13 casos bizarros de histeria coletiva

Histeria coletiva é o termo usado para explicar casos nos quais muitas pessoas começam a apresentar os mesmos sintomas histéricos ao mesmo tempo – seja por um ataque de fantasmas, de alienígenas ou de suspeita de contaminação por alguma doença misteriosa.

Abaixo reuni alguns dos casos mais curiosos/bizarros de histeria coletiva dos quais já tive conhecimento.

1. A saia curta de Geisy Arruda

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Os estudantes da UNIBAN (Universidade Bandeirante de São Paulo) alegaram que a saia usada por Geisy Arruda era muito curta e isso foi usado como justificativa para a histeria que se seguiu. Cerca de 200 alunos se reuniram na porta da sala de aula, para olhar os trajes que ela vestia. Um professor tentou, então, escondê-la em outra sala mas, no caminho, as pessoas a seguiam, tirando fotos, gravando vídeos e gritando "puta".

Em alguns minutos, mais de 700 pessoas estavam enlouquecidas, dominando os corredores da universidade. Alguns chegaram a quebrar seu carro, tentando impedí-la de sair. Foi preciso a intervenção da polícia para resgatar a aluna e levá-la em segurança para casa.

O evento gerou impacto internacional e foi considerado um caso de histeria coletiva sexista.

Geisy virou uma espécie de celebridade após o evento, tornou-se empresária, foi capa de revistas, posou para a Playboy e Sexy, participou de um Reality Show e segue fazendo aparições esporádicas em programas de TV.

2. A piada mortal

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Conhecida como A Epidemia de Riso da Tanzânia, esse surto de histeria coletiva teria começado com uma piada, em 30 de janeiro de 1962, quando três garotas em uma escola na região de Tanganyika começaram a rir descontroladamente. Em poucas horas, 95 estudantes entre 12 e 18 anos estavam na mesma condição, tendo crises de riso incontroláveis.

Os sintomas se espalharam por outras escolas e regiões próximas, tendo afetado mais de 1000 pessoas e durado cerca de 6 meses.

3. A Guerra dos Mundos

Certamente, a história mais célebre de histeria coletiva.

A Guerra dos Mundos é um romance de 1898, escrito por H. G. Wells, que narra a invasão da Terra por marcianos. O episódio de histeria coletiva se deu quando, por ocasião do Halloween, a história foi narrada no rádio por Orson Welles – o mesmo diretor de Cidadão Kane. Ligando o rádio no meio da transmissão, alguns ouvintes acreditaram que se tratava de um noticiário e entenderam aquilo como uma transmissão ao vivo.

O pânico tomou conta, pessoas começaram a fugir, muitos achavam que poderia haver bombas de gás tóxico, outros relatavam verem luzes no horizonte que atribuíam a supostos bombardeios alienígenas.

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Grover’s Mill, uma comunidade em Nova Jersey citada na obra, de repente se viu dominada pela multidão histérica. A polícia foi chamada para controlar a situação. Para aqueles que chegaram mais tarde durante os eventos, a cena realmente se parecia com o que estava sendo narrado no rádio, com multidões em pânico e policiais usando a força.

Era a época das tensões preliminares da II Guerra Mundial. Há versões da história que atribui o pânico a isso, especificamente à compreensão equivocada de que se tratava de uma invasão alemã, ao invés de alienígenas.

4. Pânico do tamanho do pênis

Imagine olhar para baixo e, de repente, começar a perceber que seu pênis está diminuindo de tamanho até desaparecer completamente. Esta é a descrição da histeria conhecida como "Penis Panic".

A crença é de que essa modificação súbita no corpo pode levar à morte. Por isso, é comum que homens causem ferimentos tentando impedir o pior, usando agulhas, ganchos, linhas de pesca, cadarços e todo tipo de aparato.

Está se tornando claro que essa condição é mais comum do que se imagina. Há vários casos dessa histeria em regiões da África e da Ásia. A epidemia mais famosa ocorreu em 1967, em Singapura, resultando em centenas de casos reportados após a notícia de que um lote de carne de porco estaria contaminado por meio de uma vacinação. A situação se agravou quando se espalhou o boato de que um porco teria morrido quando seu pênis desapareceu.

O governo de Singapura chegou até a criar campanhas de conscientização, informando a respeito da impossibilidade de que seu pênis se retraia até a morte.

