Cardoso, 32, criativo e dono da Internet

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André Czarnobai é um daqueles sujeitos que você gostaria de conhecer desde o primeiro dia que acessou a Internet.

Criador do CardosOnline, autor do livro Cavernas & Concubinas (2005), produtor musical, jornalista e um dos criativos mais requisitados do Brasil, esse gaúcho de Porto Alegre (RS) tem um histórico que parece talhado para todas as séries focadas em inspirar o leitor do Papo de Homem.

O perfil acadêmico e profissional de André Czarnobai, mesclado com as lições detalhadas na entrevista abaixo, orientam o receptor de um modo não somente didático, mas também bastante encorajador. Portanto, leia esse post com a mente aberta. Observe as oportunidades. Aproveite ao máximo a lição motivacional comprovada pelo histórico brilhante desse camarada.

E descubra, de uma vez por todas, quem é o verdadeiro Cardoso.

Cardoso em uma das 17 fotos que mandou bebendo cerveja (Foto: Marcela Duarte)

1. Qual sua história? Fale um pouco sobre sua formação.

Cara, eu não lembro muito bem quando foi que me interessei por escrever propriamente, mas desde muito pequeno sempre tive muito interesse em criar coisas em geral. Lembro de inventar centenas de super-heróis (os nomes que me vêm à cabeça mais de imediato são "Aphoxé Two" e "Mungunzá", influência bizarra da Bahia que só fui visitar depois de barbado), elaborar projetos de carros e naves e plantas de mansões, castelos e quartéis quando era piá. De certo modo isso me fazia estar constantemente inventando também histórias para todas essas coisas que eu ia criando.

Durante muito tempo quis ser desenhista de histórias em quadrinhos. Tomado de uma inocência (e ignorância) constrangedora, me inscrevi num vestibular para o curso de jornalismo pensando que seria o caminho mais fácil. Não foi. Nos primeiros semestres de faculdade abandonei o desenho e passei a me concentrar na escrita. Não sei se dá pra dizer que o curso de jornalismo me ensinou a escrever, talvez dê pra dizer o exato oposto, mas fato é que as pessoas que conheci na faculdade e as coisas que fizemos fora dela (principalmente o CardosOnline, mas não só ele) me permitiram errar bastante, o que é sempre muito importante no processo de lapidação e refinamento de qualquer coisa.

Muito embora eu sempre tenha gostado de enciclopédias e dicionários, sempre fui muito mais um cara da intuição e da prática do que da instrução e da teoria. Dito isto, meus talentos são todos extremamente crus, desenvolvidos com base em uma metodologia de tentativa-e-erro sem vergonhas nem pudores.

Sempre preferi aprender com os meus erros que com os erros dos outros, um caminho que tem se revelado meio burro por vezes, mas cujos resultados acabam me agradando bem mais no fim das contas.

2. Quais foram seus mestres? Quem mais influenciou seu modo de pensar e viver?

Sempre tive essa coisa esquisita de não ter muitos ídolos, mestres ou gurus. A maioria das pessoas com quem convivo não titubearia ao elencar seus autores preferidos, os diretores que mais admiram e seus modelos de vida. Eu tenho uma enorme dificuldade. Talvez porque eu seja fruto de uma cultura extremamente fragmentada, de atenção dispersa e foco curto. Eu busco influências em muitas coisas diferentes. Por exemplo, gosto muito da sonoridade das músicas do Djavan, mas se tu me perguntares sobre as letras eu nem consigo citar nada.

A coisa que mais inspira o meu texto é o rap, mais especificamente o rap feito nos Estados Unidos durante os anos 90 (frequentemente chamado de "Golden Age"), ainda mais especificamente o rap feito em Nova York (East Coast) nessa época. Mas aí não é uma questão só da melodia ou da batida; tampouco das letras ou das temáticas. Tem muito mais a ver com a maneira com que as palavras se encaixam nisso tudo, as sonoridades e a música criada no encontro das sílabas, o rodopio mental que ela exige do ouvinte para uma compreensão mais profunda da coisa como um todo. É um troço muito complexo, mas pode ser visto como muito superficial.

