5 dilemas de uma quase ex-vegetariana

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Você sofre com o vegetarianismo da sua mulher? Ou sofre, você mesmo, tentando ser vegetariano em prol da sua saúde? Pois vou relatar um pouco da minha experiência com isso. Tentando ajudar você, talvez eu me ajude.

Há três anos decidi me informar melhor sobre o vegetarianismo. Alguns sites, filmes e artigos depois, eu já estava disposta a parar de comer carne. E não foi difícil riscar este elemento do meu cardápio não. Meus dilemas vieram depois e ainda continuam.

Listo aqui cinco dos principais obstáculos que acredito que qualquer vegetariano tenha nesta vida. Gostando muito de um churrasco ou preferindo brócolis, este texto talvez traga algumas informações interessantes, seja para você melhorar sua alimentação ou para ajudar a namorada.

Sua namorada está longe dessa cena?

1. Família e amigos: eles não lhe dão moral

O pior momento depois de decidir parar comer carne é avisar aos parentes e amigos. Pode parecer esquisito, mas, acredite: todos vão tentar fazer com que você deixe de lado esta ideia insana. E não há Paul McCartney, destruição da floresta e maus tratos aos animais que farão de você uma pessoa respeitável e informada capaz de discutir com seus entes (até então) queridos.

Parentes e amigos comerão bifes na sua frente enquanto entoam um mantra imitando o rugido de uma vaca, falarão de você para os outros como se fosse uma hippie louca apaixonada por cabritos e farão sua reputação diminuir, obviamente. Claro que tem os que acreditam e se interessam pela filosofia toda do vegetarianismo. Mas estes serão poucos.

Não adianta, Paul, eles só te ouvem quando você canta.

2. Restaurantes: eles não te entendem

Depois de ter decidido e informado a todos (e passado uma semana a base de pão, água e queijo), chega a hora de sair. É nesta hora que você percebe como seu mundo diminuiu. Você nunca (nunca!) chegará até o final do cardápio de um restaurante: é na parte de saladas, quiches, risotos e sopas a que seu mundo se restringirá. Ter duas opções é luxo.

E isso fará com que seu namorado tenha de fazer longas buscas na Internet por restaurantes que te agradem e com que ele tenha de ligar antes e garantir que você terá o que comer naquele restaurante fino em que ele pretende te levar.

3. Fome: ela sempre aparece

Aí o namorado escolhe um restaurante, te leva, pede um fillet mignon ao poivre com batatas rústicas enquanto você escolhe uma saladinha com shimeji (era o que tinha). É claro que antes de sair do restaurante você já está pensando na próxima refeição enquanto o namorado ali, feliz, nem sequer digeriu o pedaço de cadáver de boi.

É neste momento que você começa a achar que o vegetarianismo fez de você uma ogra.

4. Carboidratos, muitos = quilos, mais

E como você já chega na mesa com muita fome e sua fonte de proteína é menos saciante, você acaba, inconsciente e infelizmente, aumentando a porção de carboidrato do seu prato. Arroz, batata, pão: o que era para ser um acompanhamento acaba virando quase que prato principal. E acaba te fazendo ganhar, sem querer, alguns quilos nada saudáveis de farinha refinada.

É nesse momento que você tem certeza de que o vegetarianismo fez de você uma ogra.

É, quase isso, Lady Gaga: o vegetariano veste, vira a carne que não come.

5. O mito do mundo encantado da soja

Tudo é sofrimento até o dia em que você encontra um grãozinho disposto a mudar a sua vida: a soja. Comercializada em forma de grão, leite, suco, salgadinho ou até mesmo texturizada (imitando carne moída, carne em pedaços e bife), a soja é, do que se encontra no mundo dos grãos, o que mais se aproxima da proteína da carne.

Ela é a substituta que nutricionistas consideram ideal. Fui em uma que até me recomendou comer a proteína texturizada (a imitação de carne) todos os dias, religiosamente. Não é fácil encontrá-la nos restaurantes, mas até aí, tudo bem: você garante sua porção de proteína preparando sua comida em casa e ensinando a família inteira a preparar tudo, absolutamente tudo, com a proteína texturizada da soja.

Isto seria ótimo se a soja não fosse uma grande enganação marketeira da nossa indústria. E se já não estivessem saindo pesquisas e mais pesquisas sobre seus inúmeros malefícios. Entre tantos, os piores: seus antinutrientes impedem que absorvamos o que ela poderia ter de bom e, como se não bastasse, a soja bloqueia a função da tireóide. Aqui um resumo simples e direto com todos os perigos da soja que ninguém te contou.

E agora?

