"O que aprendi com as Artes Marciais", com Yasin Mengüllüoglu

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No início deste ano o Gil Eanes me contou que estava para receber a visita de um amigo – o lutador e artista marcial Yasin Mengüllüoglu, que viria da Alemanha para conhecer o Brasil, reencontrar amigos, treinar e passear.

Eu já tinha ouvido falar de Yasin e da sua trajetória incrível como artista marcial, sabia que foi aluno de professores lendários em diferentes países, que foi desde lutador profissional de MMA até professor e segurança pessoal do rei da Arábia Saudita, e, além de tudo, tem um grande interesse em integrar artes marciais e práticas contemplativas.

Não demorou para que o interesse da rede fizesse surgir um encontro bonito com o pessoal do lugar, que aconteceu em junho passado na academia da Pretorian Hard Sports. No dia posterior ao evento, nos encontramos novamente para uma conversa solta, onde Yasin nos contou um pouco da sua visão e experiência. Essa conversa foi registrado pela Luiza de Castro e depois editada de forma incrível pelo Kaluã Leite, que nos presenteou com este novo vídeo da série "O que aprendi".

 

Algumas falas:

 

Ser um bom artista marcial é, primeiro, ser um bom ser humano. Um bom lutador não é um bom artista marcial. Ele precisa saber a respeito de todos os aspectos da vida.

Porque o objetivo de um ser humano, de todo ser humano, é ser feliz. Estar em harmonia consigo mesmo. E quando ele está em paz consigo mesmo. Quando está em harmonia, quando tem bastante e boa energia, um bom artista marcial, um bom professor pode ajudar e dar energia para outras pessoas.

 

Cada estilo tem seu aspecto positivo, e também seu aspecto negativo. Em competições há muitas regras, então ao tentar ter sucesso nas suas próprias competições, você se fecha, não pode se expressar completamente. Um wrestler não sabe sobre Boxe, uma pessoa de Jiu-Jitsu não sabe sobre chutes e cotovelos e joelhos, e tudo mais.
Então eu acho que é preciso saber, mas isso custa tempo e conhecimento, e você tem de começar com uma arte marcial. E se você deseja lutar com menos regras, tem de aprender de tudo, cada aspecto positivo das artes marciais.

 

Se você tem um entendimento sobre os seres humanos, você pode se adaptar facilmente. Então, normalmente, a melhor coisa é ter essa compreensão, estudar o ser humano, as diferentes situações, estudar sobre agressividade, sobre a linguagem corporal. Não é fácil, é preciso dedicar tempo pra isso.

 

A melhor coisa, quando você for atacado, é se adaptar, saber como as coisas vão. O melhor, quando você entra numa situação muito perigosa, é: se você pode fugir, fuja.

Porque o objetivo de todo mundo é chegar em casa são. Eu quero chegar em casa sem nenhum problema, chegar em casa são, feliz. Este é meu objetivo. Eu não quero lutar, tentar fazer bonito numa briga de rua ou alguma coisa assim. A meta é chegar em casa bem e feliz.

Então estar calmo e tudo mais, é muito importante. Ter controle, como quando se está dirigindo, você não pode ficar agressivo e sem controle, porque você se acidenta. O mesmo é na vida, com as pessoas, nas relações. Quanto mais calmo você está, mais pode ver e ouvir.
É difícil encontrar um professor muito bom de artes marciais. As pessoas não sabem, mas normalmente tem a ver com a atenção. Atenção do mestre, do professor para o estudante. É preciso dar atenção, dar tempo, se importar com a pessoa, com o ser humano. Se importar não só durante a aula, mas ajudá-lo na vida, se puder, com compreensão, você tem que fazer isso. Estas são qualidades de um bom professor de artes marciais.
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Obrigado!

Eu sempre me sinto feliz e com muita sorte por poder ter contato e aprender da presença de grandes praticantes e professores de tradições diversas – de artes marciais, de mente, ritmo, desenho... Pessoalmente, considero esse processo presencial muito enriquecedor e até necessário. Uma alegria maior ainda, pra mim, é poder dividir essa experiência com mais gente e ver que ações assim impactam pra valer a vida de algumas pessoas.

Agradecemos imensamente ao querido Yasin, por sua disponibilidade e presença tão boa. Agradecemos à Pretorian, ao Fabiano Liporoni e ao André Galdino, que nos apoiaram e nos receberam tão bem na sua academia incrível. Agradecemos à incansável Luiza de Castro, videomaker do PapodeHomem, ao Kaluã Leite e Max Machado da Monstro Filmes pela paciência sem fim e edição primorosa. Agradecemos especialmente a cada um que participou do encontro e a todo mundo do lugar e do PapodeHomem.

Às vezes não parece, mas coisas assim movimentam muita, muita gente. E sem a generosidade e confiança de cada um, estes encontros – com tudo que eles desencadeiam – simplesmente não seriam possíveis.

E, em tempo, se você se interessa por artes marciais, se já treina ou gostaria de começar, encontrar bons professores, grupos e parceiros, recomendo de coração uma conversa com o professor Gil Eanes Vivekananda, e sei que ele ficará muito feliz com seu contato.

Quer colocar isso em prática?

Para quem está cansado de apenas ler, entender e compartilhar sabedorias que não sabemos como praticar, criamos o lugar: um espaço online para pessoas dispostas a fazer o trabalho (diário, paciente e às vezes sujo) da transformação.

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publicado em 28 de Novembro de 2013, 06:01
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Fábio Rodrigues

Trabalha em espaços onde se pode aprender como melhorar as relações, cultivar o mundo interno e florescimento humano — sem oba-oba, com os pés no chão do cotidiano. Coordenador do lugar, tutor no CEBB Joinville, professor do programa Cultivating Emotional Balance, artista visual, pai do Pedro.


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