Todavia, daí adizer que meus mestres vem do mundo do hip hop há uma enorme distância. Meus mestres também vem do mundo do hip hop, mas eles estão no cinema, nos programas de TV, nos desenhos animados, nas histórias em quadrinhos, nos video-games e também na química, na neurologia, na botânica, na arquitetura, na medicina, na culinária, no mundo do snegócios, na portaria do meu prédio, na minha casa, os meus amigos. Eu tenho muitos mestres e nunca paro de aprender.

3. O que aprendeu pesquisando sobre jornalismo gonzo? E quem são os melhores exemplos atuais?

Aprendi que eu não sabia o que era jornalismo gonzo - e na verdade ainda não sei. Cada vez mais tendo a concordar com uma das visões possíveis acerca do tema que é: o gonzo é um gênero literário de um só autor, Hunter S. Thompson. Claro que há muitos outros autores experimentando o new journalism em primeira pessoa (que seria um resumo bem rasteiro de algo mais aceito como "gonzo"), mas todos pecam em um ou outro detalhe para serem satisfatoriamente enquadrados com os pares de Hunter.

Quanto mais se reduzem os critérios para definir o que é gonzo, mais abrangente ele fica. Usar o critério do jornalismo subjetivo em primeira pessoa nos tempos de hoje, com a televisão de realidade, os cases jornalísticos e a cultura do indivíduo em voga, é enquadrar uns 40-50% do que vem sendo produzido como "gonzo". Se o critério passa a ser uma voz forte e opinativa, um tom crítico e sarcástico, estamos falando de outros 30-40%. Mas à medida que combinamos esses dois critérios, por exemplo, o número já reduz drasticamente.

Mas sendo menos criterioso e mais fiel ao que seria um ideal de gonzo jornalismo, prefiro classificar como gonzo apenas aqueles esforços jornalísticos em que uma pessoa experimenta uma experiência de forma imersiva. Viver a vida de outra pessoa para poder escrever sobre ela da forma mais fiel possível. Isso é gonzo jornalismo pra mim. Mas talvez não fosse pro Hunter, já que ele declarou várias vezes que considera Hell's Angels, seu primeiro livro, "uma experiência fracassada em gonzo jornalismo". Mesmo assim foi a única vez em que o próprio Hunter encarnou a sua própria máxima e se arriscou a viver uma vida que não era sua, morando por 18 meses com a notória gangue de motoqueiros. Sobre exemplos atuais: não conheço nenhum, mas gostaria, pela curiosidade.

4. Qual a sua rotina atual?

Acordo por volta do meio dia, faço almoço longo e demorado e depois lavo a louça de forma lenta e demorada. Ou almoço na rua com algum amigo (coisa que acontece bem mais raramente). Sou freelancer e trabalho em casa há uns sete anos (até me espantei aqui e contei duas vezes pra ter certeza de que é isso mesmo), então tenho bastante liberdade de horários. Prefiro sempre trabalhar à noite, então passo a tarde respondendo e-mails e cuidado de burocracias que dependem de horário comercial, como pagamento de contas, serviços de correio, supermercado, farmácia, essas coisas.

Em geral começo a trabalhar mesmo por volta de 17h, 18h e sigo até por volta de 3 da madrugada. Em períodos mais complicados ou quando estou com o prazo mais estourado, pode ser que eu comece bem mais cedo, por volta das 14h, e vá até um pouco mais tarde, entre 4h e 5h. Mas na média é isso aí. Como grande parte de meus clientes está em São Paulo eu costumava viajar bastante para reuniões, mas aos poucos as reuniões via Skype se tornaram mais comuns e eu acho que faço entre 80 e 90% delas dessa forma hoje em dia.

Meu único trabalho fixo atualmente são as colunas de literatura para a OiFM. São diárias, de um minuto, e vão ao ar em todo o Brasil, sempre às 8h45min. Pesquiso e escrevo os textos durante a semana e gravo sempre cinco programetes na quinta-feira, num estúdio que fica a cerca de dois quilômetros de minha casa em Porto Alegre. Vendi meu carro há três anos e faço sempre esse percurso (como praticamente todos os demais) a pé, o que faz com que minha sensação de stress produzida pelo caos urbano seja muito próxima de zero. Morar em um bairro central e bem abastecido de serviços e transporte público como é o Bom Fim ajuda bastante nessa receita.

Nota do Editor: o Bom Fim, em Porto Alegre (RS), foi o bairro onde o escritor Moacyr Sciliarnasceu e viveu grande parte da sua história. Logo, algo de inspirador existe naquela região.

