André Akkari: pôquer, (in)sanidade e paciência

Existem milhares de profissões que demandam muitos tipos de habilidades e também possuem diversas nuances e sutilezas. E, caso você queira ser bom no que faz, é preciso dedicar muitos dias lapidando estas técnicas e qualidades. Ser jogador de pôquer é uma delas.

Batemos um papo com o André Akkari, jogador de pôquer brasileiro que tem uma puta trajetória. Era programador e, quase por acaso, acabou encontrando no pôquer um hobby que mais tarde se tornaria sua profissão.

Link Youtube

Em seu site oficial tem um pequeno resumo da sua carreira:

Algum tempo depois de ter deixado sua carreira para jogar poker ao vivo, ele já obteve a prova do sucesso e começou a faturar em torneios pela América do Sul e em outros lugares.
Seus grandes resultados vieram em Las Vegas em 2006, André causou um grande impacto na Bellagio Cup, vencendo dois eventos e recebendo importantes prêmios em dinheiro.  Ele também foi premiado no PokerStars Caribbean Adventure em Janeiro de 2008, levando para casa $16.000 por ter terminado entre os 100 melhores.  Mais tarde, em 2008, André terminou em 2º lugar no evento $10.300 HORSE da WCOOP, recebendo um prêmio de $200.000.
Então, ele fez uma intensa corrida no nível-baixo do Evento Principal da Copa Primavera de Poker Online 2010 (SCOOP), e acabou terminando em 5º para faturar um prêmio de $57.564.

Algumas citações interessantes:

Quando eu decidi jogar pôquer, quando decidi virar profissional do jogo, tive a missão de contar pra minha esposa, minha mãe, meu irmão, minhas filhas, que eu ia virar jogador profissional de pôquer, o que há seis, sete anos não era uma missão tão fácil.
O pessoal tem uma história de alguém que perdeu não sei quanto no jogo. E até você provar que o pôquer não tinha nada a ver com essa história, que era um outro tipo de jogo, era um outro tipo de esporte da mente, e que a habilidade fazia a diferença e que não tinha nada a ver com jogo de azar, que é aquilo que gerou aquela informação ruim no passado, é difícil. Você precisa de muita informação e principalmente de muito resultado para convencer aquelas pessoas de que aquilo é de habilidade mesmo.

Às vezes você acaba dando uma descidinha no gráfico. O que eu faço, normalmente, é me afastar do jogo. Ou seja, me afastar do meu esporte. Eu acabo dando um tempo, vou fazer coisas que façam com que a minha cabeça volte num 'mode' bom, num 'feeling' legal, num se sentir bem. Essa é uma arma que eu desenhei para mim mesmo. Ela é customizada, personalizada. Quando eu faço isso, as coisas acontecem. Às vezes eu fico dois, três dias afastado do pôquer para que eu volte com a cabeça boa e volte a tomar as atitudes corretas.
O pior para um jogador de pôquer é você tomar as atitudes erradas. Isso é muito triste. Por que você sabe a coisa certa a fazer e, de repente, você faz a coisa errada por algum motivo. Por tilt, por falta de concentração, falta de foco. Isso é muito ruim, isso realmente me tira do eixo. Quando eu vejo que joguei mal uma sessão, provavelmente eu fico dois ou três dias sem jogar para por a cabeça no lugar.

Se você me perguntasse se eu tenho medo de perder essa sensibilidade, de perder esse controle emocional. Eu não tenho medo, não tenho esse receio. Acho que fui desenvolvendo um conhecimento do jogo que faça com que eu entenda até quando eu não entendo.
Até quando tem jogadas que são boas e eu não consigo entender, sei o que eu preciso fazer para ir buscar aquela informação e adquirir aquele conhecimento para colocar no meu jogo. Eu sei que tudo isso demanda tempo. E as pessoas são muito contra o tempo. Elas querem as coisas imediatas, elas querem coisas que aconteçam naquele momento.

* * *

Nota do Editor: Ainda estamos em um processo de afinar as pautas e descobrir o tom e ritmo das nossas produções em vídeo. Gostaríamos muito de saber o que acharam da qualidade do papo que gravamos. Queremos fazer mais produções originais como essa e o retorno de vocês é essencial para nos orientar.


publicado em 07 de Março de 2013, 08:51
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Luciano Ribeiro

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Instagram.


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