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Carro: a invenção mais ultrapassada do mundo

Imagine uma geladeira totalmente moderna, sistema frost-free, controle de temperatura digital, display de LCD touch screen que permite controlar quantidade de comida e navegar na internet.

Agora coloque nessa geladeira o mesmo motor da geladeira que sua vó ganhou de presente de casamento em 1900, que gasta o triplo de energia para funcionar e ainda emite gás CFC para prejudicar a camada de ozônio.

Essa geladeira também vem com a função anti-tsunami

É assim que eu vejo os carros hoje.

A geladeira da vovó com touch screen

Não me entendam errado, sou um cara apaixonado por carro, adoro conversar sobre marcas, motores, modelos, novas tecnologias e, principalmente, adoro dirigir. Tenho uma paixão platônica pelo meu carro de 2005, com 100 mil quilômetros. Já passou da hora de trocar, mas me aflige o coração só de pensar em vendê-lo.

Vejo os novos modelos saindo com tecnologias fodas: ar condicionado inteligente, computador de bordo, GPS, sistema de controle de tração, absorção de impacto, troca de marchas inteligente, motores de 1000 cavalos, turbos, compressores...

Mas, porra! Como que em pleno século 21, com mil revoluções tecnológicas acontecendo, pode existir um meio de transporte desses? Vejam os absurdos:


  • Para comprar um novo "peladinho", você precisa de no mínimo uns 70 salários mínimos (se você pagar à vista)

  • Gera outras despesas, como IPVA, seguro, manutenção e combustível.

  • Financeiramente, é o pior investimento do mundo: só de tirar os plásticos do banco o carro já desvaloriza de 15 a 20%, fora a depreciação anual.

  • Funciona com uma fonte de energia cara, poluidora, nada sustentável e fomenta outras indústrias completamente insustentáveis (o que vale álcool, gasolina, diesel e GNV)

  • É feito para transportar 5 pessoas, mas muito raramente transporta a capacidade máxima de passageiros.

É ou não é a geladeira da sua vó com display de touch screen?

Essa porcaria funciona com gasolina?

Nessas horas, você deve estar pensando:

"Brasileiro burro que fica andando de carro! E governo mais burro ainda que não investe em infra estrutura para ter mais ônibus, metrô e trem (e aerotrem!). Transporte público e bicicleta é a solução!"

Calma lá, senhor revolucionário! Antes de se achar um gênio com as melhores ideias do mundo, analise a situação direito.

A importância da indústria automobilística no Brasil

Indústria automobilística é uma das indústrias que mais aquece a economia e movimenta outros setores. Foi fundamental para ajudar no desenvolvimento econômico do Brasil, principalmente durante o governo JK e é quem sustenta boa parte do crescimento brazuca.

Alguns setores envolvidos em torno de um carro:


  • Siderúrgica

  • Pesquisa e desenvolvimento

  • Design

  • Projeto

  • Montagem

  • Tecnologia

  • Comercio (concessionárias, consórcios)

  • Financiamento

  • Manutenção (oficinas mecânicas)

  • Petroquímica (pneus, lubrificantes, peças de plástico e combustível)

  • Auto peças

  • Revendas

  • Seguros

  • Despachantes

  • Auto escolas

  • Estradas (policia rodoviária, pedágios, reboque)

  • Obras públicas (Avenidas, viadutos, túneis, etc...)

  • Multas

  • Publicidade e propaganda (aqui mesmo no PdH já tivemos várias montadoras como clientes)

  • Revistas especializadas

  • E não podemos esquecer, claro: muitos e muitos impostos cobrados sobre tudo isso.

Não é à toa que uma das primeiras medidas que o governo tomou quando o mundo entrou em crise foi dar desconto ou até mesmo zerar o IPI, assim todos esses setores não ficaram estagnados e a crise foi mais leve no Brasil.

"Só uma marolinha..."

Também não é por acaso que, quando entram em crise, o governo faz o possível para ajudar as montadoras.

Portanto, se você ainda acredita que deveria existir uma lei que obriga as pessoas a andar de bicicleta e transporte público, pense bem: suas medidas radicais podem causar a maior crise financeira do Brasil. Não dá pra simplesmente extinguir os carros. Por mais nocivos que eles sejam, ainda são uma peça fundamental em nossa economia. Muitas e muitas famílias do Brasil vivem do que essa indústria gera de empregos. Sem contar os impostos arrecadados que são reinvestidos em educação e saúde.

Motos? Carros voadores? Energia solar? Qual seria a solução para a invenção mais ultrapassada (e aparentemente indispensável) do mundo?

A solução é o teletransporte

"Te peguei, seu safadinho!"

Tenho um grande amigo, engenheiro do ITA, na lista das 10 pessoas mais inteligentes que já conheci. Ele brinca que os alemães já inventaram o teletransporte, mas, devido a um pacto com a indústria automobilística e principalmente com a petroleira, eles mantêm a invenção escondida a 7 chaves e utilizam apenas em testes na NASA.

Vamos supor que a Apple faça uma fusão com o Google e os geninhos que querem dominar o mundo finalmente descobrem como teletransportar pessoas e objetos. No dia seguinte você verá Steve Jobs anunciando a data de lançamento, o dia em que o aparelho de teletransporte estará disponível em todas as lojas da Apple (todos bloqueados para a AT&T, obviamente)

Provavelmente a economia do mundo vai virar de ponta cabeça. Milhões de empresas fechariam as portas e outras milhões cresceriam num índice descontrolado. Bolsas despencariam, outras disparariam. Nasceriam milionários do dia para a noite e encontraríamos ex-milionário pedindo qualquer emprego pelo amor de Deus. Fora as demissões em massa que seriam anunciadas e os milhões de novos empregos que surgiriam... Seria um grande caos no mundo até que as coisas se acertassem.

Pensando bem, a brincadeira do meu amigo pode até ser verdade.

Mais ultrapassado ou mais indispensável?

O que você acha? O carro é mais ultrapassado ou mais indispensável?

Será mesmo tão necessário assim para nossa economia ou viveríamos muito bem sem produzir tantos carros?


publicado em 11 de Abril de 2011, 13:08
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Rodrigo Cambiaghi

Gerente de Mídia do PapodeHomem, é especialista em mídia programática e monetização de sites. Reveza o tempo entre filha, esposa, cão, trabalho, banda, games, horta de casa, cozinha e a louça que não acaba nunca.


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