Sete anos de freelancer. Nem ele acreditou quando escreveu (Foto: Felipe Neves)

5. Quantas vezes por dia te confundem com o Carlos Cardoso? Quantas vezes por dia te fazem essa pergunta se te confundem com o Carlos Cardoso?

Rapaz, o pessoal vem me confundindo com ele desde 2005, aproximadamente, ano em que vivi o meu período sabático da internet, aposentei todos os meus blogs e passei em silêncio, trabalhando na organização do Qualquer.org, site onde reuni boa parte de tudo que eu já tinha feito até então. Foi mais ou menos nessa época que a presença dele começou a crescer na web. Lembro de receber vários e-mails de amigos perguntando "é tu?" com algum link para algum artigo em algum de seus blogs (acho que na época o principal era o Contraditorium, ou algo assim).

Muitas vezes quando eu visitava os blogs dele eu lia nos comentários "ei, vc é o Cardoso do COL?" ou "você é o mesmo Cardoso da revista VOID?" – uma revista para a qual colaborei durante alguns ano saqui em Porto Alegre. Mas a coisa começou a ficar mais forte mesmo apartir do final de 2008, quando entrei no Twitter e não pude usar o user "cardoso", tendo que apelar para "kidids", um apelido que meu pai me deu quando eu tinha uns 13 anos e que eu resolvi ressuscitar em parte justamente para me descolar um pouco do "cardoso", que agora misturou muito com o dele. Nos primeiros meses de Twitter era muito comum algum amigo me encontrar na rua e comentar alguma coisa do meu Twitter que eu nunca havia dito. Gente que me conhece há mais de dez anos seguindo o cara e achando muito estranhas as coisas que eu andava dizendo.

Ele, por sua vez, também foi confundido comigo algumas vezes. Tenho uma coluna de literatura na OiFM desde setembrode 2009, e praticamente toda semana alguém manda elogios pro cara via Twitter. Acho meio bizarro tudo isso, mas o que é que eu vou fazer, né? O nome do cara é Cardoso mesmo, o meu Cardoso é só apelido.

6. Imagine um 1998 (quando foi criado o CardosOnline) no qual a Internet tem os recursos que tem hoje. O que você faria de diferente?

Sempre penso nisso, e acho muito difícil imaginar que faria qualquer coisa diferente. Se a internet em 98 tivesse os mesmos recursos que tem hoje, seria necessário todo um processo de desenvolvimento nesse meio tempo – e esse processo de desenvolvimento me influenciaria e moldaria de formas totalmente diferentes e imprevisíveis até certo ponto.

Se é pra dar uma resposta bem simples, lá vai: eu faria alguma coisa em vídeo. Muito provavelmente seguiria fazendo da mesma maneira: texto puro, conteúdo gratuito, participação aberta ao leitor, propagação descontrolada e viral.

Mas alguma coisa com vídeo eu faria também.

2008 | Cardoso foi curador e disseminador do Projeto Mil Casmurros para a Rede Globo

7. Quais os principais equívocos de quem produz conteúdo para a Internet hoje? E quais as boas coisas que você vê surgindo nesse mar de entretenimento de consumo rápido?

Não vejo equívocos, na medida que tudo que se faz é bom. Só se aprende a acertar errando – e errando muito. Quem acerta de primeira gerlmemente tem muita dificuldade pra acertar uma segunda vez. E quem erra muito um dia acaba acertando. Por isso não gosto de ficar torcendo muito o nariz pra nada que é muito novo, bem como tenho muito cuidado em sair classificando de genial qualquer coisa que mal começou a acontecer.

Uma coisa boa que eu vi recentemente, por exemplo, foi o Todo Dia um Look, uma traquinagem marota com o mundo da moda feita por um trio de pangarés (@moskito, @chinisalada@matiaslucena). Acho muito sensacional a resposta que esse projeto vem tendo do próprio mundo da moda: os caras foram convidados pelo FFW pra fazer uma cobertura oficial do SPFW. Saber rir de si próprio é sinal de sabedoria.

Fiquei bem surpreso de ver um ambiente tradicionalmente sisudo e que sempre se levou muito a sério como o mundo da moda aprendendo a incorporar o humor de uma forma tão tranquila. No mais, sempre tive um projeto secreto de fazer um blog só com as minhas muitas camisetas promocionais – mas esses caras foram mais rápidos (e sejamos francos: são bem melhores do que eu seria também).

