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Brega e Tecnobrega paraense: uma viagem “pai d'égua” em 40 músicas

Pra dançar agarradinho

O Pará rendeu contribuições em diversos estilos no campo musical, seja na música erudita (Waldemar Henrique, Gentil Puget),  MPB (Sebastião Tapajós, Salomão Habib, Fafá de Belém, Leila Pinheiro), e no rock (Stress, Madame Saatan, Strobo, Vinyl Laranja, Turbo).

Mas foi na música popular de massa que o Pará ofereceu estilos que atraíram a atenção do resto do Brasil, e até internacionalmente. Carimbó (patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde setembro de 2014), Lambada, e o brega paraense (patrimônio imaterial artístico e cultural do Pará desde 2013), de formas diferenciadas, quebraram, parcialmente, o “isolamento” que a região norte por vezes é recebida por outros locais do país.

O brega paraense (que tem a mistura de diferentes estilos como uma de suas principais características) há décadas não é somente o principal (obviamente não o único) estilo musical consumido pelas massas de parte do estado. Depois de diferentes vertentes e propostas, ele se tornou um dos gêneros mais bem estruturados no âmbito da comercialização informal de sua música.  Essa breve lista (incompleta, mas que, para apresentar ao leigo o que é o estilo, quebra o galho) contará a evolução do brega no Pará, dos primórdios até os subestilos mais recentes.     

Apesar do gênero ter tido evolução em diferentes cidades do estado (chegando a ter execução em locais como na Ilha de Marajó, Santarém e Paragominas, e mesmo em cidades mais afastadas como, por exemplo, São Geraldo Do Araguaia e Altamira, que ocasionalmente abriram espaço para shows do estilo), o foco será na capital Belém, que aglutinou (com rádios, gravadoras, televisão, camelôs, etc.) as principais tendências do brega paraense, além de servir de porta de entrada para a exibição, comercialização e disseminação de sua música.  

O critério de escolha das músicas foram duas: a primeira, selecionando aquelas consideradas importantes “marcos” para o gênero, e a segunda foi as que ouvi e curti nas festas de brega/música regional (ou de outros estilos, onde não raro você escuta alguma coisa bregueira no meio), e nas aulas de dança de salão (o foco do estilo, desde seus primórdios, liga-se muito a dança, seja agarrado, solto ou passos ensaiados).  

Origens:  Guitarrada / Lambada/ Brega saudade

O brega paraense tem seu marco inicial com a consolidação de três estilos musicais.

Primeiramente as guitarradas, surgidas nos anos 1970 no baixo rio Tocantins, com, basicamente, composições instrumentais caracterizadas pela fusão da cúmbia, merengue e carimbó, apresentando também influências de choro, maxixe e da Jovem Guarda.

Já a lambada seguiu por um caminho sonoro parecido, porém se afastando gradativamente das guitarras e caindo sua sonoridade aos instrumentos de sopro, violões acústicos e mais focado aos ritmos caribenhos.

Por último, uma geração de músicos românticos, ligados diretamente ao brega tradicional predominante nas camadas populares do norte e nordeste, que despontaram entre o fim dos anos 1970 e meados dos 1980- destaque para Emanoel Vágner, Juca Medalha, Cleide Moraes, Fernando Belém, Gilberto Lemos, Francis Dalva, Ari Santos, entre outros- obtendo considerável sucesso comercial em terras paraenses. Alguns deles estão até hoje em atividade, com músicas ainda executadas em rádios e bailes com aparelhagens (Siqueirão, Búfalo do Marajó, Cineral, Rubi, Tupinambá, entre outros), no que é chamado pelo público, carinhosamente, de “brega saudade” / “Flash brega”.  

Os três estilos mantiveram boas relações sendo que, por vezes, os músicos dessas cenas “trocavam figurinhas”, participando e produzindo discos de colegas.

1. Pinduca – Lambada (Sambão)

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Primeira gravação conhecida da lambada, feita pelo rei do Carimbó e Sirimbó em 1976.

2. Aldo Sena – Lambada complicada

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Já a guitarrada, com seu marco inicial no disco “Lam­bada das quebradas”, de Joaquim Vieira (Mestre Vieira), de 1978, possui longa atuação no estado, atualmente representada por músicos como Pio Lobato, Félix Robatto e os grupos La Pupuña e Mestres da guitarrada. Aldo Sena (ou Carlos Marajó) foi um dos primeiros seguidores de Vieira, que, sob estímulo de Carlos Santos, gravou uma série de influentes discos, a partir de 1980 , que ajudaram a popularizar a cena.

