Alabama Shakes | Eu ouvi pra você #11

A banda lançou o disco que você vai ouvir pelo resto do ano

Essa é a primeira vez que violo meu voto de só escrever sobre bandas nacionais, mas asseguro que é por uma boa razão.

A primeira vez que ouvi o Alabama Shakes faz algum tempo. E lembro bem da sensação de ter encontrado algo especial. 

Não só a banda tinha um primoroso trabalho instrumental fincado na nostalgia que me lembrava um pouco um Creedence ou Lynyrd Skynyrd, mas também contava com uma vocalista que, meus amigos, definir como incrível é pouco. 

Tenho a impressão de ter sido sugestão do amigo Rafael Nardini, mas confesso que agora me falha a memória. O importante é que tive a validação da extrema competência da banda ao vê-los no Lollapalooza de 2013, no Jockey Clube de São Paulo. 

Ali, no palco alternativo, eles fizeram sua apresentação de uma hora que me trouxe uma sensação que costumo atribuir aos shows de bandas realmente "grandes", no sentido mais histórico da palavra: as coisas pareciam ter saído do chão e do tempo enquanto eles tocavam.

Nesse período, eles foram os queridinhos de todos os blogs independentes e grandes veículos de música no mundo todo pelas características que venho citando até aqui e pelo hit "Hold On". Não fui o primeiro a rasgar seda para eles e, com certeza, não vou ser o último. 

Pulemos para 2015.

Eles estão em vias de lançar um novo disco, cujo processo criativo já me fascinou desde o princípio. Em entrevista para a Rolling Stone, o baixista Zac Cockrell diz ter passado por maus bocados enquanto tentava alguma aceitação com os amigos em relação ao novo material que vinha compondo. "Eles ficavam meio 'ehr... ok.' Eu não acho que eles gostaram. Então, eu finalmente desisti de compartilhar com as pessoas."

Essas reações eram resultado do processo de mudança pelo qual eles estavam passando. Foram meses trabalhando em cima de algo que eles não faziam ideia de qual resultado traria. E essa era justamente a ideia.

Então, se você já os conhece e espera uma repetição das fórmulas que ouviu no primeiro, talvez esteja prestes a ter uma decepção. Mas, se a sua pegada é justamente observar o quanto um grupo de músicos consegue crescer e se renovar musicalmente, pisando com firmeza no próprio território para se impulsionar rumo a uma nova zona criativa, esse disco é muito para você. 

Sim, falo com uma empolgação quase infantil, pois essa é a energia que está fluindo enquanto ouço o álbum e escrevo. Evito me estender muito para deixar espaço para as suas próprias conclusões. 

Mas aviso:

Eles são o tipo de banda que faz a gente se orgulhar de estar vivo nesse exato momento da história.

Sound & Color (2015)

Infelizmente, o disco ainda não está disponível para embed em sites externos, mas o NPR (revista de música que você deve acompanhar, se gosta do assunto e quer se manter atualizado), disponibilizou antes de todo mundo o streaming. Vai lá ouvir.

Ao vivo

Essa apresentação é uma boa demonstração de como eles soavam na época do primeiro disco, Boys & Girls.

Como acompanhar a banda e ouvir mais

Quer compartilhar um som?

Uma das coisas mais legais e íntimas, pra mim, é compartilhar o que estou ouvindo. E acho o máximo quando alguém faz o mesmo comigo.

Nesse espírito de brodagem, sem compromisso, mas com amor no coração, achei que talvez fosse legal transformar esse impulso em uma coluna no PapodeHomem. Assim, aqui estou eu, compartilhando com vocês desse novo espaço: o Eu Ouvi Pra você.

A ideia é trazer quinzenalmente uma nova sugestão musical para se ouvir durante o dia, com todos os links que você precisa para conhecer e acompanhar de perto do trabalho do artista/músico. 

Se você tiver alguma sugestão ou tem uma banda e gostaria de figurar por aqui, é só mandar um e-mail no euouvipravoce@papodehomem.com.brcom tudo o que tem para mostrar.


publicado em 15 de Abril de 2015, 00:05
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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