8. E a música eletrônica? Quando e por que você se viu envolvido com projetos como o Organizers?

Como quase tudo na vida, de forma puramente acidental. Acho que foi por 95 ou 96, eu andava ouvindo muito rap (e praticamente só rap) quando começaram a pintar, ainda de forma bem tímida, uns clips de música eletrônica na MTV. Ao mesmo tempo começaram a a parecer os primeiros CDs importados que eu ia comprando meio no escuro, só pelas capas e pelos nomes dos artistas. Muitos deles eram artistas de música eletrônica como Prodigy, DJ Vadim, ColdCut ou Chemical Brothers, mas eu só ia saber quando colocasse o CD pra rodar em casa.

Em alguma dessas visitas cegas às prateleiras de saldos da Mesbla eu comprei um troço chamado "Drum'n'bass 4", uma coletânea obscura com um monte de artista que eu nunca tinha ouvido falar. Custou algo como R$ 7. Uns dias antes eu tinha visto um documentário sobre a então incipientecena de drum'n'bass na Inglaterra na BBC (ainda não existia internet, mas eu já tinha TV a cabo em casa) e lembro de ter gostado do que ouvi. Mesmo assim nem eu e nem o meu irmão estávamos preparados para o que ouviríamos ali. Aquilo realmente mudou nossas vidas. Assim, quando compramos nosso primeiro computador, no outono de 97, uma das primeiras coisas que fizemos foi vasculhar o que podíamos atrás de música - e de programas para fazer música.

Conhecemos oSpinner.com (uma rádio online com uns 300 canais diferentes - os que agente mais ouvia eram "Neo Japan", "Alt.Indie 90's", "Rap", "Ragga","Jungle/drum'n'bass" e "downtempo"), o Audiogalaxy (uma espécie de pré–Napster) e o Fruity Loops – um sequenciador que baixamos, instalamos e nunca mais paramos de utilizar. Era com ele que fazíamos todas as nossas músicas.

Inicialmente, drum'n'bass, sob o nome Organizers. Além de mim e do meu irmão João (aka DJ Nes), também produzia conosco um amigo de infância chamado Luiz Tassinari - o Castor. Logo começamos a discotecar em diversos lugares em Porto Alegre e nos tornamos uma das referências do drum'n'bass na cidade, ao lado de veteranos como Navarro, Fidel, Dani, Nando Barth e Luciano "Spark" Peixoto e novato scomo Carlos NC, Cássio, Firpo, Krás e Chiba. Tocamos diversas vezes no Rio de Janeiro, na tradicionalíssima Febre, fizemos trilha sonora pra sites, comerciais e curtas e seguimos em atividade (ainda que bem mais na maciota) desde sempre.

Também tenho um projeto paralelo de música mais esquisita e menos dançante chamado Evillips.

2010 | Foi roterista e apresentador do documentário Araújo Vianna: Todas Histórias

9. O que você considera mais importante para um processo criativo: conhecer o mundo ou conhecer pessoas? Você indica alguma forma de estimular a criação de boas ideias?

As duas coisas são igualmente importantes, até porque estão diretamente relacionadas. Eu gosto muito de viajar, mas se tivesse que escolher entre uma das duas coisas apenas, ia escolher as pessoas. Está tudo aí. Quanto a forma de estimular a criação de boas idéias, tenho apenas uma dica: dedique bastante tempo ao silêncio, ao ócio e à solidão. É nesses espaços pouco valorizados (e muitas vezes até mal vistos) que se concentram 99% das grandes ideias.

Outra coisa importante a se dizer é: ninguém é criativo sempre, e ninguém é criativo por demanda. Boas ideias acontecem, mas não podem ser produzidas à força.

10. Há alguns anos enfrentamos o que chamam de banalidade do genial. Você acha que o público está menos exigente com a criatividade (seja na música, cinema, literatura...)?

Não acho que o público esteja menos exigente, muito pelo contrário. A questão é que hoje todo mundo tem opinião, e muitas vezes fazemos um julgamento muito errado dos dados quando eles nos são expostos. Um exemplo: as pessoas comemoram o fato de cada vez mais brasileiros terem acesso ao ensino superior, mas ninguém se pergunta que tipo de profissional está sendo formado e nem qual a qualidade dessa s instituições de ensino. Outro exemplo: um portal tem 1 milhão de usuários únicos clicando na sua capa todos os dias, mas mais de 60% desses acessos se concentram numa notícia totalmente trivial sobre celebridades e uns 80% ficam menos de 30 segundos navegando na mesma página.