3. Solano e seu conjunto – Ela é americana

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Com mais de 60 anos de carreira, Mestre Solano, um dos precursores da guitarrada, faz uma interessante mistura de estilos em um de seu maiores sucessos.

4. Beto Barbosa – Beijinho na boca

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Na segunda metade dos anos 1980, uma geração de cantores definiria a lambada no Pará, aproveitando a explosão do estilo no final da década. Entre diferentes artistas (José Orlando, Jô Santana e o maranhense Beto Douglas), o que, merecidamente, obteve maior sucesso na época foi Beto Barbosa, que uniu arranjos eficientes, boa produção e letras sensuais. Seu sucesso foi uma espécie de contraponto paraense a “adaptações” do estilo feitas na Bahia e pelo grupo francês Kaoma.  

5. Banda Warilou – Negrita linda

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Da profícua cena de lambada no Pará, um dos grupos mais longevos é o Warilou, em atividade desde 1989.

6. Alípio Martins – Onde Andará Você

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Não somente um dos mais conhecidos e profícuos cantores paraenses, mas que também soube fazer boas composições (mesmo com letras muitas vezes caindo pro duplo sentido), unindo o brega com forró, lambada, merengue e guitarrada.

7. Frankito Lopes – Eu te amo meu amor

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O “índio apaixonado” teve alta rotação em bailes de brega e rádio paraenses, além de produtiva discografia durante toda a década de 1980.

 8. Magno – Amor, Amor

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O potiguar Magno, em sua estadia no Pará, ofereceu um dos bregas mais legais de dançar, e um dos hits mais tocados do estado em 1986.

9. Teddy Max – Ao pôr do sol

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Um dos hinos do brega saudade (eleito a música oficial dos 400 anos de Belém), interpretada por um de seus mais importantes cantores.

10. Mauro Cotta – Minha amiga

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O Santarense Cotta foi um dos nomes que despontaram no brega saudade na segunda metade dos anos 80,  oferecendo hits numa fase em que o estilo (junto com a guitarrada e a lambada logo depois) começava, no fim da década, a ter um decréscimo (temporário) de público e vendas de discos.

11. Banda Sayonara – Quem não quer sou eu

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Em atividade desde 1960, o grupo foi um dos grandes disseminadores dos ritmos que viriam a ser escutados pela massa belenense, sendo um dos primeiros a apresentarem o merengue, lambada, cumbia e as diferentes gerações de música brega para o grande público no Pará. A faixa acima é um do sucessos oferecidos pelo grupo.  

Brega marcante

Se o brega saudade, lambada e guitarrada trocaram olhares, até rolando paquera em alguns momentos, uma nova geração de “bregueiros” oficializaria o namoro desses estilos no início dos anos 1990.

Dois discos são considerados importantes marcos de consolidação dessa nova fase: “Ator Principal” (1996) de Roberto Villar – no que viria a ser conhecido como “brega pop”- , e o primeiro disco do grupo Calypso (1999), composto pelo duo Joelma e Chimbinha, marcando a entrada do “brega calypso”. Contudo, artistas e sonoridades desses tipos de brega se mesclaram, e, atualmente, a música produzida a partir dos noventa foi unificada pelo público paraense no termo “Brega marcante”.

Villar (que reuniu músicos importantes para a cena), Chimbinha (profícuo guitarrista, seguidor de mestre Vieira e Aldo Sena, e que participou em mais de 500 discos de brega/guitarrada) e Tonny Brasil (principal letrista da cena) foram a ponta de lança de uma geração de músicos que ajudou a revitalizar o estilo, não só fundindo o brega tradicional com a lambada e guitarrada, mas com estilos como merengue, cumbia, Calipso e do pop rock/ new wave oitentista (neste último com constantes regravações de hits internacionais, tendência até hoje forte no brega paraense). A fórmula mostrou-se acertada, e seria utilizada, ad nauseum, por quase uma década (e aproveitada pelas tendências bregas posteriores).

Outro importante aspecto é que os músicos ligados às marcantes também seriam os primeiros a expandir o leque de opções a exibição e comercialização de sua música, informalizando, aos poucos, a relação com os estúdios, produtoras de CDs, profissio­nais de gravação e marketing, rádios AM e FM, aparelhagens, programas de televisão, lojas e camelôs. A tática, arriscada porém bem planejada, deu frutos:  Calypso, ao investir independente em seu primeiro CD, vendeu meio milhão de cópias, músicos como Roberto Villar criaram seus estúdios e saíram da dependência das grandes gravadoras, e artistas localizados chegaram a se apresentar em programas como Ratinho, Raul Gil, Adrianne Galisteu, Domingão do Faustão e Ana Maria Braga.