Caso você não tenha notado ainda, estou neste estágio cinco, de descobrir os malefícios da soja e não encontrar substituto proteico à altura. Ando revendo meus hábitos e lendo sobre alimentação saudável – que não significa alimentação sem carne.

Médicos especializados em alimentação saudável e antenados com as novas pesquisas recomendam que não consumamos nada proveniente da soja. E se você pensa que nunca comeu nada com este grãozinho, dê uma olhada nos rótulos dos industrializados que estão nas prateleiras da sua cozinha.

“A alimentação, assim como a saúde, é um grande negócio. Dois terços de todos os alimentos processados industrialmente contêm algum derivado da soja em sua composição. É só conferir os rótulos. A lecitina de soja atua como emulsificante. A farinha de soja aumenta a ‘vida de prateleira’ de uma série de produtos. O óleo de soja é usado amplamente pela indústria de alimentos. A indústria da soja é enorme e poderosa.” –Alexandre Feldman, médico, no artigo “Soja: a história não é bem assim”

É claro que o vegetarianismo tem suas razões, inúmeras: maus tratos animais, indústria que trata os bichos como produtos, fabricando-os em série, a destruição da floresta para o cultivo de gado, o aquecimento global, a quantidade imensa de água gasta para a comercialização da carne e por aí vai, infinitamente.

Link YouTube | Já viu o filme "A carne é fraca"? Está online na íntegra.

Acho justa a causa e acredito que quem come carne tem o dever de se informar disto tudo e, ao menos, diminuir o consumo e fazê-lo de maneira mais responsável. No entanto, ando também pesando saúde e meio-ambiente e chegando a uma conclusão mais saudável para mim.

Dos atletas vegetarianos e veganos, das pessoas saudáveis e felizes que conheço que abraçam a causa, não duvido. Não me imagino matando um porco para comer bacon, confesso. Mas talvez a dieta vegetariana não seja a melhor para mim. Acredito que a redução dos carboidratos e açúcares é o mais importante neste momento.

Só agora começo a entender que os alimentos altamente refinados é que são grandes tragédias para o nosso organismo. Frutos de um “reducionismo científico”, farinha de trigo, açúcar e cocaína são iguais: três “matadores de gente”, como compara Denis Burgierman.

Se queremos melhorar nossa saúde, temos que ignorar as novidades das prateleiras, os alimentos dito milagrosos, processados, industrializados, que exibem coloridamente o quão enriquecidos com ferro estão.

Mas e a carne? Sua gordura não faz mal?

"Não há nada de errado em relação à carne, em relação ao frango, ao peixe, ao ovo. A gordura saturada não é a problemática. O problema é a quantidade de gordura saturada que você consome ou como você prepara. Alimentação saudável inclui carne vermelha, sim. Agora, carne de qualidade, carne de boi que come grama, que come pasto, galinha que come milho, que cisca, que come minhoca no chão, que é criada solta." –Carlos Braghini Jr, médico, quiropraxista e autor do livro "Ecologia Celular", no vídeo abaixo (3:57).

Link do vídeo | "Coma o velho, ignore o novo, pense no que seu bisavô reconheceria como comida. Produto alimentício não é comida."

Pois é: não é de qualquer carne que falamos aqui, mas sim da carne orgânica, de qualidade, de um produtor responsável com o meio-ambiente e com a saúde dos bichinhos.

Depois de um tanto quanto convencida, comi um pedaço de carne dia desses enquanto deixei o namorado boquiaberto com minha seriedade no assunto. Não é fácil decidir assim. Também não quero matar bichos, mas estas leituras sobre alimentação saudável andam me convencendo...

Se você, sua namorada ou algum conhecido estiver interessado a voltar a comer carne, sugiro o processo mais longo: comer carne indiretamente, numa sopa ou molho. Depois da ideia consistente em mente (e o sabor novamente assimilado) fica mais fácil digerir um pedaço.

"Garotas de verdade comem carne"

Com carne ou sem, continuo acreditando que o caminho é nos aprofundarmos nestes assuntos e não nos deixarmos levar pelas ideias propagadas pelas indústrias. Se não pensa em consumir carne (ou se não quer nem saber de brócolis), os especialistas citados aqui já dão uma boa ideia do caminho a seguir para melhorar sua alimentação e aumentar sua qualidade de vida.

Se você tem uma história com vegetarianismo, se já pensou sobre o assunto ou se sabe mais sobre alimentação saudável, conte aqui que eu estou interessada também.


publicado em 05 de Janeiro de 2011, 08:15
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Isabella Ianelli

Pedagoga interessada em arte e educação. Escreve no blog Isabellices e responde por @isabellaianelli no Twitter.


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