”. Tudo que os americanos queriam ouvir.

Porém, alguns especialistas estão indicando que talvez a economia não vá tão bem assim se a postura de Trump continuar irredutível. Recentemente, Trump comprou briga com ninguém menos do que o maior parceiro comercial dos EUA: a China.

Ele acusou os chineses de roubarem empregos dos americanos e defendeu que sejam aplicadas sanções ao país.

“É tempo de sermos mais duros com os chineses devido à manipulação de sua moeda e à espionagem. A China será taxada por cada mau passo, e se eles continuarem, vamos taxá-los ainda mais.”

4. Sistema de saúde e uma ‘brecha de caráter’

Apesar de ser um crítico do Obamacare, sistema de saúde proposto por Barack Obama, Trump tem um posicionamento que foge do comum quando se trata de candidatos republicanos geralmente adeptos de uma preocupação menor do Estado com o sistema de saúde.

Quando perguntado sobre isso, o magnata respondeu:

“Todos têm que ter cobertura de plano de saúde. Vou cuidar de todos os americanos, mesmo que isso me custe alguns votos."

Depois disso, ele sugeriu que sua fórmula seria fazer acordos com hospitais para que o governo pagasse a conta dos atendimentos, oferecendo cobertura a 100% da população norte-americana.

5. Fechamento de mesquitas e o Estado Islâmico

Diante dos mais recentes ataques terroristas mundo afora, é claro que o combate ao Estado Islâmico não poderia deixar de ser tema para o debate entre os candidatos à presidência. Sobre isso, Trump apresentou uma visão simplista da situação.

“Eu digo que temos que derrotar o EI tirando sua riqueza. Retiremos todo o seu petróleo. Assim que alguém for lá e retirar todo aquele petróleo, eles não terão mais nada. Você os bombardeia até mandá-los ao inferno, cerca-os e então você entra. E deixe que entrem lá a Mobil e nossas grandes empresas de petróleo.”

A postura adotada pelo republicano é radicalmente contra a tendência do governo Obama de retirar as tropas de países estrangeiros. O candidato republicano não descartou enviar mais tropas ao Oriente Médio para combater o terrorismo. Quando questionado sobre como trataria a questão religiosa dentro do país, Trump afirmou que, se necessário, fecharia mesquitas:

"Odiaria ter de fazer isso [fechar mesquitas], mas é algo que é preciso considerar muito seriamente. [...] Pelo que eu tenho entendido, antes havia uma grande vigilância (por parte dos serviços de inteligência) nas mesquitas de Nova Iorque e seus arredores e acredito que foi um grande erro suspender. [...] Algumas das ideias e o ódio absoluto que temos vivido estão vindo destes lugares.”

6.  Imigração e a revolta das minorias

Deixei pro final justamente a questão mais polêmica e complexa da candidatura de Trump.

O empresário assumiu uma postura contrária aos imigrantes (e demais minorias) desde o começo da campanha e causou grande repercussão.

Na verdade, essa vem sendo sua estratégia preferida até agora. Com o espaço que ganha na mídia, Trump amplia o alcance de suas ideias e vai fidelizando eleitores que concordam com parte de suas ideias, ao mesmo tempo que acumula inimigos.

No que trata de propostas, o candidato prometeu uma reforma que restringirá a imigração e o direito dos imigrantes nos EUA. Ele sugeriu que todos os ilegais que vivessem no país fossem deportados e sinalizou que negaria a nacionalidade americana para crianças nascidas nos EUA que fossem filhas de imigrantes indocumentados.

Indo mais longe, durante o próprio discurso de lançamento de sua candidatura, Trump deu declarações que foram interpretadas como ofensas pela comunidade mexicana:

“Quando o México manda seu povo [aos EUA], mandam pessoas que têm um monte de problemas e trazem esses problemas pra nós. Eles trazem as drogas, trazem o crime, são estupradores. [...] Os Estados Unidos tornaram-se uma lixeira para os problemas dos outros.”

Em tempos onde a Europa sofre com refugiados e imigrantes ilegais, Trump resolveu dar uma solução simplória para a questão americana: construir um muro na fronteira dos EUA com o México.

A ideia dele é, inclusive, aumentar as taxas para concessão de vistos mexicanos e para todos os cartões de travessia da fronteira para ter como financiar a ampliação do muro ao longo da fronteira. (Vale dizer que o muro já existe parcialmente).

“O muro vai ser erguido e o México vai começar a se comportar.”

E agora?


publicado em 03 de Dezembro de 2015, 20:52
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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