5. A epidemia de dança

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A praga de dança de 1518 foi uma epidemia de dança incontrolável que ocorreu em Estrasburgo, na França.

O fenômeno teve início quando uma mulher, Frau Troffea, começou a dançar sem parar por cerca de 4 dias. Em uma semana, mais de trinta pessoas haviam se juntado a ela. Em um mês, já eram aproximadamente 400 dançarinos nas ruas.

Até hoje, não se sabe qual o motivo dessas pessoas terem começado a dançar descontroladamente.

Na época, foi descartada a origem sobrenatural da crise. O problema foi diagnosticado como sendo uma "doença natural", causada por "sangue quente". As autoridades encorajaram as vítimas a permanecerem dançando, pois acreditava-se que isso os faria voltar ao normal. Portanto, foram contratados músicos, construiu-se dois salões e a um palco de madeira, com o objetivo de manter as pessoas dançando.

Infelizmente, a cura não veio. Muitas dessas pessoas morreram após manifestar sintomas de exaustão, desmaiando, tendo ataques cardíacos ou derrames.

6. O espírito cearense

Junho de 2010, Itatira-CE. Estudantes entram em transe durante as aulas, se debatem e desmaiam. Alunos e professores se recusam a voltar para a escola. O motivo: afirmam terem visto o espírito de um ex-aluno, morto há 7 anos.

Em apenas um dia, 25 alunas foram hospitalizadas, gritando e apresentando comportamento agressivo. As aulas foram suspensas.

Um padre e parapsicólogo foi chamado para fazer uma palestra, explicando que tudo foi um caso de histeria coletiva.

7. Histeria Pokémon

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Pokémon foi um fenômeno com os jogos e a animação que foi para a TV no final dos anos 90. Em meados de dezembro de 1997, um episódio no qual o Pikachu emitia luzes piscantes parece ter causado convulsões, náusea e dores de cabeça em cerca de 12.000 crianças pelo Japão.

Médicos diagnosticaram algumas delas com um tipo raro de epilepsia fotossensível.

No entanto, especialistas não conseguiram identificar o que teria causado o mal-estar na maioria dos pacientes. Em 2001 foi descoberto que a maioria dos casos surgiu após a veiculação de notícias sobre o ocorrido. Efeito de histeria coletiva.

8. As freiras que miavam

Antes do século XX, casos de histeria coletiva ocorriam com uma certa frequência em contextos religiosos. Conventos, em especial, eram ambientes prolíficos para surtos.

Há um relato de que, em 1844, "uma freira em um grande convento da França começou a miar como um gato" e que, pouco tempo depois, outras freiras começaram a fazer o mesmo. Finalmente, todas as freiras miavam juntas, várias horas por dia.

A situação seguiu até que os vizinhos resolveram denunciar o estranho fenômeno. Soldados foram chamados e ameaçaram chicotear as freiras até que elas parassem de miar.

Nessa época, havia a crença de que animais poderiam possuir pessoas, como demônios. Gatos eram os principais suspeitos de manter associações com o capeta.

Esses surtos de pessoas fazendo sons de animais aconteciam com uma certa frequência e podiam durar meses.

9. O Homem-macaco assassino

Em 2001, começaram a circular em Nova Deli, boatos de que uma criatura parecida com um macaco estaria aparecendo durante a noite e atacando as pessoas. Descrições diziam que ela tinha mais ou menos 1,20m de altura, era coberta de pelagem preta, usava um capacete, tinha garras longas feitas de metal, olhos brilhantes vermelhos e três botões no peito.

As teorias incluíam uma manifestação do deus Hindu Hanuman e uma versão indiana do Pé-Grande.

Quinze pessoas afirmam terem sido feridas pelo Homem-Macaco. Três pessoas tiveram ataques de pânico após terem visto o homem-macaco e morreram ao saltarem do topo de prédios ou escadas altas.

10. Chupacabra

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Entre fevereiro e março de 1975, espalhou-se um rumor em Moca, Porto Rico, de uma criatura misteriosa que atacava animais e sugava seu sangue. Moradores diziam terem ouvido guinchos e bater de asas que coincidiam com as aparições da criatura. As carcaças resultantes foram analisadas, atribuindo os ataques a humanos, cobras e morcegos. Dada a imprecisão das conclusões, a criatura misteriosa passou a ser chamada de "O Vampiro de Moca".

