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Ainda não sabemos ficar sozinhos!

Um vídeo ótimo evidencia bem nossa distração constante e nos faz relembrar outras falar importantes que tivemos aqui no PapodeHomem

Os famigerados celulares, transformados em maiores amantes e vilões dos dias de hoje. O smartphone está com você para o que der e vier, desde que tenha bateria. Acorda contigo, te acorda e vai dormir ao seu lado. Se você quer um tempo (duvido), ele te dá o espaço necessário.

Pessoas exageram seu uso. O Louie C.K. comentou isso e publicamos no PapodeHomem:

"I think these things are toxic, especially for kids...they don't look at people when they talk to them and they don't build empathy. You know, kids are mean, and it's 'cause they're trying it out. They look at a kid and they go, 'you're fat,' and then they see the kid's face scrunch up and they go, 'oh, that doesn't feel good to make a person do that.' But they got to start with doing the mean thing. But when they write 'you're fat,' then they just go, 'mmm, that was fun, I like that."

Louis C.K. sobre celulares e nossa cultura da distração | Pare tudo #7

Para entender melhor, assista ao vídeo abaixo ou veja as imagens que seguem:








A cultura da distração. A mente fica distraída o tempo todo, desacostuma com o foco e com o nada, fica cada vez mais viciada em letargia e mais arredia à lucidez. A gente não opera mais direitinho. 

Culpa dos celulares?

Não é sobre celulares e redes sociais, é sobre nós

Calhou de ser essa tecnologia, mas qualquer coisa poderia evidenciar e potencializar nossa infinita capacidade de se perder, de se distrair, sofrer e fazer sofrer.

Fico sempre com a mesma pergunta: por que não paramos logo com tanta distração? Por que escolhemos, de novo e de novo, um dia cheio de entretenimentos? Por que é tão difícil encarar a tristeza, a solidão, a inadequação, o silêncio, o tédio, a morte, a realidade?

Não sabemos ficar sozinhos!

É preciso retomar a noção de estar só, o gosto pela solitude (não solidão), o estado silencioso e imóvel. Ruído há em toda a parte e é fácil demais cair no espiral de distrações e, como disse o Louie no vídeo linkado, "não estar nem completamente triste e nem completamente feliz". 

Psicólogos das Universidades de Harvard e da Virgínia fizeram um experimento e conduziram 55 pessoas até uma sala silenciosa e tranquila:

"A maioria das pessoas considerou desagradável ficar sozinha e sem nenhum entretenimento por períodos de 6 a 15 minutos. Dois terços dos homens e um quarto das mulheres julgaram o exercício tão insuportável que preferiram aplicar leves choques elétricos em si mesmos para se distrair. Em um caso, um homem apertou o botão que liberava o choque 190 vezes."

São quase 13 choques por minuto, dois choques a cada 10 segudos. Pessoas não conseguem ficar 10 segundos paradas. É preciso retomar a noção de estar só, o gosto pela solitude (não solidão), o estado silencioso e imóvel.


publicado em 31 de Maio de 2015, 09:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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