A dificuldade de ouvir

Separados por 57 anos, menino e senhor trocam conselhos e experiências

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Com qual dessas duas frases você concorda mais?

  1. Se conselho fosse bom, não se dava. Vendia.
  2. Nascemos com duas orelhas e uma boca que é para ouvir mais do que falar.

Apesar dessas duas afirmações populares não serem exatamente opostas, a filosofia que lhes cerca é antagônica.

Nesta vida, nos tornamos eternos insatisfeitos. O que nem sempre é ruim, afinal de contas, são os nossos desejos de mudança que fatalmente provocam mudanças. É o que nos faz caminhar. O que quebra nossa inércia. Por outro lado, essa sensação constante de insatisfação nem sempre é boa.

Quando nascemos, mesmo com a única certeza da morte, a perspectiva de que ainda temos muito tempo de vida nos ilude, ludibria. Queremos caminhar rápido, queimar etapas, chegar logo.

— Papai, já chegou?

— Não filho.

— E agora?

— Não filho.

— Tá chegando?

— Não!

Quando finalmente crescemos, temos saudades. Queremos aproveitar a juventude. Fazer coisas que, infelizmente, fomos burros o bastante para ter deixado de fazer quando podíamos. Passamos a conviver com o infeliz arrependimento de não ter feito algo. Queremos rejuvenescer. Atrasar o envelhecimento. Alguns, inclusive, se negam a amadurecer.

Quando crianças, queremos ser considerados adolescentes.

Quando adolescentes, queremos logo ser adultos.

Quando adultos, queremos voltar a ser criança.

Sábios são aqueles que conseguem aproveitar os prazeres de cada idade e amadurecer com seus problemas. A pressa para se tornar alguma coisa que ainda não somos faz com que deixemos de fazer ambas as coisas bem feitas.

Por isso, decidi aceitar o conselho de ouvir mais do que falar. Me desesperei ao ler esse texto e me encontrar fazendo isso em tantas situações. Decidi, portanto, que queria escrever sobre isso para compartilhar esse sentimento com vocês. Me faltava a oportunidade.

Essa oportunidade chegou.

Dentro dessa história toda de ouvir mais do que falar corre a falsa crença de que nós temos que escutar os mais velhos. Bem, crença apenas parcialmente falsa. Devemos escutar os mais velhos, os mais novos, os contemporâneos. Devemos escutar a todos.

Quem nunca se deparou com a sabedoria dos próprios avós? Quem nunca se surpreendeu com a perspicácia de uma criança? Quem nunca ouviu de um colega despretensioso a solução para o que incomodava?

É exatamente sobre isso do que se trata este vídeo, a minha oportunidade, sabedoria transmitida entre gerações. Um papo sério. De menino para senhor, e vice-versa.

Faça bom proveito.

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publicado em 20 de Janeiro de 2016, 22:00
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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