Em 1995, ataques similares voltaram a acontecer. Dessa vez, o nome dado ao agente causador foi "Chupacabra", por causa da preferência por cabras como presa. O ser bizarro foi descrito como um rato de olhos protuberantes e patas traseiras de canguru, o que o possibilitaria escapar em alta velocidade.

As histórias começaram a se espalhar rapidamente e casos de chupacabra foram relatados na Nicarágua, México, Flórida e Brasil. Vários supostos corpos e fotografias da criatura se espalharam. Crianças deixavam de dormir assustadas – eu incluso.

O Chupacabra virou merchandising, música, ganhou espaço em programas de TV e, volta e meia, ainda gera manchetes por aí.

O jornalista Benjamin Radford escreveu um livro-reportagem, depois de passar cinco anos em busca da criatura. O nome da obra é Tracking The Chupacabra. Ele diz que a descrição dada originalmente para a criatura coincide com a aparência de Sil, personagem do filme A Experiência, de 1995. A primeira pessoa que avistou o Chupacabra disse ter assistido ao filme e acreditava que os eventos descritos na obra estavam acontecendo no mundo real.

Radford concluiu, então, que esta teria sido a razão para a primeira aparição do Chupacabra, em 1995, e que a maior parte dos eventos posteriores foi fruto de histeria.

11. O vírus Morangos com Açúcar

Morangos com Açúcar é uma novela portuguesa voltada para adolescentes, uma espécie de Malhação. Em um episódio de maio de 2006, uma doença tomou conta da escola frequentada pelos personagens. Alguns dias depois, jovens começaram a manifestar sintomas parecidos com aqueles apresentados na série - erupções cutâneas, tonturas e dificuldade de respiração.

Em poucos dias, a "doença" se espalhou atingindo cerca de 300 adolescentes em 14 escolas diferentes, forçando algumas delas a fecharem, dada a gravidade da situação.

O Instituto Nacional de Emergência Médica classificou a epidemia como Histeria Coletiva.

12. As bruxas de Salém

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Em janeiro de 1692, Elizabeth Parris (9 anos) e Abigail Willams (11 anos), começaram a ter convulsões, espasmos violentos e a gritar incontrolavelmente. Depois de uma visita de um médico local, foram diagnosticadas como vítimas de bruxaria. Isso fez com que outras crianças da comunidade de Salém também começassem a manifestar os mesmos sintomas.

Ao final de fevereiro, a escrava da família Parris, chamada Tituba, fora acusada junto com outras duas mulheres, Sarah Good e Sarah Osborn, de serem responsáveis pela bruxaria. As três foram trazidas a julgamento. Tituba, tentando se salvar, agiu como uma espécie de informante, disse que havia outras bruxas na cidade e que o diabo caminhava entre os moradores da cidade. O caos estava instaurado.

O medo de bruxaria durou mais ou menos um ano. Cerca de vinte pessoas foram mortas. Um dos poucos homens foi Giles Corey, que morreu segundo o costume medieval de ser comprimido por rochas em uma tábua até morrer, levando ao total 3 dias para que isso ocorresse. Mais de 150 pessoas foram presas.

O lugar no qual as condenações eram levadas a cabo ficou conhecido como Colina da Forca, na vila de Salem.

Mais tarde, o juiz Samuel Sewall, responsável pela caçada, confessou que as sentenças foram um erro.

13. Envenenamento por Coca Cola

Coca-Cola Post Strong Earnings

Em 1999, a imprensa na Bélgica começou a relatar centenas de "envenenamentos" oriundos do consumo de Coca Cola. Crianças foram hospitalizadas e mais de 100 estudantes tiveram mal-estar atribuído ao consumo de latas do refrigerante que apresentavam um odor forte. Ao mesmo tempo, centenas de consumidores relatavam um sabor e coloração estranhos na bebida. O Ministério da Saúde Belga, então, baniu o produto das prateleiras.

Esse foi o maior recolhimento em mais de 100 anos de história da empresa. Estima-se que mais de 15 milhões de garrafas e latas foram retiradas do mercado.

Mais tarde, exames comprovaram a presença de um fungicida na parte externa das latas que, em quantidades tão pequenas, não poderia ter causado a intoxicação. A explicação dada para tantas pessoas sofrendo dos mesmos sintomas foi (adivinhem) histeria coletiva.


publicado em 21 de Outubro de 2013, 22:00
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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