Uma renovada geração de casas de show (A Pororoca, Xodó, Mauru’s, Kuarup) programas de rádio - Alô Belém (99FM), Na Batida, Brega Pai d'égua e Brega Mania (Rauland FM), Mexe Pará e tá bonito, tá bonito (Marajoara)- e programas de TV- novamente, ligados a Carlos Santos-, também foram importantes na divulgação da cena. A base que daria a força e visibilidade ao Tecnobrega teve suas raízes nessas iniciativas.         

12. Roberto Villar – Profissional Papudinho

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Atualmente ligado a música gospel, Villar foi um dos primeiros artistas a indicar o “caminho do ouro” para o brega, a partir da junção de diferentes elementos musicais.

13. Fruto Sensual – Está no Ar

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Joelma não foi a única, muito menos a primeira, “musa” do Brega, tivemos, por exemplo, a “rainha das aparelhagens” Valéria Paiva (também precursora do Tecnobrega).

14. Xeiro Verde – Beijo Bom

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Idem para Hellen Patrícia, líder do grupo Xeiro Verde.

15. Lenne Bandeira – Nego lindo

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Como também a experiente Lenne, atualmente ligada ao Arrocha.

16. Banda Amazonas – Traficante

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E Michelle Amador, ex-líder da banda Amazonas.

17. Calypso – Dançando Calypso

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Mas fora do Pará, Joelma e seus cabelos esvoaçados, junto com a guitarra de Chimbinha, foram as principais marcas do brega marcante. O final constrangedor do duo, em 2015, obscureceu uma carreira marcada pela regularidade e boa promoção do estado feita pela dupla. O sucesso fez surgir “seguidores” (Calypso do Pará, Companhia do Calypso) e estímulo para o estilo vindo de empresários e gravadoras.  A música acima continua sendo um dos maiores sucessos da banda.

18. Alberto Moreno  -  Fazer amor contigo

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Em atividade desde o final dos anos oitenta, o produtivo Alberto fez músicas bregas bem legais para dançar, como a acima.

19. Kim Marques – Dança do brega

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Idem para Kim Marques, também produtivo e com canções legais para bater coxa.

20. Wanderley Andrade – Conquista

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Principal hit do “ladrão de corações”, marcado pelo visual extravagante e um arsenal de sucessos no decorrer da carreira.

21. Nelsinho Rodrigues – Gererê

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Outro cantor brega que possui um acervo considerável de sucessos é Nelsinho Rodrigues. Gererê é sua música mais conhecida, que chegou a ser tocada até no carnaval da Bahia.

22. Edilson Moreno - Não me Deixe só

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E até Bob Marley (No Woman, No Cry) caiu no brega paraense.

23. Dilson Monteiro – Eterno amor

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Versão paraense para a faixa “Forever Young” do Alpha Life.

24. Banda Tribus – Gringo lindo

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Faixa que bate ponto em eventos de brega marcante em Belém.

25. Aninha – Odalisca

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Faixa que lembra um pouco canções do grupo Calypso ou produzidas pelo Chimbinha...bem, essa é a intenção (e a melodia é boa pra dançar).

26. Los Bregas – Bole rebole

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Das práticas de regravação de canções gringas feitas pelo estilo, uma das mais curiosas é essa faixa do conjunto Los Bregas, reaproveitando “Das Model” do grupo alemão Kraftwerk.

Tecnobrega/ Tecnomelody

As origens da inclusão de elementos eletrônicos (primeiramente a partir de teclados, depois samplers e computadores) no Brega datam do início dos anos 1990, a partir de iniciativas de compositores de brega marcantes, especialmente Tony Brasil, e de DJs como Luiz Nascimento. Foi entre 2002-2003, contudo, que o gênero tecnobrega/ tecnomelody ganhou forma e consolidou sua entrada no mercado paraense. Os DJ Dinho e Maluquinho, Viviane Batidão, Junior Rego, e grupos como Tecno Show são considerados alguns nomes que ajudaram na consolidação da vertente mais bem-sucedida do brega.

Estúdios caseiros, produtoras e gravadoras independentes, troca de material entre músicos, DJs, radialistas e aparelhagens fora dos canais formais de distribuição, além da comercialização de material do gênero a partir de camelôs e do comércio pirata consolidou um forte canal de disseminação do Tecnobrega, que não sem tensão e problemas, criou um dos mais interessantes mercados abertos e alternativos de música no país, até hoje atraindo a atenção da imprensa brasileira e internacional. Outra consequência interessante foi a produção, a partir do fim dos anos 2000, de teses e dissertações discutindo não só o Tecnobrega, mas resgatando as raízes do estilo, chegando as guitarradas e lambadas.

