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[18+] Os nudes sensuais feitos por um fotógrafo cego

As fotografias íntimas tiradas pelo mexicano cego Gerardo Nigenda são incríveis e sensoriais

Ultrapassar aquilo que inicialmente se propõe. Eu comecei a ficar maluco quando me peguei sentindo cheiros ao ler A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro. Aquela coisa de calores e Bahia e sexo lambuzado me atiçava as narinas, como se eu estivesse in loco em meio a algazarras e brincadeiras deliciosas. 

Mais tarde, já na literatura japonesa, eu lia livros do prêmio Nobel Yasunari Kawabata e sentia tudo o que ele me contava, brisas e som de vento em folhas, via nas páginas pardas com escrita impressa em preto tonalidade de flores e dos quimonos. Me impressionava demais a escrita ultrapassar seu papel de me fazer imaginar para o de me passar sensações reais, invadir outros sentidos meus. Quando me dava conta, tato à flor da pele e meus ouvidos atentos. 

É o poder da arte que transcende. 

Um fotógrafo mexicano fez isso comigo de novo, ao fotografar, cego, imagens sensuais.

Gerardo Nigenda nasceu em Oaxaca, sul do México, em 1967. Aos 25, perdeu a visão. Trabalhou como zelador de uma biblioteca, cuidando dos livros em braile. Depois virou professor de matemática, ciências da computação e braile quando ganhou, da conhecida fotojornalista e documentarista Mary Ellen Mark uma câmera.

As imagens capturadas por Gerardo em preto e em branco possuem uma conotação tão íntima e de curiosidade, uma textura empregada por quem não enxerga com os olhos e coloca mãos em nossas retinas. Parece fácil sentir o esfregar de mãos, a descoberta, os detalhes. Tudo ali, uma sensualidade quase adolescente.

Vem ver.

Multi-Looks em Ascensão Corporal
Multi-Looks em ascensão corporal

 

A fragilidade da referência inicial induz um a evocação sensual

 

Ousando para um climax do calor tátil

 

Há Conexão ... Há Fusão ... Há Interação!

 

A sutileza do perfil substitui o arrebatado

 

Um diálogo distante entre o íntimo e o cotidiano

 

Uma regressão agradável e sublime

 

Doce e sedosa coincidência de sensações

 

... entre o invisível e o tangível... chegando à homeostase emocional

 

Exposto ao que é invisível

 

Protegendo a sensualidade oculta

 

Uma foto cega...

 

Construindo com tato, fazendo contato com a imagem... A forma... O encontro

 

A cegueira avança para a sutileza do corpo

 

Esperando para ser visto

 

Olhando para o incomum

Gerardo faleceu em 2010, mas tem muito trabalho que ainda pode ser visto em seu site.


publicado em 01 de Novembro de 2016, 00:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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