Outro ainda: um perfil tem 1 milhão de seguidores no Twitter, mas seu público real (e sua influência) atinge na melhor das hipótese sumas 200 mil pessoas. Do mesmo modo, alguém lança um disco, 8 blogs dizem que o disco é genial e a "impressão" que se tem é que se está banalizando o genial e que o público está menos exigente. Acho que é uma visão distorcida. Por terem acesso a muito mais coisas, as pessoas estão muito mais criteriosas nos seus gostos. Ficou muito mais difícil empurrar as coisas goela abaixo da massa.

As manobras de massa ainda existem e são fortes, mas estão muito mais fracas do que há 10 ou 15 anos atrás. Nem dá pra comparar. Também fruto de toda essa nova estrutura, as pessoas tendem a gostar muito mais das coisas que elas gostam. Nesse cenário, é totalmente natural que alguém ache que fulano é gênio, uma vez que a relação que tem com esse ícone de culto- seja ele qual for - será muito mais forte do que com um ícone de massa, simplesmente porque é um processo muito mais individual.

"Quanto mais a gente aprende, menos a gente sabe" (Foto: João Mognon)

11. Você disse recentemente que "a TV do passado era o futuro da TV". Explique melhor e já emende sobre o futuro da Internet.

Foi uma colocação espirituosa e engraçadinha. Eu me referia ao sucesso do Viva, um canal por assinatura que exibe apenas reprises de programas antigos da Globo. O grande número de pessoas comentando e elogiando episódios da novela Vale Tudo, dos humorísticos TV Pirata e Viva o Gordo e até mesmo do Cassino do Chacrinha motivaram esse comentário, mas ele fica por aí. Ao mesmo tempo, acredito ser um bom nicho de mercado. A Globo – que pode ser chamada de muita coisa, meno sde boba – já se deu conta. Quanto ao futuro da internet, nenhuma ideia muito consolidada.

Eu já considerei ridículo geladeira com wifi e hoje em dia me parece uma ótima idéia, então não gostaria de fazer nenhum tipo de previsão. O mundo muda, e ele nos muda nesse processo. Querer antecipar os movimentos pode ser uma brincadeira muito traiçoeira.

12. Qual projeto em execução (com ou sem sua participação) que você considera mais ousado e diferenciado da maioria? E qual projeto foda que você adoraria ter participado do processo de criação?

Eu gostaria de ter sido David Rodigan.

13. O que você demorou pra aprender e hoje pode resumir em poucas palavras?

Quanto mais a gente aprende, menos a gente sabe. Parece contraditório, mas é muito verdade.

14. Quais são os benefícios que seu trabalho gera para as pessoas?

Gosto de pensar que levo alegria e alívio cômico às pessoas a maior parte do tempo. Também me proponho a funcionar como uma espécie de agente do possível, no sentido de mostrar que "se eu posso, todo mundo pode". Não sei se isso acontece na prática, até porque a gente não tem mais controle sobre o efeito das coisas depois que coloca elas no mundo, mas eu gostaria que sim.

15. Quais seus outros interesses, práticas e habilidades?

Ando me envolvendo muito com a dança. No final de maio participei da temporada de um espetáculo montado pelo Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre chamado Pulp Dance. Todas as coreografias e os números foram criados a partir de filmes do Tarantino. Me envolver nesse processo – desde os ensaios até as apresentações – foi muito interessante, e agora estou começando a elaborar algumas coisas nesse sentido.

Espero que até a metade de 2012 já tenha alguma coisa mais consistente para mostrar. Por enquanto é tudo apenas especulação, teste e erro. Mas daqui a pouco eu acerto.

16. O que você diria a um leitor que queira se tornar um escritor-consultor-pensador-quase-xamã como você?

Faça apenas aquilo que você gosta e prepare-se para ouvir as pessoas dizendo que você é ruim ou está errado a vida inteira.

17. O que nunca te perguntaram mas você adoraria responder?

Taí uma boa pergunta.

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Taí uma boa entrevista.


publicado em 04 de Julho de 2011, 13:55
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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