Mas nem tudo são flores...quanto mais a cena se fortalecia, ou melhor, quando as batidas ficavam cada vez mais fortes e rápidas, críticas, vindas de parte do público e de alguns músicos, surgiram. Isso ocorria principalmente por conta das letras, que por vezes caíam num duplo sentido, e pela repetição demasiada de samplers e elementos sonoros. Cita-se que  a primeira geração do tecnobrega mantém boa relação com músicos ligados às marcantes (onde alguns deles lançaram trabalhos caindo para o tecnomelody) e, que, não raro, artistas de ambas as vertentes tocam juntos em eventos do estilo.  

27. Raylleide – Transa Som

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Um dos “marcos zero” do tecnobrega, onde percebe-se a influência de teclados em detrimento de samplers (que só chegariam um pouco mais tarde).

28. Banda Quero Mais - São amores

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Um dos primeiros “clássicos” do estilo, até hoje bem executada em festas e eventos bregas (“pei, pei”, “pei, pei, pei”...)

29. Viviane Batidão – Vem meu amor

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Viviane foi uma das primeiras “musas” do Tecnobrega, nessa faixa mostrando tanto os elementos que marcam o tecnobrega mas também um pouco do brega marcante.  

30. Dj Maluquinho – Val pescador

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Maluquinho foi não somente um dos precursores do tecnomelody, mas um dos primeiros a acelerar a batida das canções, com bons resultados em seus primeiros trabalhos.

31. Gaby Amarantos – Xirley

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Principal ícone do Tecnobrega paraense, Gaby, desde sua participação na banda Tecno Show e em sua empreitada solo, sempre  investiu nas possibilidades que o mercado informal paraense poderia oferecer, além de expandir o leque de colaboradores, compositores e produtores para além da cena brega, o que lhe rendeu um trabalho consistente e merecido sucesso nacional (com direito até a trilha de novela).  Xirley, além do clipe interessante, que mostra um pouco do funcionamento do cenário tecnobrega, a letra apresenta, malandramente, um pouco do clima que impera nas produções e divulgação do gênero :“Eu vou samplear, eu vou te roubar”.    

32. Gang do Eletro – Velocidade do Eletro

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A Gang foi a banda que consolidou o eletromelody -ou o tecnomelody de alta velocidade, com fortes batidas eletrônicas -. Liderada pelo DJ Waldo Squash, apresenta uma proposta que diverge um pouco do que é comumente visto no subestilo. O grupo obteve repercussão e reconhecimento fora do Pará, chegando a participar da cerimônia de abertura das olimpíadas no Rio de Janeiro.

33. Banda Batidão – Eu fiz tudo errado

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Formada em 2009, o grupo foi uma das primeiras bandas tecnomelody/eletromelody a diminuir o ritmo das batidas, focando nas letras e em sonoridades mais consistentes.  

34. Banda Djavu – O que pensa que eu sou

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O sucesso do Tecnobrega fez com que empresários de outros estados (especialmente Pernambuco e Bahia) investissem em grupos do estilo. A baiana Djavú foi a mais bem sucedida, chegando a ser a banda tecnomelody mais ouvida do país em 2010. Mas esse sucesso veio recheado de polêmicas, com acusações de estratégias escusas de promoção, roubo de ideias de bandas paraenses, coroada com afirmações infelizes da banda de que o tecnobrega na verdade vinha da Bahia. Após protestos da mídia e cena paraense, a banda se retratou e entraria num clima de “término e volta” nos anos seguintes, as mágoas foram esquecidas, e a música acima é tocada sem problemas nos bailes bregas do Pará.     

Tecnomelody – aparelhagens

O principal símbolo de sucesso do tecnobrega/ tecnomelody vem das aparelhagens. Com origens nos anos 1950, sua consolidação profissional e de “ponte” ou “intermediário” entre as bandas, mídia, público, produtores e camelôs ocorre a partir de meados dos anos 1980, mas, principalmente, com a ascensão da geração marcante. Hoje em dia as mesmas são consideradas o local onde o tecnobrega mostra sua força, também atraindo atenção da mídia brasileira e internacional, com uma infraestrutura que muitas vezes iguala a dos gigantes do funk carioca ou do forró eletrônico, com festas de grande porte ocorridas muitas vezes na periferia de Belém e em outras cidades do Pará.

