6 máximas que a Copa da África do Sul deixa para o mundo

  • Nossos atuais Mecenas:
  • Vivara130x50 jpg
  • Selo dorel jpg

No último dia da Copa do Mundo, ficam as lições. A cobertura foi a maior de todos os tempos. Não há lance que passou sem registro. Não fica qualquer lenda, impossibilitando o Juca Kfouri de fazer os seus textos do estilo “Só eu e mais um vimos aquela cena. E não foi você”.

É hora de analisar o mundial. Aprender com a derrota. E guardar os fatos que ficarão na memória por mais alguns dias. Ou quem sabe décadas.

Oferecimento: Hyundai

Comente jogos pelo Twitter, responda ao Quiz da Copa e concorra a vale-presentes de até R$ 1.000,00.

"Jabulani não é de Deus"

Link YouTube | Processo de produção da Jabulani

A protagonista da Copa do Mundo, claro, é a bola. Mas nesse ano exageraram. A Jabulani foi em 2010 o que foi a chuteira do Ronaldo de 2006. Goleiros e atacantes, principalmente os patrocinados pela Nike, denotaram a pobrezinha. “Frescura”, falamos. “Bola é tudo igual”, diziam alguns comentaristas que nunca jogaram futebol.

Durante os jogos comprovamos a velocidade da bola. Quando o atleta deixa quicar fica praticamente impossível o domínio da Jabulani. As curvas geraram belos e curiosos gols. “Jabulani não é de Deus”, comentou Kaká ao final do jogo contra a Holanda. Tem que ver isso aí para 2014.

Aliás, qual será o nome da bola de 2014? Lembrem-se que em 1978 a bola se chamou Tango. Não me venham com Samba.

"Cornetas abafam gritos no estádio"

"Deixa eu me iludir achando que esse barulho vai, sim, ajudar o meu time."

Outro nome engraçado repetido em demasia durante o último mês foi vuvuzela. As malditas cornetas africanas abafaram os gritos nos estádio. Alguns jogadores chegaram a reclamar da dificuldade de se comunicar em campo. Mas, na verdade, o acessório era simpático. Todo mundo queria uma vuvuzela. Prepare-se para ver vuvuzela no horário eleitoral e no carnaval do ano que vem. Já virou patrimônio da humanidade.

A parte boa: não ouvimos no estádio o horroroso grito “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. A esperança é criamos algo razoavelmente melhor dentro de quatro anos.

"A Copa é do país, não do continente"

"Que África? Eu to torcendo pro meu time!"

Era lindo de dizer: a primeira Copa do Mundo do continente africano. As nações unidas pelo futebol. Todo continente torcendo pela África... Não foi bem assim. Nigerianos secaram sul-africanos, que por sua vez lotaram as arquibancadas do Uruguai contra Gana, que fez festa com a eliminação de Camarões. Mais do que individualismo, a rivalidade fronteiriça falou mais alto. E a imprensa, mais uma vez, errou. Mas sem se retratar.

Foi a Copa do Mundo da África do Sul, não do continente africano.

"A França foi a grande decepção"

A França é a seleção mais instável da historia. É impossível fazer uma projeção de desempenho antes da Copa do Mundo. Em 2002 os então atuais campeões foram eliminados na primeira fase. Em 2006, com um Zidane fumante em frangalhos, chegaram à final. Em 2010, mesmo em crise, esperávamos mais. Mas acabou sendo o retrato de uma seleção velha, sem comando e reflexo de seu campeonato nacional. Horrorosa.

Foi a grande decepção dessa Copa do Mundo. Mais até que a Inglaterra, eu diria. Em 2014 eles chegam renovados. Sem status. Não sei se isso me agrada muito.

"A taça nunca será dos africanos"

Concorda com o Fred, Samuel Eto'o?

Ainda sobre as seleções Africanas. No final dos anos 80, Pelé fez a projeção: “até o final do século, uma seleção Africana será campeã do mundo”. Pra variar, errou no palpite. As seleções africanas não evoluíram em 15 anos o que conseguiram evoluir no período de 90 a 95. Em campo observamos ruins, falta de estrutura tática e nenhuma disciplina. E os goleiros africanos? Ah, os goleiros...

Gana mostra-se como a maior potencial do futebol africano da atualidade. Fez duas boas Copas do Mundo em sequencia. Camarões tem fama e bons jogadores, mas pouca bola e muita marra. O mesmo vale para a Costa do Marfim. Já a África do Sul foi esforçada, mas precisa evoluir.

Vou, com todo o respeito, além do Rei: uma seleção africana nunca será campeã do mundo.

"Não ceder à Rede Globo"

Toma essa!

Dunga errou. Errou ao citar coerência. Errou ao fechar a concentração e privar os atletas de algumas regalias. Errou na escalação, na convocação e na preparação. Mas teve seus momentos. Um deles foi não ceder a TV Globo. Igualdade entre os veículos, assim foi vista a cobertura da Copa do Mundo pela mídia brasileira. Nada de Fátima Bernardes invadindo a intimidade dos jogadores. Nada de Galvão Bueno falando “Hoje eu conversava com o Julio Cesar no hall do hotel...”.

A TV Globo, evidente, não gostou. A discussão de Dunga e Alex Escobar após a entrevista coletiva do jogo contra a Costa do Marfim gerou um editorial pesado no Fantástico. O publico, surpreendentemente, ficou a favor de Dunga. Tadeu Schmidt ganhou um cala boca e viu seu reino indo por água abaixo. Dunga, como a maioria das vítimas, se fortaleceu. Ganhou o apoio do torcedor. Seu jeito turrão, pelo menos para isso, serviu para alguma coisa.

Agrada a opinião pública. Mas não ganha Copa do Mundo.

Que em 2014 algumas máximas prevaleçam, erros sejam corrigidos e o fator casa fale mais alto.


publicado em 11 de Julho de 2010, 03:01
File

Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Nossos atuais Mecenas: