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Cirque du Soleil: Corteo | O PapodeHomem assistiu

O sonho fúnebre do palhaço branco é também o mais incrível e lúdico dos devaneios, se assim você coloca essa premissa toda na mão dos profissionais do Cirque du Soleil.

Pudera: Corteo é uma superprodução que envolve 136 pessoas de 25 nacionalidades diferentes, utilizando mais de 260 peças de figurinos e mais de 1.000 toneladas da estrutura do espetáculo, que foram trazidos ao Brasil em cerca de 100 containers. O resultado final é a imersão em uma experiência artística que se torna quase indescritível: você precisa conferir com seus olhos e sentidos. E entenderá perfeitamente porque Corteo, show que estreou em Montreal, Canadá, em 2005, já passou por 48 cidades antes de chegar em São Paulo, tendo sendo visto por mais de 6,5 milhões de espectadores ao longo destes anos.
-- Alexandre Inagaki (Pensar Enlouquece)
corteo
Corteo

significa "cortejo" em italiano, que pode significar tristeza se encaixarmos a palavra no contexto de um velório, se aproximarmos a paroxítona  do tema da morte, ou então podemos elevá-la ao sentido festivo de uma linha de músicos percorrendo ruas e sacolejando todo mundo no carnaval, ou a união do casamento quando os padrinhos entram na igreja antes dos noivos. É essa sacada que o espetáculo costura o tempo todo.

Para "justificar" (ou engrandecer) os feitos dos profissionais de primeira linha fazem no palco 360°, o Corteo conta a fantástica quimera de um palhaço que sonha com o próprio funeral, com a própria morte. Mas, em seus sonhos, o fato passa longe do luto, mas sim a celebração da vida ou do que foi a vida ou então do que pode ser essa segunda a vida, essa nova que vem após a morte. Amigos se despedem, sorriem, acenam. O palhaço vê a vida seguindo sem ele, vê aventuras fantásticas de seres que podem estar no meio dessa bagunça toda que é viver e morrer. O palhaço tudo vê e com tudo se diverte.

A estrutura do Cirque du Soleil é mesmo inacreditável. A parte de segurança e iluminação, as maneiras que encontram pra dar vazão à história pra que os números circenses possam ser preparados, a qualidade de som, de figurino, de cenário, de luzes, tudo muito bem estruturado pra que a catarse seja a mais profunda possível. Quando eu fui assistir ao Corteo, pude ter certeza disso. Eram crianças gritando "uau!" enquanto artistas voavam, eram pais e casais boquiabertos olhando para cima, incrédulos com a capacidade de saltar e rolar e fazer rir.

São 150 minutos de show com um intervalo de meia hora. Mas tudo passa bem rápido e facilmente daria pra ficar e ver mais uma dobradinha de 150 minutos. O grande lance, ao ir em qualquer circo (mas, sobre tudo o Soleil que tem um preço bem salgado), é saber dosar a entrega. Há aqueles que vão e dormem e saem felizes por estar na contra mão do senso comum e falar mal do espetáculo. Também temos os eufóricos que pagaram tanto nos ingressos que se veem na posição desconfortável de fazer valer a pena o investimento e nada foi nem será como o dia em que eles foram ao Cirque du Soleil.

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No final das contas, é apenas um show circense. Mas, com uma equipe tão competente, tudo se transforma, sim, num circo imperdível de se viver.

O espetáculo ainda fica em cartaz até julho em São Paulo, lá no Parque Villa Lobos. Aqui no Brasil, Corteo ainda vai para Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre, tudo isso até o meio de 2014.


publicado em 13 de Junho de 2013, 07:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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