Porém, nem todas as 450 aparelhagens em funcionamento no estado (dados de 2013) possuem uma relação amigável entre si, além de não funcionarem sem dificuldades, - na verdade até as grandes como Crocodilo e Super Pop por vezes penam para manter sua hegemonia - . Acusadas ocasionalmente de bagunçadas, violentas ou “excessivamente agitadas”, em parte pela sua associação a MCs do funk e do pancadão ostentação, tanto a violência nos bailes quanto o conteúdo explícito das letras (por enquanto) são bem menores se comparadas ao funk carioca e o pancadão paulista.

35. MC Dourado & DJ Méury – Toma bicada

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Pancadão dançante promovendo a equipe Super pop.

36. MC Dourado & Mr. Catra – Faz a Boquinha do Animal

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Parceria do MC dourado com o impagável Catra, que, em mais de uma ocasião, elogiou o “clima quente” paraense, principalmente na cidade de Salinópolis.

Melody / Arrocha

Nos últimos anos, mantendo a tendência de assimilação do brega a outros estilos, o Arrocha e o sertanejo universitário também foram incluídos na musicalidade das bandas, onde, com uma pegada mais lenta e letras “sofrência”, o brega (parcialmente) voltava ao clima de sua fase mais romântica. Em relação ao Melody, uma geração de bandas diminuiu a velocidade da batida de suas canções, revitalizando elementos ligados ao brega marcante.   Não foi exatamente uma “volta às origens”, mas a continuidade de fórmulas que garantem o sucesso comercial do estilo, expandindo o leque de ouvintes, ligados tanto ao tecnobrega quanto ao que foi produzido pelo estilo a partir dos anos 1980.  

37. Bruno e Trio – Garimpo

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Experiente grupo que percorreu diferentes vertentes, indo do brega marcante ao tecnobrega e melody, e caindo para outros estilos, na faixa acima bachata e (uma pitada de) reggae.

38. Banda AR-15 – Meu vício

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Atualmente um dos principais grupos melody paraenses, ocasionalmente apresentando canções ligadas ao arrocha.

39. Banda 007 – Ele não vai mudar

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Já a banda 007 é a Principal banda de brega arrocha no Pará, por vezes caindo para o melody.

40. Banda Açaí pimenta – Chuva de arroz

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Seguida pelo Açaí pimenta, um dos mais promissores grupos do gênero.

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Dicas de leitura

Paulo Sérgio Araújo. Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar. Rio de janeiro: Record (2010). (Leitura obrigatória para entender a música brega/ cafona brasileira)

Salomão Larêdo. O palácio dos bares: Buate Condor, recanto encantado da Cidade Morena às margens do lendário Rio Guamá. Belém: Salomão Larêdo Editora (2003). (òtimo relato sobre a vida noturna de Belém).

Dicas de Vídeo

Inicialmente indico dois documentários que dão uma boa visão sobre a música brega/ cafona no Brasil, Vou Rifar Seu Coração (2011) e  Amor e Brega (2015)   

Focando em terras paraenses, cito o programa Central da Periferia dedicado ao Pará (2006) e o especial Música do Pará II (Da Guitarrada ao Eletromelody), da TV cultura do Amazonas (2014).

Um bom panorama da cena também pode ser visto na Web série Sampleados (2015), com clipes musicais reunindo diferentes gerações do brega paraense.

Ligado a geração “marcantes”, trecho da série Música do Brasil (1998), produzido pela MTV, dedicado ao brega paraense, com participação de Chimbinha, Wanderley Andrade e Kim Marques.

Em relação às “sonoras” tão ativas no estado, citam-se vídeos do pesquisador Darien Lamen sobre a pioneira Alvi Azul (2011) e dos precursores da aparelhagem no Pará (2014), trecho do programa Brasil Legal sobre as aparelhagens (1994), vídeo da equipe Tupinambá em ação em 1996, e uma boa coletânea sobre a evolução das aparelhagens entre os anos 1990 até 2014.

E o que não falta são matérias dedicadas ao Tecnobrega. Entre um diversificado material, citam-se os bons documentários Good Copy, Bad Copy (2007) Brega S/A (2009) e Conhecendo o Tecno Brega (2014), além de programas da  TV Brasil (2012), Canal Futura (2013), matéria do programa Atualíssima (2007), um episódio especial do programa A liga (2012), matéria do programa Domingo Espetacular, da Record - aqui o Tecnomelody chamado de “treme treme” (2015)-, e uma reportagem na Televisão Central da China (2013).

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Fiquem a vontade para críticas, elogios e sugestões!

A playlist completa pode vista aqui.


publicado em 04 de Fevereiro de 2017, 08:45
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Roberto Lopes

Arquivista, professor universitário e pseudo escritor de música nas horas vagas.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

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